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Marfrig surpreende 3 vezes, mas a ação pouco reage; o que acontece?

PUBLICADO EM: 11.8.21 | 15H19
ATUALIZAÇÃO: 11.8.21 | 15H29
Junto com um balanço acima das expectativas do mercado, a empresa anunciou o pagamento de R$ 958,4 milhões em proventos e um novo programa de recompra
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Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Apesar do balanço ter superado as estimativas do mercado, as ações da Marfrig (MRFG3) mostram um desempenho tímido no pregão desta quarta-feira, 11. Os papéis até chegaram a subir 2,6% na abertura, mas logo nos primeiros minutos de negociação desaceleraram e viraram para o negativo. Neste momento, operam com alta de cerca de 0,5%, em 19,66 reais.

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Não foi apenas o resultado que surpreendeu positivamente. Junto com uma receita recorde de 20,6 bilhões de reais no segundo trimestre (avanço de 9% na base anual), a companhia anunciou o pagamento de 958,4 milhões de reais em dividendos intermediários e um novo programa de recompra de até 26,3 milhões de ações, equivalentes a 4% do seu total de papéis em circulação no mercado.

Com leitura positiva sobre o combo da Marfrig, o Credit Suisse e Bradesco BBI reforçaram suas recomendações de compra para as ações. Para eles, o momento favorável para os números da empresa podem levar os papéis para ganhos entre 27% e 32% frente ao patalar atual, mesmo depois da forte alta já acumulada neste ano (de 37%, versus 3% do Ibovespa). O preço-alvo de cada um deles é de 26,00 reais e 25,00 reais, respectivamente.

"Continuamos otimistas com o caso de investimento da Marfrig, pois acreditamos que o momentum operacional permanecerá muito forte. A National Beef deve se beneficiar da oferta ainda favorável de gado nos Estados Unidos e dos fortes spreads na indústria de carne bovina nos próximos meses", comentou o analista Victor Saragiotto, do Credit Suisse.

Ele apontou também que as iniciativas de gestão para ganho de eficiência (com redução das despesas financeiras, cortes de custos, entre outros) devem abrir caminho para que a empresa fique ainda mais saudável em termos de alavancagem e geração de fluxo de caixa no futuro.

O analista Leandro Fontanesi, do BBI, destacou que o Ebitda da companhia superou em 24% o consenso do mercado e em 10% o que ele esperava. Além disso, os dividendos anunciados para setembro equivalem a um retorno (dividend yield) de 7%, o que disse ser acima do que o banco projetava de 5,7% para todo o ano de 2021.

Por que as ações entregaram os ganhos?

Apesar dos números acima das expectativas, o mercado pode ter aproveitado o dia para realizar um pouco o lucro. Na semana, as ações da Marfrig aparecem entre uma das maiores altas do Ibovespa, com valorização de 5%, contra queda de 0,2% do índice.

"Vejo o movimento de hoje mais como uma realização dos papéis da Marfrig. O investidor preferiu colocar um pouco do lucro no bolso, depois de uma forte sequência de ganhos. Mas isso não muda o fato de que o balanço veio muito interessante", disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. "As expectativas para o resultado eram altas e a empresa conseguiu entregar números ainda melhores, além dos dividendos e recompra. Seguimos vendo as ações com bons olhos".

Um outro fator que traz certa incerteza no mercado é sobre a posição da companhia em BRF (BRFS3). Entre maio e junho, a Marfrig montou uma posição de 31,66% na empresa.

"Apesar dos bons resultados e dividendos inesperados, mantemos nossa recomendação neutra em Marfrig", comentaram Isabella Simonato, Guilherme Palhares e Fernando Olvera, analistas do Bank of America.

Para eles, a incerteza quanto ao próximo passo da empresa em direção à BRF deve permanecer gerando uma pressão nos papéis.

A Marfrig afirma que o investimento em BRF é passivo, mas eles temem por novas investidas.

"A empresa diz que tem uma participação de 31,66% na BRF e, se quiser aumentar sua participação, irá acionar a cláusula de poison pill de 33% [isto é, terá que lançar uma oferta pública de aquisição para todos os demais acionistas, com um prêmio de 40% sobre a média recente em Bolsa]. Isso pode levar a uma mudança significativa na alavancagem da Marfrig", argumentaram Isabella, Palhares e Olvera.

Nos cálculos deles, uma posição de 67% na BRF aos preços atuais significaria um desembolso de cerca de 14 bilhões de reais. Além disso, a alavancagem da BRF é superior à da Marfrig em 3,3 vezes o indicador dívida líquida sobre o Ebitda estimados para este ano, pontuaram.

Os analistas do Bradesco BBI também tocaram no ponto da posição da Marfrig em BRF, apesar de terem mantido visão otimista para as ações.

"A Marfrig informou que o custo de aquisição de 23,4% do capital da BRF foi de aproximadamente 26,50 reais por ação, ou perto de 5 bilhões de reis, e mencionou que aguarda a aprovação antitruste para a compra de outra fatia de 8,9% (sem revelar o valor da aquisição), o que totalizaria uma participação de 32,3% na BRF", comentaram.

No entanto, "em nosso modelo, assumimos uma participação de 31,7%, com uma média de custo pela aquisição mais baixa, de 24,50 reais por ação. Assumindo o valor de 26,50 por ação, haveria um impacto negativo de cerca de 500 milhões de reais em nosso valuation para Marfrig". Segundo eles, o efeito negativo seria equivalente a 4% do valor de mercado de Marfrig.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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