Exame Invest
Mercados

No radar: bolsas sobem após Fed, reação ao Copom e o que move o mercado

PUBLICADO EM: 18.3.21 | 7H12
ATUALIZAÇÃO: 18.3.21 | 7H54
Bolsas globais sobem após comunicado do Federal Reserve, mas índices dos EUA ainda refletem temor com inflação
B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

Ibovespa refletiu positivamente a decisão nos EUA e fechou em forte alta de 2,2% no último pregão, aos 116.549 pontos, próximo da máxima do dia

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

Esta reportagem faz parte da newsletter EXAME Desperta. Assine gratuitamente e receba todas as manhãs um resumo dos assuntos que serão notícia.

As bolsas internacionais sobem nesta quinta-feira, 18, repercutindo o anúncio de ontem do Federal Reserve (Fed), que manteve os juros dos Estados Unidos perto de zero e garantiu o programa de recompra de títulos pelo menos até 2023. 

O mercado asiático encerrou o dia em terreno positivo e as bolsas europeias operam majoritariamente em alta nesta manhã. Já os índices futuros americanos seguem em direção mista após os fortes ganhos de ontem, quando o Dow Jones chegou a bater um novo recorde após a decisão do Fed.

Os índices futuros Nasdaq e S&P caem, repercutindo a alta no rendimento dos títulos de 10 anos dos EUA. O rendimento dos treasuries subiu para 1,74% na manhã de quinta-feira, apesar da garantia do Fed de que a política monetária não será alterada em breve. 

Powell também reforçou que a inflação acima da meta de 2% nos EUA é temporária, mas o discurso parece não ter sido suficiente para aliviar os temores do mercado de que uma pressão inflacionária force a autoridade monetária a revisar sua política antes do prazo. 

Por aqui, o Ibovespa refletiu positivamente a decisão nos EUA e fechou em forte alta de 2,2% no último pregão, aos 116.549 pontos, próximo da máxima do dia (116.736 pontos). Hoje, as atenções dos investidores locais se voltam para a decisão de política monetária brasileira, divulgada ontem após o fechamento do mercado.

Acelere seu desenvolvimento de carreira aprendendo diretamente com os maiores executivos do Brasil

Selic em 2,75%

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, surpreendeu o mercado e subiu a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 2,75% ao ano. A alta está dentro da margem expectativa de mercado, mas o consenso entre analistas indicava uma elevação mais branda, de 0,5 ponto percentual. No comunicado, o Banco Central também prevê outro ajuste da mesma magnitude na próxima reunião, em maio.

Na visão de economistas e analistas, o BC tomou essa atitude mais "ousada" para tentar conter de forma mais rápida possíveis pressões inflacionárias no ano que vem.

Em reação à alta mais acentuada, a expectativa é de queda do dólar, enquanto, na curva de juros, o rendimento dos títulos mais curtos devem subir (por causa da postura mais agressiva da autoridade monetária em relação à inflação), enquanto os longos devem sofrer uma queda.

Para a bolsa e o Ibovespa, um aumento mais forte dos juros provocaria, em tese, uma queda em ativos mais arriscados, uma vez que esses ativos perderiam parte da atratividade frente à renda fixa. Ainda assim, há quem diga que o índice acionário pode até mostrar valorização – diante de uma postura considerada "acertada" do BC.

Fed mantém taxas

O Fed manteve as taxas de juros do país no intervalo vigente entre zero e 0,25 ponto percentual, como já era esperado pelo mercado.

Em coletiva com a imprensa, Powell garantiu que o banco central americano irá avisar o mercado com antecedência em relação à qualquer redução no programa de compras e reforçou que a política monetária deve permanecer nos moldes atuais até que seja alcançado um "progresso substancial" em direção aos objetivos de pleno emprego e estabilidade de preços.

A maior mudança no posicionamento da autoridade foi em relação às previsões para a economia. O Fed revisou para cima suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Para 2021, a estimativa passou de 4,2% para 6,5%, enquanto, para 2022, subiu de 3,2% para 3,3%.

Powell também admitiu que a inflação nos Estados Unidos deve subir acima da meta de 2% este ano, mas caracterizou o movimento como "transitório", e afirmou que a alta não será suficiente para mudar a política monetária. 

Na tarde de hoje, o presidente do Fed pode voltar a comentar as decisões da tarde de ontem. Powell fará Fed fará um breve discurso de encerramento para uma conferência do BIS, conhecido como banco central mundial,  a partir das 12h55. 

Balanços

Antes da abertura de mercado, a Gol (GOLL4) divulga seus resultados do quarto trimestre de 2020.

Após o pregão, também divulgam seus balanços as companhias: C&A (CEAB3), Cury (CURY3), Cyrela (CYRE3), Grupo Soma (SOMA3), Hapvida (HAPV3), Lavvi (LAVV3), Light (LIGT3), Melnick Even (MELK3), Plano&Plano (PLPL3), Tecnisa (TCSA3), Technos (TECN3) e Valid (VLID3).

Principais dados

Às 9h30 saem os pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos na última semana.

Por aqui, a FGV divulga hoje o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) para os últimos 10 dias. As estimativas de mercado compiladas pela Bloomberg apontam alta de 2,4% para o índice de inflação, que é usado, principalmente, para reajustes de aluguéis. 

Há dois dias, foi divulgado, também pela FGV, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), que passou a subir 2,99% em março, acima do consenso do mercado de 2,84%. 

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame