Ibovespa recua mais de 1% com exterior e CPI; Itaú despenca após balanço | Exame Invest
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Ibovespa recua mais de 1% com exterior e CPI; Itaú despenca após balanço

PUBLICADO EM: 4.5.21 | 15H00
ATUALIZAÇÃO: 4.5.21 | 17H24
Setor bancário pressiona índice para baixo; Bradesco recua 2,7% antes de apresentar resultado do 1º trimestre

Resumo do investidor

- Ibovespa recuou 1,26% e fechou pregão aos 117.712 pontos - Dólar comercial avançou 0,22% e encerrou o dia negociado a 5,43 reais - EUA: Nasdaq recuou 1,88%, seguido por S&P 500, que caiu 0,67%. Dow Jones teve leve alta de 0,06%

B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

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Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

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O Ibovespa caiu nesta terça-feira, 4, seguindo o tom negativo das principais bolsas internacionais. O principal índice da B3 foi pressionado pelo noticiário político local e pelas quedas nas ações dos grandes bancos, que juntas representam 14,6% do Ibovespa.

Na bolsa, as ações do Itaú (ITUB4) encerraram o pregão negociadas em queda de 4,27%, após o banco ter registrado lucro líquido recorrente 6,4 bilhões de reais no balanço do primeiro trimestre, superando em 11% o consenso de mercado. Apesar da surpresa positiva, alguns detalhes do balanço desagradaram analistas. Entre eles, a receita de serviços abaixo do previsto no guidance e menor nível de corte de custos frente ao de seus concorrentes.

"Acreditamos à primeira vista que a maior parte do lucro batido possa ser de natureza não recorrente e cuja sustentabilidade ainda está para ser vista", ponderam analistas do Credit Suisse em relatório.

Com balanço previsto para ser divulgado após o encerramento do pregão, os papéis do concorrente Bradesco (BBDC4; BBDC3) caíram 3,02% e 3,06%, respectivamente.

Investidores também estiveram atentos aos desdobramentos da reforma tributária, que teve seu relatório lido nesta terça em comissão mista do Congresso. No entanto, a versão final do texto só deve ser apresentada na próxima terça-feira, a partir de sugestões de parlamentares. A expectativa é de fatiamento da proposta, com pontos mais polêmicos sendo adiados.

Ainda no cenário político, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta participou nesta manhã da CPI da Covid e afirmou que alertou o presidente Jair Bolsonaro "sistematicamente" sobre gravidade da pandemia. Em abril do ano passado, sua demissão foi marcada por pressões contrárias às medidas de isolamento e por ciúmes do protagonismo que o médico vinha tendo à frente da pasta.

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que substituiu Mandetta e pediu demissão em condições semelhantes, também foi ouvido hoje pela CPI. Já o depoimento do último ex-ministro da pasta, Eduardo Pazuello, foi remarcado para 19 de maio, depois de o general informar que teve contato com dois servidores que tiveram resultado positivo para a doença. Pazuello deveria ser ouvido na quarta-feira pelos senadores.

Fechando a agenda do dia, o Banco Central iniciou nesta terça-feira a primeira etapa da reunião que -- segundo o consenso do mercado -- deve elevar a taxa Selic amanhã em 0,75 ponto percentual, para 3,50% ao ano.

"A alta de 0,75% já estava contratada desde o último comunicado. O mercado agora fica atento ao comunicado de amanhã para entender como o BC vai se portar daqui para frente, se vai acelerar a mudança de política monetária ou se serão ajustes mais pontuais", afirma João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos.

No mercado de câmbio, o dólar subiu contra o real, refletindo a cautela de investidores locais e a aversão ao risco internacional.

No exterior, investidores seguiram migrando de ações de tecnologia -- beneficiadas por medidas de contenção do coronavírus -- para papéis de empresas ligadas à economia tradicional. A rotação de posições tem pressionado, principalmente, o índice Nasdaq, que voltou a liderar as perdas no mercado americano e recuou mais de 2% na mínima do dia.

Por lá, as bolsas aprofundaram as perdas após a secretária do tesouro, Janet Yellen, ter dito nesta tarde que a taxa de juros pode ser elevada para evitar que a economia se sobreaqueça, deixando a inflação fora de controle.

Apesar da forte recuperação que vem sendo apresentada pelas maiores economias do mundo, crescem no mercado as preocupações sobre a inflação americana e o nível de preço das ações, que para parte dos investidores, já estaria esticado demais.

Destaques

Assim como no exterior, a saída de investidores de ações de tecnologia ocorreu no mercado brasileiro, com as ações da Locaweb (LWSA3) figurando entre as perdas do Ibovespa, em queda de 5,13%. Ações ligadas ao e-commerce, como as da Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3) e Mosaico (MOSI3) também foram negociadas em queda.

A principal baixa do Ibovespa, no entanto, foram os papéis do Banco Inter (BIDI11), que recuaram 7,70% em linha com a queda no setor bancário. 

Na ponta positiva do índice, os papéis da PetroRio (PRIO3) avançaram 3,70% após a divulgação do balanço da empresa. O Ebitda no primeiro trimestre de 2021 somou 448 milhões de reais, 58% acima da projeção dos analistas do banco BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). 

Fora do Ibovespa, os papéis da Méliuz (CASH3) fecharam o dia em alta de 5,51%, após a empresa anunciar seu plano de recompra de ações, que visa adquirir até 10% das ações em livre circulação até novembro de 2022. Até o início do pregão, as ações da companhia acumulavam alta de 265% desde a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) realizada em novembro do ano passado.

Também fora do índice, as ações da Alpargatas (ALPA3; ALPA4), dona da marca Havaianas, avançaram 9,56% e 13,77%, respectivamente, com o lucro de 140,2 milhões de reais registrado pela empresa no primeiro trimestre de 2021 -- uma alta de 73,6% frente ao mesmo período do ano passado.

Já as ações da Infracommerce (IFCM3) estrearam na bolsa em queda de 1,44%, após a companhia ter levantado 870 milhões em IPO. Na operação, os papéis saíram por 16 reais.


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