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Mercado compra R$ 8,7 bi em Eletrobras em 3 dias; mas a ação vale o risco?

PUBLICADO EM: 25.2.21 | 12H53
ATUALIZAÇÃO: 25.2.21 | 15H59
Nos últimos três pregões, as ações da companhia sobem cerca de 19% na esteira da MP para privatização da elétrica; mas, apesar dos ganhos, analistas do mercado seguem céticos quanto ao futuro da empresa
A man rides a bicycle near power lines connecting pylons of high-tension electricity, in Brasilia

(REUTERS)

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Nos últimos três dias, as ações ordinárias e preferencias da Eletrobras (ELET3; ELET6) acumulam uma valorização de 19,34% e 18,60%, respectivamente -- dando um ganho em valor de mercado para a empresa de 8,73 bilhões de reais no período.

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Na esteira do movimento, os investidores repercutem a medida provisória (MP) entregue na terça-feira pelo governo federal ao Congresso para tentar acelerar o processo de privatização da empresa. De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), as discussões no plenário da Casa podem começar já na próxima semana.

Apesar de se assemelhar ao projeto de lei 5.877/2019, proposto pelo governo Bolsonaro ao parlamento em novembro de 2019, o texto traz algumas mudanças. Entre elas, a prorrogação por 30 anos da concessão da hidrelétrica de Tucuruí e a destinação de recursos para revitalização dos recursos hídricos e para diminuição dos custos de geração elétrica na Amazônia Legal.

Além disso, está prevista a criação de uma golden share (uma classe especial de ações que garante ao governo poder de veto em determinadas decisões da companhia mesmo se perder o controle majoritário da companhia), a possibilidade de criação de uma nova companhia para gerir Itaipu e Angra e uma nova repartição de valores entre a União e a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético).

Segundo a companhia, a previsão é que a União arrecade 25,5 bilhões de reais com a venda da Eletrobras. Outros 25,5 bilhões de reais serão destinados para a CDE.

No total, a previsão é que a capitalização da empresa levante 61,25 bilhões, considerando ainda que há recursos que serão destinados para revitalização de bacias hidrográficas e para Amazônia Legal.

Apesar da alta, dúvidas prevalecem no mercado... 

Embora os papéis tenham reagido bem nos últimos dias, analistas do mercado se mantêm céticos sobre o futuro da companhia. A interpretação, no geral, é que a notícia traz uma sinalização positiva, mas os entraves no caminho ainda são muitos. Vale lembrar que essa é a terceira proposta a ser apresentada desde 2018 que busca capitalizar a estatal. Além do projeto de lei enviado anteriormente pelo governo atual, uma MP foi editada durante o governo Temer.

Em relatório divulgado na quarta-feira, analistas do Credit Suisse disseram que "a decisão de avançar com a privatização certamente é positiva para a companhia, mas é preciso de apoio político para que a proposta seja aprovada".

Eles comentaram também que as estimativas de preço usadas para o fluxo de caixa de novos contratos, com preço em 167 reais por megawatt entre 2030 e 2050, "parecem um pouco agressivas" e que veem incertezas para muitas variáveis.

"Lembramos aos investidores que o governo já enfrentou dificuldades com a privatização e, consequentemente, acreditamos ser importante ter uma visão mais clara da opinião do Congresso sobre a nova MP. Além disso, precisamos da indicação de um novo CEO para a empresa", ressaltaram.

O banco, que cortou na última segunda-feira a recomendação da empresa, tem classificação neutra para os papéis preferenciais (ELET6) da elétrica, com preço-alvo em 32,00 reais, o que representa um potencial de desvalorização de 7,7% frente ao patamar atual.

Na mesma linha, analistas da Guide Investimentos comentaram que "a apresentação da MP já resultou na valorização dos papéis da empresa, mas ainda nos mantemos céticos em relação à aprovação da proposta em ambas as casas do Congresso antes que a vigência da medida expire".

Por ser uma MP, o prazo máximo para ser votada pelos deputados e senadores é de 120 dias. Após esse período, a proposta perde a validade.

Analistas da Guide Investimentos destacaram que "o mercado aguarda ansiosamente a privatização da companhia", no entanto, entendem que "existem muitos outros itens em maior urgência na agenda do governo para serem aprovados, o que sugere que o processo deve demorar a ocorrer".

Ainda assim, apontaram que a publicação da MP na edição extra do Diário Oficial da União pressiona a Câmara e o Senado para discutir sobre a privatização, além do início dos estudos pelo BNDES.

Analistas da Ativa Investimentos classificaram a sinalização do interesse de retomada célere do processo como positiva, mas ressaltaram que o hiato entre a promulgação da MP e de sua concretização será longo".

A MP tem efeito imediato e possibilita que o BNDES comece a estudar e estruturar a desestatização da empresa, embora o texto estabeleça que a venda só pode ocorrer após a aprovação do Congresso.

Nesta sessão, os papéis ONs e PNs da elétrica, que chegaram a avançar mais de 3%, registravam perto das 12h51 alta de 1,78% e 1,68%, respectivamente.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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