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Bancos disparam até 4% com fala da Febraban e investidores buscando pechinchas na Bolsa

PUBLICADO EM: 2.3.21 | 13H24
ATUALIZAÇÃO: 2.3.21 | 18H59
Mais cedo, papéis do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander chegaram a cair entre 3% e 4% após Bolsonaro decidir, ontem à noite, elevar alíquota da CSLL para compensar desoneração do diesel e gás
Itaú

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Depois de caírem entre 3% e 4% no pior momento do dia, as ações dos bancos viraram para o positivo e fecharam nesta terça-feira, 2, entre as maiores altas do Ibovespa. Segundo analistas de mercado, o movimento ocorre após declaração mais cedo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de que o aumento do imposto sobre instituições financeiras precisa ser "temporário", aliado a uma percepção dos investidores que, depois da forte queda recente, esses papéis possam estar muito descontados em Bolsa.

Os papéis do Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) registraram ganhos de 4,04%, 3,84%, 2,68% e 3,14%, respectivamente, enquanto o principal índice de ações da Bolsa avançou 1,09%.

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De acordo com o estrategista da RB Investimentos Gustavo Cruz, o comentário da Febraban trouxe um alívio para o mercado , que interpretava até ontem, quando começaram a surgir os rumores sobre o aumento do imposto, de que poderia ser algo mais definitivo.

"A elevação de imposto é ruim, mas se for realmente só por seis meses, pontual como apontou a Febraban, a medida não impacta tanto o resultado dos bancos. Ontem, quando começaram a sair notícias nesse sentido, a leitura era de que poderia ser algo mais definitivo", comentou.

Ainda assim, ele disse que tem sugerido aos investidores ficarem um pouco mais atentos com os papéis desse setor.

"Se o investidor está para realizar algum reposicionamento na carteira, temos sugerido evitar bancos, assim como fizemos com estatais, porque ainda há dúvidas sobre a duração dessa medida. E lógico que, mesmo com o alívio hoje, o o mercado vai fazer conta de qual banco pode ser o mais afetado com esse aumento. Talvez o Itaú, por ter feito uma maior provisão em seu balanço, tenha o menor impacto, enquanto o Santander, que provisionou menos, tenha um pouco mais", acrescentou.

Além disso, Cruz pontuou que o Congresso ainda precisa aprovar essa medida. "Não está 100% definido. O aumento seria válido a partir de julho até o fim do ano, mas ainda tem muita coisa para acontecer até la´.

Em enviada ao Valor Econômico, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, disse que os bancos "já vêm dando sua contribuição à sociedade durante a pandemia e, agora, são chamados a contribuir ainda mais". Mas que tem convição de que essa medida será "temporária e circunstancial".

Já Marcio Loréga, analista técnico da Ativa Investimentos, ressaltou que, depois de forte queda dos papéis de bancos -- olhando para Itaú, as ações caíram 28% do topo registrado no dia 8 de janeiro, em 33,18 reais, até a mínima de hoje, em 23,92 reais --, o mercado parece começar a ver esses ativos como muito descontados em Bolsa.

"Tivemos uma realização muito intensa no curto prazo e é natural que tivéssemos um 'pullback' (uma retomada), com essas ações negociando atualmente com um desconto muito grande. Os investidores começaram a ver esses papéis como atrativos nem que seja pelo curto prazo, pela especulação, para depois ver se confirma o movimento de reversão. Além disso, tivemos agora o Credit Suisse falando que recomenda as ações do Itaú no setor financeiro, isso ajudou a trazer mais fluxo para o papel", comentou.

Segundo Loréga, olhando para os gráficos, para a ação do Itaú confirmar uma reversão da tendência de baixa no curto prazo, precisaria primeiramente ultrapassar a região dos 27,00 reais e depois buscar o topo recente na casa dos 33,00 reais. Até lá, o movimento é apenas um ajuste, um "pullback", disse.

Ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro decidiu aumentar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos para compensar a medida de zerar os impostos federais de diesel e gás de cozinha. Em edição extra do Diário Oficial da União, o governo fixou em 25% a nova alíquota até o fim do ano, frente a 20% anteriormente.

A notícia que já circulava no mercado desde o período da tarde fez com que os papéis de Itaú e Bradesco recuassem mais de 3% na véspera, enquanto Santander caiu 1,2% e Banco do Brasil teve desvalorização de 0,7%.

 

 

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Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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