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Kit anti-lockdown: as ações para se proteger do fechamento da economia

PUBLICADO EM: 4.3.21 | 16H25
ATUALIZAÇÃO: 4.3.21 | 20H14
As proteções para o cenário de mais restrições estão nos papéis de exportadoras, do setor de transmissão de energia e de serviços essenciais, apontam especialistas

Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.



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Em meio ao aumento das medidas de restrições à circulação de pessoas em várias cidades do país como forma para enfrentar o pior momento da pandemia no Brasil, investidores podem se questionar sobre quais ações podem servir como proteção na Bolsa neste momento.

Para especialistas do mercado, os papéis mais defensivos neste caso seriam, principalmente, os de empresas exportadoras e dos setores de transmissão de energia elétrica e de serviços essenciais.

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"A forma de se proteger no mercado nessa segunda onda da covid-19 é diferente da visto no ano passado, quando as grandes ganhadoras foram as empresas de e-commerce", disse o analista-chefe de renda variável da EXAME Invest Pro, Bruno Lima.

Isso porque essas ações estão passando por um momento muito grande de rotação nas carteiras de grandes gestores e investidores. É uma reversão de mão desses papéis que subiram muito no ano passado para aqueles que haviam ficado para trás na crise, comentou o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

Para lembrar, os papéis de Magazine Luiza (MGLU3) e Via Varejo (VVAR3), por exemplo, subiram 110% e 45% em 2020, enquanto o Ibovespa avançou 3%. Desde o pior momento do mercado no ano passado, em 23 de março, até o dia 31 de dezembro, a alta dessas ações foi de 230% e 268%, respectivamente, enquanto o índice subiu 87%.

Além disso, Lima explica que a alta dos juros dos títulos do governo americano com vencimento em 10 anos tem impactado essas empresas com maior duration, ou seja, mais sensíveis às mudanças na taxa de juros, como as do setor de tecnologia.

"As ações de tecnologia no exterior estão apanhando com isso. Consequentemente, podemos ter uma leitura parecida aqui no Brasil", comentou.

Para onde correr? 

Na visão de Lima, em tese, se esse cenário de mais restrições à economia se tornar mais recorrente no país, as ações mais defensivas seriam aquelas de empresas mais dolarizadas, com a maior parte da receita exposta ao câmbio.

Além disso, entram nessa lista também os papéis de empresas com maior previsibilidade de caixa, principalmente as do segmento de transmissão de energia elétrica. "Nesse caso, você não tem um risco regulatório significativo e tem um fluxo de caixa extremamente previsível", disse.


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Ele apontou, no entanto, que acredita que grande parte desse cenário de mais restrições já esteja precificado pelo mercado e que a maior preocupação mesmo tem sido com a situação fiscal do país.

"Estamos vendo a Bolsa subir mais de 1% hoje porque ontem (quarta) o Senado deu uma sinalização de que aqui não vai virar uma Venezuela, uma Argentina (a sinalização se deu com a aprovação da PEC Emergencial mantendo o limite de gastos). Olha o tamanho da descompressão de risco que está acontecendo no mercado hoje, com os juros voltando a cair", comentou.

Ainda assim, Cruz disse que acredita que "deve demorar para o Brasil ter a mesma sensação pela qual estão passando Reino Unido e Israel, com o número de hospitalizações em queda". "Neste primeiro semestre, poderemos continuar a ver ainda essas idas e vindas de mais e menos restrições".

Nesse sentido, ele também apontou as ações de empresas exportadoras como interessantes, uma vez que o cenário no exterior com vacinação está melhor do que o interno e deve puxar o crescimento para cima. Ele lembra que "os Estados Unidos anteciparam em dois meses a vacinação prevista para adultos e a China tem perpectiva de crescer 8% neste ano".

Dentre esses papéis, ele destaca Vale (VALE3), Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e CSN (CSNA3), além das empresas de frigoríficos.

Ações da economia doméstica

Olhando para empresas mais dependentes da atividade interna, ele diz que podem ser boas opções as ações de empresas ligadas a serviços essenciais, como supermercados, citando Pão de Açúcar (PCAR3) e Carrefour (CRFB3), e farmácias. Neste setor, o destaque é a Raia Drogasil (RADL3), que, por ser já muito consolidada no mercado, sofre menos em cenários adversos, ressaltou.

Nesse combo, Cruz acrescentou também a ação da Petz (PETZ3), que atua no setor de pet shops e está dentro da categoria de serviços essenciais. Além disso, "vimos que a pandemia até acelerou a adoção de animais domésticos".

Ele citou ainda as empresas de transmissão de energia elétrica, que são imunes a esses momentos por terem a receita já contratada, além de Totvs (TOTS3), que, apesar de estar no segmento de tecnologia, tem como vantagem uma receita recorrente representativa.

Ações mais penalizadas

Do outro lado, entre as companhias que devem ser mais afetadas caso haja mais restrições estão as dos setores de varejo físico, aviação, turismo, educação e shoppings, afirmou Pedro Serra, gerente de análise de ações da Ativa Investimentos.

Para ele, as ações mais defensivas nessa situação são companhias de serviços essenciais, como supermercados e farmácias, do setor de energia elétrica, além de telecomunicações, uma vez que, com as pessoas mais tempo em casa, podem passar a consumir pacotes maiores de internet, destacou.


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Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.


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