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Mindset é chave para o sucesso, ensina técnico de Serena Williams

PUBLICADO EM: 25.11.21 | 6H30
ATUALIZAÇÃO: 25.11.21 | 17H28
Francês Patrick Mouratoglou esteve no Brasil para o evento BTG Bankers e explicou o que separa profissionais bem-sucedidos de outros que ficam pelo caminho
O francês Patrick Mouratoglou, treinador de Serena Williams, participa do evento BTG Bankers | Foto: BTG Pactual/Divulgação

O francês Patrick Mouratoglou, treinador de Serena Williams, participa do evento BTG Bankers | Foto: BTG Pactual/Divulgação

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Da Redação

Repórter da Exame



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O que o tênis e o esporte têm para ensinar para áreas como a carreira e o mercado financeiro? Muita coisa, especialmente se essas lições são dadas por um dos maiores treinadores do mundo, responsável pela volta por cima de uma das maiores tenistas de todos os tempos.

Estamos falando do francês Patrick Mouratoglou, treinador há quase uma década da americana Serena Williams, 40 anos, e, mais recentemente, de jovens talentos como o grego Stefanos Tsisipas,o búlgaro Grigor Dimitrov e a americana Coco Gauff.

Em passagem recente pelo Brasil, Mouratoglou, 51 anos, conversou com a EXAME Invest e contou do seu método de treinamento até as características que estão presentes em pessoas vitoriosas, não importa se nas quadras ou fora delas.

"O potencial de cada pessoa, e isso não vale só para o tênis, vem do mindset. Se você tem o mindset certo, isto é, se acredita em si próprio, tem autoconfiança e um grande diferencial. Quando a pessoa não acredita que pode conseguir algo, ela não se esforça para tal e fica muito limitada. A maior parte dos problemas vem disso", disse.

O francês participou do BTG Bankers, evento promovido pelo BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo que controla a EXAME) e voltado para clientes, agentes autônomos, gestores e outros profissionais do mercado.

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Na conversa, Mouratoglou contou o que o impulsionou a ser um dos maiores treinadores de tênis do mundo. Desde 2012, ele é treinador de Serena. Dos 23 torneios de Grand Slam que a jogadora venceu, ele a treinou em 10.

Ele contou ainda sobre como conseguiu reconectar Serena com ela mesmo quando iniciaram os treinos, em 2012. A americana tinha acabado de sofrer a sua mais precoce derrota em um Grand Slam, na primeira rodada de Roland Garros, e estava distante das primeiras posições do ranking. Em poucas semanas, Serena voltou a apresentar o seu melhor tênis, a ponto que foi campeã em Wimbledon e no US Open e ganhou o ouro na Olimpíada de Londres.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

A sua carreira de treinador é excepcional. Você treinou tenistas como Grigor Dimitrov, Serena Williams e Stefanos Tsisipas. Você tem agora a maior academia de tênis da Europa. Qual paixão ou desejo o impulsionou a se tornar um dos maiores treinadores do mundo?

Minha paixão pelo tênis vem desde os 4 anos. Tinha como meta de vida ser jogador profissional. Mas meus pais não deixaram, disseram que era muito arriscado. Para eles, a chance de ser bem-sucedido era baixa e me fizeram parar quando tinha entre 15 e 16 anos para focar nos estudos.

Aquilo foi um baque para mim porque era o meu sonho. Então, decidi dedicar a minha vida a ajudar jovens jogadores a alcançarem seus sonhos no tênis. Abri minha academia quando tinha 26 anos.

Você pode falar um pouco sobre como funciona o seu método de treinamento?

Acredito que ter sido bem-sucedido no que faço vem do fato de que não tenho um método. Minha filosofia como treinador é que não há um método, mas um bom jeito de treinar cada jogador e meu trabalho é encontrar essa forma. Para isso, eu observo e escuto cada um deles para entender suas necessidades.

Existe uma maneira de saber se um(a) jogador(a) tem potencial para ser grandioso(a)?

Não é uma ciência exata, mas, sim. Acredito que o potencial de cada pessoa, e isso não vale só para o tênis, vem do mindset. Se você tem o mindset certo, isto é, se acredita em si próprio, tem autoconfiança e já tem um grande diferencial.

Quando a pessoa não acredita que pode conseguir algo, ela não se esforça para tal e fica muito limitada. A maior parte dos problemas vem disso.

A criança tem as portas abertas porque não faz ideia do que pode ou não fazer. Ela não se questiona, simplesmente faz. Falam para andar, ela anda. Não se importa em fracassar.

Mas, quando a pessoa fica mais velha, ela vai fechando várias portas. Primeiro, porque alguém pode ter falado que ela não era boa em algo. Segundo, porque pode ter tido experiências ruins e a pessoa acaba fechando portas para ela mesma.

Agora, quando ela é capaz de persistir, manter as portas abertas – e ela consegue fazer isso quando tem uma autoestima elevada –, é possível ir muito além do que falam.

Há diferenças entre treinar jogadores mais jovens, como Tsitsipas, e jogadores mais experientes, como Serena?

Com certeza. Um ainda está se descobrindo, o outro tem grande experiência. Serena se conhece muito bem, sabe o que fazer em várias situações, pois estudou muitas jogadas. Para ela, a questão é mais em ajudá-la a trazer coisas novas ao jogo e também a manter seu mindset.

Para jogadores como Stefanos [23 anos] ou Coco Gauff [17 anos], que são mais novos, você, como treinador, tem que ajudá-los a se descobrirem.

A Serena tem um mindset imparável, mas nem sempre o mantém assim. Quando comecei a treiná-la, em 2012, ela não estava em um bom momento. Ela não estava com o mindset bom naquela ocasião. Então eu a ajudei a retomar aquele pensamento que ela tinha quando estava no auge e ela conseguiu ter sucesso de novo.

Como fez isso?

Fazendo com que ela voltasse a se reconectar com a mesma ambição que tinha antes. Por exemplo: começamos a treinar em 2012, depois de Roland Garros. Quando ela estava na semifinal de Wimbledon naquele ano, ela veio e me falou: ‘Aconteça o que acontecer, agora estou entre as cinco melhores do mundo. Não é incrível? O que me diz?’

Eu disse a ela: ‘E daí? Quem se importa em estar entre as cinco melhores?’

Para a Serena, estar entre as cinco melhores não é nada. Então, no fim daquele dia, ela me ligou de novo e pediu desculpas. Falou: ‘Foi ridículo. Ser top 5 é muito ruim e top 2 também, a propósito’.

Falei sobre essa situação com a Serena, mas só para mostrar que, quando há pessoa excepcional e ela está machucada por seus fracassos, ela começa a pensar de uma forma diferente. Ela começa a processar de maneira diferente, esquece de processar como uma campeã. E se ela não pensa como uma campeã, ela não terá sucesso.

No ano passado, você lançou o UTS [Ultimate Tennis Showdown], apontando para o que acreditava que poderia ser o futuro do tênis. O que mudou de lá para cá?

Acredito que a grande mudança foi provar o conceito e isso é uma grande conquista. É um novo conceito. Mostramos que o tênis pode ser completamente diferente do que se via, com um formato mais curto, mais rápido, com gamificação, possibilidade de os espectadores entrevistarem os jogadores.

Eu queria ter certeza de que o formato funcionaria, de que os jogadores gostariam, a mídia, as pessoas mais novas. Tivemos um grande sucesso. O formato é pensado para alcançar gerações mais novas. É importante termos pessoas mais jovens vendo tênis e que também possam vir a amar o esporte.

Você tem várias atividades ao longo do dia. Poderia falar um pouco sobre sua rotina? Em qual horário você acorda e vai dormir? Quais são seus hobbies?

Quando não estou de férias, acordo às 6h, mesmo se viajo ou se tenho jet lag. Acordo, ando com meus cachorros, faço exercício, cuido das crianças, levo à escola e então inicio o meu dia de trabalho.

Acredito que ter disciplina é extremamente importante. A disciplina te salva, não é sempre que você pode contar com a motivação.

Além das sessões de tênis, tenho muitos negócios, academias. Vou lançar uma plataforma de treinamento no próximo ano. Cuido dessas coisas, vejo se está tudo indo bem. Passo cerca de metade do dia no escritório. Volto para casa perto das 20h.

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