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Morre Raymundo Magliano Filho, pioneiro da popularização da Bolsa

PUBLICADO EM: 11.1.21 | 9H25
ATUALIZAÇÃO: 11.1.21 | 11H08
Magliano Filho liderou a Bovespa de 2001 a 2007, quando a Bolsa de ações se fundiu com a BM&F para formar a B3
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(SEM AGENCIA OU FONTE)

Imagem da Editoria Exame Invest
Denyse Godoy



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Morreu nesta segunda-feira (11) Raymundo Magliano Filho, o ex-presidente da Bolsa de Valores brasileira que fez da popularização do acesso ao mercado de ações uma missão de vida.

Tinha 78 anos. Asmático, estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, há 50 dias. Acabou sucumbindo à covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus.

Magliano Filho liderou a Bovespa de 2001 a 2007, quando a Bolsa de ações se fundiu com a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) para formar a B3. Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, Magliano Filho havia sucedido seu pai no comando da corretora que levava o sobrenome da família, a mais antiga da Bolsa, fundada em 1927. A Magliano Invest foi vendida à fintech Neon em julho de 2020.

A Bolsa e a praia

Raymundo Magliano, o pai, também presidiu a Bovespa na década de 1970 e já tinha a ideia de aproximar a população do investimento em ações. Mas foi durante os sete mandatos consecutivos de Magliano Filho que a Bolsa brasileira concentrou esforços para mostrar ao pequeno investidor que o mercado poderia ajudá-lo a multiplicar seu dinheiro.

O programa começou com cursos sobre o investimento em ações na Força Sindical. Depois, vieram palestras em universidades. Nessa época, surgiram e cresceram os clubes de investimento na Bolsa.

Formalizado, o projeto passou a se chamar "A Bovespa vai até você". Em janeiro de 2003, a Bolsa despachou funcionários dentro de um furgão, o Bovmóvel, para percorrer as praias de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul esclarecendo dúvidas sobre o investimento em ações. Distribuíam folhetos e sorteavam brindes.

"Diziam que eu era maluco", contou Magliano Filho a esta repórter em 2017, no seu escritório no bairro paulistano de Higienópolis. Emolduradas nas paredes, as cautelas das primeiras ações negociadas na Bolsa, para lembrar que o entrevistado fora testemunha de praticamente toda a história do mercado financeiro do país. "Mas as ações ajudaram a mudar a visão que se tinha da Bolsa como um cassino."

O presidente da Bovespa fazia questão de participar de muitas das incursões do Bovmóvel pelo litoral. Até o final da primeira década deste século, a missão chegou até o Nordeste, fazendo sorteios de brindes e cadastrando os interessados em investimentos para lhes mandar depois atualizações periódicas sobre o mercado. Até no Beach Park, o famoso parque aquático de Fortaleza, o furgão estacionou.

Quando Magliano Filho deu início à empreitada, havia cerca de 86 mil investidores pessoa física investindo na Bolsa. No momento da fusão com a BM&F, já eram 460 mil.

Mesmo após deixar o comando da Bolsa, Magliano Filho continou militando na causa. Em 2018, lançou o livro "Por uma Bolsa democrática".

Também era um grande estudioso de filosofia e ciências sociais. Fundou, em 2009 o Instituto Norberto Bobbio para difundir as ideias do intelectual italiano, notório antifascista, sobre democracia, direitos humanos e relações entre política e cultura. O centro de estudos realiza palestras e investe na publicação das obras de Bobbio no país. A partir de sua própria pesquisa, Magliano Filho escreveu "Capitalismo, catolicismo e neopentecostalismo: reflexões para o futuro do Brasil", com César Mortari Barreira, e "A força das ideias para um capitalismo sustentável".

A quem o visitava, Magliano Filho sempre entregava um exemplar de um livro de Bobbio. O meu foi "Direita e esquerda - razões e significados de uma distinção política", com a carinhosa dedicatória de um dos maiores responsáveis por ajudar o mercado financeiro brasileiro a crescer e amadurecer.

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