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Ibovespa toca os 118 mil pontos e fica perto de recorde histórico

PUBLICADO EM: 16.12.20 | 9H15
ATUALIZAÇÃO: 16.12.20 | 18H29
Vencimento de opções sobre o Ibovespa e o índice futuro e anúncio de novos estímulos na economia americana impulsionaram o índice
B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

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Após abrir entre perdas e ganhos, o Ibovespa engatou em rali e virou para forte alta na tarde desta quarta-feira, 16, encerrando o pregão próximo dos 118 mil pontos pela primeira vez desde o início do ano. O principal índice da bolsa brasileira fechou em alta de 1,47%, aos 117.857 pontos — o recorde para o ano de 2020 é de 119.527 pontos, registrado no dia 23 de janeiro. Na máxima, o índice atingiu 118.178 pontos. O volume financeiro somou 32,16 bilhões de reais em sessão marcada por anúncio de novos estímulos na economia americana e vencimento de opções sobre o Ibovespa e o índice futuro.

“O fluxo do dia foi atípico por causa do vencimento de opções. Havia um estoque muito grande de calls [opções de compra] compradas abaixo dos 112 e, para esses investidores, quanto mais distante o Ibovespa estiver do valor do exercício da opção, melhor. Isso gerou uma forte pressão compradora”, explica Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos.

Existe também impulso positivo vindo do cenário externo. Nos Estados Unidos, os principais índices de ações fecharam no positivo, repercutindo a decisão de juros e o posterior comunicado do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, consolidando a política de estímulos. Como já esperava era esperado, o Fed manteve as taxas de juros nos Estados Unidos próximas a zero, no intervalo entre 0% e 0,25%.

Além disso, a autoridade monetária americana sinalizou a compra de pelo menos 120 bilhões de dólares em títulos por mês — 80 bilhões de dólares em títulos do tesouro e 40 bilhões de dólares em títulos hipotecários — até que um “progresso substancial” seja feito para atingir metas máximas de emprego e estabilidade de preços do Comitê.

“Isso mostra que o Fed está comprometido com a recuperação da economia americana. Era uma fala muito esperada pelos mercados, tanto que o índice S&P500 começou a subir enquanto Powell discursava”, afirma Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos. Entre os principais índices americanos, dois fecharam em alta: o S&P500 com avanço de 0,18% e o Nasdaq, que subiu 0,50% atingindo novo recorde. O Dow Jones encerrou o pregão em queda de 0,15%.

Para além do Fed, os investidores também seguem otimistas com a possibilidade de o Congresso americano chegar a um acordo sobre o pacote de estímulo. Na véspera, líderes dos partidos Republicano e Democrata se reuniram para discutir detalhes da medida. Após a reunião, o senador Mitch McConnell, líder da maioria republicana do Senado, afirmou que as conversas foram produtivas. Chuck Schumer, líder da minoria democrata do Senado, também sinalizou avanços. “Espero que possamos chegar a um acordo em breve”, disse ao Politico.

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Menor do que o pacote de mais de 2 trilhões de dólares sugerido por democratas antes das eleições, pelos termos atuais, o incentivo deve girar em torno de 750 bilhões de dólares, sendo parte do montante destinado a programas de auxílio a desempregados e de empréstimos a pequenas empresas. A expectativa é de que o estímulo seja aprovado ainda neste ano. 

No velho continente, dados da economia europeia também reforçam o tom positivo. Mesmo em meio à segunda onda de coronavírus, os índices de gerente de compras (PMIs) de dezembro vieram acima das expectativas no continente. Na Zona do Euro, o PMI industrial ficou em 55,5 pontos, acima da linha dos 50 pontos que delimitam a expansão da contração da atividade e superior aos 53 pontos estimados. Na Alemanha, o PMI industrial ficou ainda maior, em 58,6 pontos. Por outro lado, mesmo que acima do esperado, o PMI de serviços mostrou alguma fragilidade, ficando em 47,3 pontos. No país, novas medidas de isolamento foram retomadas para frear a propagação do vírus.

As bolsas do continente fecharam no azul, com destaque para o índice DAX, da Alemanha, que subiu 1,52%. Já o índice pan-europeu STOXX600 avançou 0,82%.


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No cenário local, Brasília recebe as atenções dos investidores, com a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Os deputados aprovaram, por 444 votos a 10, o texto-base da proposta para 2021. O texto agora segue para sanção presidencial.

A votação do detalhamento do Orçamento de 2021, no entanto, deve ficar apenas para o próximo ano, quando o Congresso irá analisar a Lei Orçamentária Anual (LOA), onde são estimadas as receitas e fixadas as despesas do governo federal.

Mais cedo, causaram ruído as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Segundo ele, o governo não tem mais interesse em votar o corte de gastos e o ministro Paulo Guedes está isolado. Em lado oposto ao governo na disputa pela presidência da Câmara, que será desocupada em janeiro, Maia também disparou contra o ministro da Saúde, o qual se referiu como "desastre" para o país.

A incerteza fiscal pesou sobre o dólar, que fechou em alta de 0,41%, a 5,1082 reais. A moeda americana também ganhou tração na parte da tarde com a tomada de fôlego no exterior, após o Fed manter os juros perto de zero.

 


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