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IPO do super app: Dotz quer ir à bolsa com 48 milhões de contas

PUBLICADO EM: 23.2.21 | 6H15
ATUALIZAÇÃO: 23.2.21 | 6H55
Empresa com plataforma digital que une fidelidade, marketplace e serviços financeiros pretende movimentar cerca de 600 milhões de reais com oferta primária, além da secundária

Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos e CNN Brasil.



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A temporada 2021 de ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) continua aquecida, apesar da volta do risco político que vem de Brasília. Nesta segunda-feira à noite, 22, três companhias protocolaram seus pedidos de abertura de capital, entre elas a Dotz.

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Será um IPO com ofertas primária (em que os recursos serão destinados ao caixa da companhia) e secundária, em volumes não divulgados no prospecto na Comissão de Valores Mobiliários. A oferta primária deve movimentar estimados 600 milhões de reais, segundo fontes a par da operação. O objetivo é usar os recursos para investimentos em tecnologia na plataforma, expansão dos negócios já existentes e possíveis fusões e aquisições.

Na oferta secundária, o acionista vendedor é o fundo de investimento em participações ASCET I, que é o veículo de investimento da família Chade. O principal executivo da empresa, cofundador e CEO é o empresário Roberto Chade.

A Dotz tenta pegar carona no apetite crescente de investidores por empresas que tenham a tecnologia permeada no modelo de negócios, com inteligência de dados e apelo digital sobre os clientes, sejam empresas ou consumidores.

Se bem-sucedida, a oferta vai representar a chegada à bolsa da empresa pioneira no país no conceito de coalizão (de parceiros) online -- um programa de fidelidade que vai muito além do resgate de passagens aéreas -- e de uma das primeiras a explorar o modelo de super aplicativo. É o app que reúne diversas verticais de negócios para ampliar a recorrência de uso pelo consumidor, criando um círculo virtuoso que se auto-alimenta.


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No caso da Dotz, o super app é sustentado por três pilares: o loyalty (o programa de coalizão), o marketplace de produtos e serviços e a vertical de serviços financeiros (TechFin).

O modelo de negócios do super app já está hoje presente em diferentes companhias na B3, do Magazine Luiza (MGLU3) ao Banco Inter (BIDI11), para ficar em dois exemplos, um que nasceu com a vertical do varejo, e o outro, dos serviços financeiros.

Os diferenciais apresentados pela Dotz são o conceito da fidelidade (loyalty, em inglês) já consolidado, com o uso de uma moeda própria para estimular a recorrência desde a sua fundação em 2000, e a ampla base com mais de 48 milhões de consumidores. Tudo isso se traduz em um baixo custo de aquisição do cliente. Desse total, 20 milhões possuem saldo em conta, o que pode ser um fator de atração.

A base tão ampla é um ativo com amplo potencial de crescimento, desde que, é claro, a Dotz se mostre eficaz em fazer os clientes usarem tanto os serviços oferecidos no marketplace como adquirirem produtos. Ao fim de 2020, eram 9 milhões de clientes ativos.

O GMV (volume bruto transacionado) por meio do marketplace ficou em 10 bilhões de reais, enquanto o TPV (volume total de compras) pelos meios de pagamento alcançaram 23 bilhões de reais.

A empresa teve 229,2 milhões de reais em receita em 2020, segundo o prospecto. A pandemia impactou os negócios, o que fez a receita ter uma queda de 20% em relação ao ano anterior.

Já a conta digital sinaliza o potencial de crescimento por meio da vertical de serviços financeiros, como empréstimos: ela alcançou a marca de 600 mil downloads em cinco meses de maneira orgânica, sem que a companhia tenha feito campanhas de divulgação.

A oferta é coordenada pelo BTG Pactual (líder), Itaú BBA, UBS BB e Credit Suisse.


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Editor da EXAME Invest, jornalista com passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos e CNN Brasil.


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