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O que explica a alta do dólar? Estudo revela motivo além do juro baixo

PUBLICADO EM: 14.4.21 | 18H14
ATUALIZAÇÃO: 14.4.21 | 19H50
Economistas da Bloomberg fazem a decomposição de fatores que pesaram para o câmbio e apontam que a piora do sentimento sobre a economia foi o que mais contribuiu negativamente
Moeda americana está pressionada no Brasil por causa de mudanças tributárias

Estudo aponta as razões que mais pesaram para a alta do dólar em relação ao real

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Da Redação

Repórter da Exame



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O real foi a moeda de país emergente que mais perdeu valor em relação ao dólar neste ano (até o fim de março), à frente do peso argentino e da lira turca. Analistas e economistas apontam o reduzido diferencial de juros do país em relação a outras economias como um dos principais motivos, bem como a força e a retomada econômica dos Estados Unidos.

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Mas um novo estudo dos economistas Adriana Dupita, Felipe Hernandez e Ziad Daoud, da Bloomberg, aponta qual foi o fator que mais tem pesado para a desvalorização do real: a deterioração da confiança e do sentimento de investidores em relação à economia.

"Diversos fatores sustentam a deterioração no sentimento. Nós vemos isso associado em maior parte com os temores de um flerte com o populismo casado com o desconforto com a gestão da pandemia", escrevem os autores.

Segundo Dupita, Hernandez e Daoud, se esses fatores são tão relevantes como a análise sugere, a política monetária -- leia-se o aumento da taxa básica de juros, a Selic -- não será suficiente para fortalecer a moeda, como muitos analistas projetam que vai acontecer.

No estudo, eles fazem a decomposição dos fatores que ajudam a explicar a desvalorização da moeda brasileira. O crescimento da economia americana em ritmo mais acelerado teve contribuição próxima a zero para o câmbio, afirmam.

O aumento da taxa Selic pelo Banco Central em meados de março, de 2% para 2,75% ao ano, ajudaria a dar sustentação para o câmbio, mas isso não ocorreu. Pelo contrário, dias após a decisão, o dólar voltou a se apreciar no país. Isso aconteceu justamente por causa da piora do sentimento sobre a economia e o país.

A piora no sentimento ocorreu depois de episódios como a demissão do presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Roberto Castello Branco, pelo presidente Jair Bolsonaro; a decisão do STF de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e as alterações promovidas pelo Congresso para enfraquecer as medidas de equilíbrio fiscal contidas na PEC Emergencial, entre outras.

Para chegarem às conclusões e isolarem o sentimento como fator preponderante, Dupita, Hernandez e Daoud tomaram como premissa que a moeda pode se apreciar ou depreciar em razão de quatro choques:

1. Crescimento doméstico mais forte ou mais fraco;

2. Política monetária mais apertada ou mais frouxa;

3. Melhora ou deterioração do sentimento;

4. Crescimento global mais acelerado ou mais lento.

E avaliaram os efeitos ao longo do pregão dividido em intervalos de 30 minutos, sobre os mercados de câmbio, de ações e de títulos, com a premissa de que cada um dos choques vai atuar de forma isolada sobre o câmbio.

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