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Future of Money

Os avanços e desafios para incluir mulheres no mercado financeiro

PUBLICADO EM: 29.3.21 | 19H42
ATUALIZAÇÃO: 29.3.21 | 20H00
Mulheres discutem o que é necessário para atrair, reter e promover mulheres em bancos, corretoras e gestoras
Vivian Lee – gestora da carteira de crédito da Ibiúna Investimentos foto: Leandro Fonseca data: 12/11/2020

Debate promovido pelo evento Future of Money reuniu quatro profissionais do setor, entre elas Vivian Lee, da Ibiúna (Leandro Fonseca)

Imagem da Editoria Exame Invest
Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com



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Sem dúvida houve avanços, mas instituições financeiras podem realizar mais iniciativas caso o objetivo seja uma maior diversificação de gênero entre os seus funcionários, incluindo mais mulheres. É o que discutiram quatro profissionais do mercado em um painel do Future of Money, evento online gratuito realizado até o dia 31 pela EXAME e que reúne especialistas para debater sobre o futuro do dinheiro.

O debate foi mediado por Carolina Cavenaghi, co-fundadora da Fin4she e incluiu Sara Delfim, economista e sócia fundadora da gestora Dahlia; Vivian Lee, gestora da área de crédito da Ibiúna, e Mari Oiticica, advogada e sócia do BTG Pactual.

Acompanhe abaixo os principais tópicos do debate:

Atração

Cavenaghi abordou um ponto chave para aumentar a diversidade de gênero no setor financeiro: despertar o interesse de mulheres pela carreira. Como pesquisas apontam que 83% dos jovens millenials são mais engajados em empresas com cultura inclusiva, é necessário haver uma postura proativa da empresa para mudar eventuais vieses, como o de que o mercado financeiro não é inclusivo quando se trata de gênero.

Para Delfim, essa situação se repete em diversos setores. Portanto, não é algo exclusivo do setor financeiro. "Então, isso precisa ser desmistificado. Dedicação, esforço e querer vencer na carreira tem um preço. E o mercado financeiro, diferente de outros segmentos, tem uma meritocracia mais relevante. Se você se revelar um talento será certamente remunerado por isso".

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Lee exemplifica a falta de interesse das mulheres pela carreira com uma situação concreta. "Na Ibiúna abrimos uma vaga de estágio. Dos 250 currículos que recebemos, apenas 20 pertencial a mulheres. Atribuo a isso muitas coisas, e uma delas é não entender o dia a dia do trabalho. Então, programas  que trazem conhecimento podem ser relevantes".

Oiticica aponta que o BTG endereçou o problema ao criar o programa Insight. O banco vai até a universidade, seleciona um grupo de mulheres e as sócias do banco se tornam mentoras das estudantes por dois meses. O programa inclui aulas sobre o mercado financeiro. "A iniciativa tem um efeito multiplicador e, com o tempo, é possível desmistificar vieses".

Retenção

Além da barreira de entrada da falta de interesse, o setor financeiro também enfrenta outro problema quando se trata da diversidade de gênero: a retenção de funcionárias. As altas cargas horárias que exigem determinados cargos podem ser um obstáculo em períodos como o dos primeiros anos da maternidade.

Para Delfim, conciliar vida pessoal e profissional é um desafio. Mas ela conta que se tornou mãe quando trabalhava no Bank of America e teve benefícios, como área de amamentação, licença maternidade e trabalho remoto esporádico. "A pandemia deixou claro que a mulher sabe fazer 300 coisas ao mesmo tempo, e que home office é eficiente. Então, as empresas precisam entender que trabalhar um ou dois dias em casa é saudável".

Além disso, aponta, é preciso haver transparência por parte do empregador. "A empresa precisa dizer claramente o que espera da funcionária caso ela deseje ser mãe. E a mulher tem de usar o viés de que produz menos nesse período a seu favor. Recomendo a criação de um dossiê com todos os resultados que obteve e o que produziu no período em que se tornou mãe. É o melhor argumento para o gestor repensar essa ideia".

Ascensão

Oiticica, do BTG, aponta como um fator crucial para a ascensão das mulheres na empresa a representatividade em cargos mais altos. "Tive a sorte de ter uma mentora com a qual me identificava. Ela era doce mas ao mesmo tempo firme, e me ajudou muito. Ela me ensinou a ver de que era, sim, possível crescer".

Na visão da profissional, uma liderança mais diversa prepara melhor a empresa para rupturas e novos movimentos. "A diversidade não é apenas uma questão de ideologia e politica, mas de sobrevivência da empresa. Há pesquisas que apontam que quanto maior a nota socioambiental de uma empresa, menos volátil ou mais rentável ela é".

 

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Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com


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