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Mistério no mercado americano atormenta investidores globais

PUBLICADO EM: 3.3.21 | 15H02
Operadores títulos afirmam há anos que existe liquidez no maior mercado de títulos do mundo, exceto quando realmente se necessita
Specialist trader Meric Greenbaum works at his post on the floor of the NYSE in New York

EUA: embora as ações estejam sujeitas a variações repentinas, tais movimentos supostamente devem ser raros em um mercado de dívida pública (REUTERS)

Foto de Karla Mamona da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Karla Mamona

Repórter da Exame



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Operadores títulos afirmam há anos que existe liquidez no maior mercado de títulos do mundo, exceto quando realmente se necessita.

As surpreendentes oscilações dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos nas últimas semanas podem oferecer um novo respaldo para esse mantra e levar a outra busca de respostas em um mercado de US$ 21 trilhões que forma o alicerce das finanças globais.

Embora as ações estejam sujeitas a variações repentinas, tais movimentos supostamente devem ser raros em um mercado de dívida pública que define a taxa de referência livre de risco para grande parte do mundo.


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No entanto, fortes oscilações ocorrem periodicamente no mercado de Treasuries e criam um certo mistério, já que não há dois eventos iguais. Alguns apontam para o aumento das regulamentações bancárias após a crise financeira de 2008.

O escrutínio sobre os déficits de liquidez aumentou em outubro de 2014, quando um crash de 12 minutos e a recuperação dos rendimentos ocorreram sem um gatilho aparente. Vendas de pânico durante o caos provocado pela pandemia há um ano, agravado quando apostas alavancadas dos fundos de hedge colapsaram, trouxe a questão à tona novamente.

E então veio a semana passada, quando a distância entre os preços de compra e venda para os títulos de 30 anos atingiu o maior nível desde a onda vendedora de março de 2020.
Os recentes movimentos “são um forte lembrete do que acontece quando a liquidez de repente desaparece no maior e mais profundo mercado de títulos”, disse Ben Emons, diretor-gerente de macroestratégia global da Medley Global Advisors.

A questão é se este amplo mercado está mais vulnerável a súbitos ataques de turbulência graças a medidas que dificultaram a manutenção de títulos do Tesouro dos EUA pelos bancos.

Alguns analistas dizem o tumulto na semana passada foi ampliado por questões sobre se o Federal Reserve estenderá a flexibilização dos requisitos de capital dos bancos, que deve expirar em 31 de março. Implementada no início da pandemia, a medida é vista como uma forma de facilitar a inclusão de Treasuries pelos bancos em seus balanços.

O episódio de 2014 desencadeou uma profunda análise da estrutura do mercado, e reguladores têm implementado algumas mudanças - como maior transparência - e cresce a especulação que mais medidas para reforçar a estrutura do mercado podem ser adotadas.

“Embora a escala e a velocidade dos fluxos associados ao choque da Covid estejam provavelmente bem longe na cauda da distribuição de probabilidade, a crise destacou vulnerabilidades no fundamentalmente importante mercado de Treasuries que justificam uma análise cuidadosa”, disse na segunda-feira a governadora do Fed, Lael Brainard, em observações preparadas para o Instituto de Banqueiros Internacionais.

Há muitos possíveis culpados para a queda do mercado de títulos na semana passada, desde a melhora nas leituras econômicas até fatores mais técnicos. A política ultrafrouxa do Fed e a perspectiva de um novo estímulo fiscal dos EUA levam investidores a apostarem em um crescimento mais rápido e na inflação.

Com base no Índice de Liquidez dos Títulos do Governo dos EUA da Bloomberg, um indicador de quão longe os rendimentos estão se desviando de um modelo de valor justo, as condições de liquidez pioraram recentemente, embora não tenha sido nada parecido com o que foi visto em março.


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