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No radar: Copom, 2º dia de CPI da Covid e o que mais move o mercado

PUBLICADO EM: 5.5.21 | 7H01
ATUALIZAÇÃO: 5.5.21 | 7H58
Alta da Selic para 3,5% ao ano é amplamente esperada por investidores; decisão está prevista para o fim da tarde
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Roberto Campos Neto: presidente do Banco Central (Marcos Oliveira/Agência Senado)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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As bolsas internacionais sobem na manhã desta quarta-feira, 5, se recuperando do último pregão, quando fortes vendas de ações de tecnologia derrubaram os principais índices. Nesta manhã, o mercado europeu avança mais de 1%, com ajuda de dados que voltaram a sinalizar uma sólida recuperação econômica no continente. Já no mercado americano, o índice Nasdaq, que liderou as perdas do último pregão, caindo mais de 2%, é o que sobe, com alta de 0,6%.

Mas apesar do ambiente internacional tranquilo e favorável para o mercado de ações, o dia promete ser intenso para os investidores brasileiros.

Selic em 3,5%

Prevista para o fim desta tarde, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) é o evento mais aguardado do dia. As apostas, no entanto, são praticamente unânimes em uma elevação da taxa Selic em 0,75 ponto percentual para 3,5% ao ano. Isso porque em março, o Copom havia aumentado em 0,75 p.p. e reforçado, em sua ata, que “haveria um ajuste da mesma magnitude” nesta reunião.

Apesar do aumento amplamente esperado, ainda há dúvidas se o Copom deve sinalizar um novo aumento de 0,75 p. p. em seu comunicado ou se irá manter algum mistério para a próxima reunião.

De acordo com o boletim Focus, o mercado espera que até o fim do ano, a taxa Selic chegue em 5,5%%. A elevação da taxa de juros tem como objetivo esfriar a economia para conter a alta da inflação, que já está em 6,1% no acumulado de 12 meses. 

Por outro lado, a alta de juros tende ter impactos positivos sobre a moeda brasileira, uma vez que o mercado de renda fixa fica mais atrativo para investidores estrangeiros. Já as empresas da bolsa tendem a ser prejudicadas pelo aumento de juros, principalmente as de tese de crescimento, já que o financiamento para novos projetos ficam mais caros.

De Mandetta para Teich

Pela manhã, investidores devem seguir atentos à CPI da Covid no Senado, que receberá hoje o ex-ministro da Saúde Nelson Teich. A expectativa é de que Teich fale sobre a resistência do presidente Jair Bolsonaro em apoiar medidas de isolamento e a pressão para que o remédio cloroquina fosse utilizado no tratamento contra a covid-19.

Ontem, a CPI recebeu o também ex-ministro da pasta Luiz Henrique Mandetta, que afirmou que as ações do ministério contra a pandemia não tinham o apoio do governo. Mandetta também chegou a apresentar uma carta, enviada ao presidente em março do ano passado, alertando sobre um possível colapso do sistema de saúde, caso medidas não fossem tomadas. 

O general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuelo, que deveria se apresentar hoje à CPI, alegou ter tido contato com pessoas infectadas pelo coronavírus e não irá participar desta sessão. Seu encontro com senadores foi adiado para após o período de quarentena, em 19 de maio.

Reforma tributária

Embora o relatório da reforma tributária tenha sido lido na tarde de ontem, o presidente da Câmara, Arthur Lira, decidiu extinguir a comissão que analisava o tema, retardando o andamento da pauta.

De acordo com o Estadão, a medida teria como estratégia o desejo de fatiar a reforma tributária em quatro projetos independentes. 

Balanços do dia

O dia também terá uma agenda de resultados recheada, com a divulgação dos balanços da Gerdau (GGBR3) AES (AESB3), Braskem (BRKM3), BR Properties (BRPR3), Copel (CPLE6), Engie (EGIE3), GPA (PCAR3), Quero-Quero (LJQQ3), Taesa (TAEE11), Tenda (TEND3), TIM (TIMP3) e Totvs (TOTS3). Somente o balanço da Gerdau está previsto para antes do início do pregão.

Balanço do Bradesco 

Mas, o resultado que mais deve ser debatido durante este pregão foi divulgado na noite de ontem: o do Bradesco (BBDC3/BBDC4). No primeiro trimestre, o banco teve lucro líquido recorrente de 6,5 bilhões de reais, 73,6% a mais do que o do mesmo período do ano passado, mas 4,2% abaixo do registrado no trimestre anterior. Já a receita sobre prestação de serviços também caiu 7,5% na comparação trimestral e 2,6% na anual para 8,067 bilhões de reais. Na véspera, as ações do Bradesco despencaram 3% em meio ao pessimismo provocado pelo balanço do Itaú.

Prévia do payroll

No mercado internacional, investidores aguardam o dado sobre a variação de empregos privados dos Estados Unidos medido pelo Instituto ADP, também conhecido como "prévia do payroll" - o relatório oficial sobre o mercado de trabalho americano. A expectativa é de que os números referentes a abril revele a criação de 800.000 empregos no país. Com o plano de vacinação a todo vapor, o mercado de trabalho vem se recuperando a passos largos desde dezembro, quando a segunda onda do coronavírus havia deu um novo golpe na economia americana. Em março, foram registradas pelo ADP 517.000 novas vagas.

Produção industrial

No Brasil, o IBGE divulgará nesta manhã os dados de produção industrial de março, para a qual é esperada uma alta anual de 7,6%, tendo em vista a paralisação de fábricas em março do ano passado, quando foi registrado os primeiros casos de coronavírus no país. Na comparação trimestral, a produção industrial brasileira deve cair 3,5%, segundo estimativas de economistas.


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Guilherme Guilherme

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