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O mar está para peixe? Por que a JBS decidiu entrar nesse mercado

PUBLICADO EM: 9.8.21 | 14H30
ATUALIZAÇÃO: 9.8.21 | 16H24
A líder mundial de carne bovina marcou sua entrada no mercado de peixes com a compra da Huon, por US$ 315 milhões
Salmão

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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A JBS (JBSS3), gigante global de carnes, anunciou na última sexta-feira, 6, que fechou um acordo para comprar a Huon Aquaculture, segunda maior produtora de salmão da Austrália. A transação, com um valor de mercado de 315 milhões de dólares (equivalentes a 1,6 bilhão de reais), marca a entrada da brasileira no setor de aquicultura.

E não apenas isso, trata-se de um movimento estratégico da empresa. "A aquicultura será uma nova plataforma de crescimento dos nossos negócios", afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, em fato relevante divulgado ao mercado na ocasião.

O negócio ainda depende da aprovação dos acionistas e das autoridades australianas, o que está previsto para ocorrer até o fim deste ano. Somando com as dívidas da empresa, a operação sairá por 403 milhões de dólares (2,1 bilhões de reais).

"A compra deve adicionar outra camada de diversificação de proteínas à JBS, com sua entrada no mercado de salmão, ao mesmo tempo que permitirá que a Huon acesse as operações bem estabelecidas da companhia na Austrália", escreveram os analistas Isabella Simonato e Guilherme Palhares, do Bank of America, em relatório.

Eles reiteraram recomendação de compra para as ações JBSS3, com preço-alvo em 50,00 reais, dando um potencial de valorização de mais de 50% frente ao patamar atual.

Essa é a segunda aquisição da JBS na Austrália este ano. Em abril, comprou a Rivalea, líder na produção de suínos. A JBS está no país desde 2007, quando adquiriu as operações da Swift.

"Embora a Huon seja um peixe pequeno quando comparado a outros players nesse mercado [de peixes], como a Mowi, SalMar ou Bakkafrost, essa pode ser uma oportunidade para a JBS começar sua atuação em um setor fragmentado", apontaram ainda os analistas do BofA.

Para eles, a aquisição da Huon é uma oportunidade para a JBS aprender sobre o negócio de salmão e identificar potenciais sinergias com sua plataforma local.

Ainda assim, a aquisição da Huon pela JBS vem em um momento em que a companhia australiana passa por um momento difícil. Em meio à queda da demanda e dos preços ocasionada pela pandemia, a empresa viu seu endividamento líquido elevar para a casa de  3,75 vezes o múltiplo dívida líquida sobre o Ebitda dos últimos 12 meses.

No entanto, Isabella e Palhares apontam que a JBS tem balanço e plataforma para manter a empresa funcionando neste período mais desafiador.

"A JBS tem um histórico positivo de fusões e aquisições, especialmente na recuperação de empresas que enfrentam desafios no indústria de proteínas, que parece ser o caso da Huon, que foi duramente atingida pela pandemia e pelo fechamento temporário do setor de food service", disse o analista Leandro Fontanesi, do Bradesco BBI.

O banco mantém recomendação outperform, equivalente a compra, para JBSS3.

No mesmo sentido, os analistas do BTG Pactual destacaram que, "ao longo dos anos, a JBS se consolidou como a líder mundial em produção de proteínas" e que sua atual plataforma de produção "altamente diversificada deve significar que a volatilidade de margens será de alguma forma atenuada".

Além disso, escreveram em relatório, "sua estrutura de capital desalavancada, em um momento em que os ciclos dos Estados Unidos estão no pico, significa que a geração de caixa deve permanecer forte no futuro próximo, tornando a incorporação dessas novas aquisições mais fácil".

Diante do atual desconto que são negociados os papéis frente aos seus pares brasileiros e globais, o BTG continua com recomendação de compra para JBS.

"Apenas esperamos que as novas ambições de crescimento – que se traduziram em 13,3bilhões de reais em aquisições desde 2019 (ou cerca de 17% do seu valor de mercado atual) – não coloquem em risco a forte estrutura de capital da companhia que foi construída ao longo dos anos", pontuaram.

Com leitura positiva, a Genial Investimentos ressaltou que "o movimento significa uma diversificação e expansão do portfólio da JBS e uma maior relevância no mercado australiano", onde vê grande potencial de crescimento". A corretora segue com compra para os papéis.

Nesta sessão, as ações da JBS subiam 1,04% por volta das 14h25, em 32,93 reais, depois de terem atingido alta de 3,40% na máxima do dia. Nos últimos dois pregões, desde o anúncio da aquisição, acumulam ganhos de 2,97%.

 

 

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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