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O que explica a disparada da Embraer? Ação sobe 12% na semana e 64% em 40 dias

PUBLICADO EM: 12.3.21 | 17H40
ATUALIZAÇÃO: 12.3.21 | 19H14
Papéis da fabricante de aeronaves de médio porte são cotados na Bolsa no seu maior patamar em um ano, depois da forte queda com a pandemia e o fim da parceria com a Boeing
embraer; bombardier

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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As ações da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3) encerraram a semana como a segunda maior alta do Ibovespa, com ganhos de 12,3% no período. No pregão desta sexta-feira, 12, os papéis avançaram 4,8% e lideraram a ponta positiva do índice.

O bom desempenho, no entanto, não é de agora. Desde o dia 29 de janeiro (último dia útil do mês) para cá, a valorização acumulada é de 64%, contra uma queda perto de 1% do Ibovespa no mesmo intervalo. Tal performance leva os ativos, cotados atualmente em 14,40 reais, para seu maior patamar em um ano.

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Por trás dessa alta, analistas de mercado citam principalmente seis fatores:

1. Dados da carteira de pedidos (backlog) do quarto trimestre, divulgados no dia 12 de fevereiro e que foram considerados marginalmente positivos por analistas. A empresa de São José dos Campos informou a entrega de 71 jatos no período, apenas dez a menos do que no mesmo período de 2019, sem pandemia.

2. Declarações do CEO da Lufthansa, Carsten Spohr, reveladas em matéria na Bloomberg de 15 de fevereiro, sobre conversas iniciais com a Embraer para a venda de aeronaves. A informação foi confirmada posteriormente pela empresa brasileira. A matéria também revelou que a companhia aérea alemã, uma das maiores do mundo, estuda substituir aeronaves grandes por outras de tamanhos menores, como uma estratégia de se adequar às mudanças na demanda e ter uma gestão mais eficiente de frota.

3. O avanço da vacinação em países desenvolvidos e a consequente retomada da economia e do transporte aéreo, o que beneficia a Embraer porque a maior parte de seus clientes são companhias estrangeiras.


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4. A visão de que a companhia pode se beneficiar de uma nova configuração do mercado que tenha mais espaço para voos regionais e encomendas de aeronaves de médio porte, diante da forte queda na demanda por voos intercontinentais e de longa distância com a pandemia do novo coronavírus.

5. A entrega de aeronaves da nova geração E195-E2 para a holandesa KLM, no fim de fevereiro; e, mais recentemente, em notícia divulgada nesta semana, a primeira transformação pela empresa de um Legacy 450 em um jato Praetor 500.

6. Efeitos decorrentes do programa de redução de custos (administrativos, comerciais e de pesquisa) da companhia, um dos pilares da gestão do CEO, Francisco Gomes Neto, que vai completar em abril dois anos à frente da companhia.

"As ações da Embraer se beneficiam da reabertura da economia mundial, assim como o avanço da vacinação mundial. Importante ressaltar também o efeito catalisador que o provavél acordo com a Lufthansa tem para a empresa", diz Vitor de Melo, analista da EXAME Invest Pro.

"Essa notícia da conversão de um Legacy em um Praetor é positiva porque a linha Legacy já não faz mais parte do backlog da companhia, e a Praetor, que está alinhada aos novos preceitos da aviação global, sim. Com a modernização, a empresa cria uma nova avenida de crescimento que não estava na conta", diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

"Se houver mais movimentos como esse, de empresas se mexendo, evoluindo suas aeronaves executivas, a empresa pode, a partir disso, criar mais uma linha para sair da crise da pandemia", completa Arbetman.

Além disso, o analista da Ativa apontou que os dois eventos de fevereiro também podem ter contribuído para o movimento positivo dos papéis da companhia.

"Tivemos o backlog do quarto trimestre, que veio marginalmente positivo, com destaque para a área executiva e de defesa; e tivemos também a fala do CEO da Lufthansa de que estava em conversas com a Boeing e a Airbus para troca de aviões grandes para menores, que é o nicho da Embraer; e que estaria também em conversas iniciais com a Embraer", afirma Arbetman.

Os papéis da Embraer subiram 14% no primeiro pregão depois que saiu a notícia da Lufhtansa, em 17 de fevereiro.

O estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, atribuiu a alta desta sexta-feira à notícia de conversão de um Legacy 450 em um Praetor 500 para a empresa canadense AirSprint Aviation.

Em relação à valorização das últimas semanas, ele acrescenta ainda que há uma percepção de que a Embraer se beneficia do cenário de retomada de economias importantes no exterior, com outros países avançando mais rapidamente do que o Brasil em termos de vacinação.

Os investidores aguardam a divulgação do resultado do quarto trimestre da companhia, previsto para a próxima sexta-feira, dia 19 de março, antes da abertura do pregão.

Apesar da arrancada neste ano, os papéis EMBR3 ainda acumulam queda de cerca de 27% do início de 2020 para cá, como reflexo dos efeitos da pandemia sobre o transporte aéreo global e a desistência da Boeing na joint-venture prevista com a divisão de aeronaves comerciais da Embraer.


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Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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