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Painel da Opep+ corta estimativa para demanda por petróleo

PUBLICADO EM: 31.3.21 | 11H03
Decisão sinaliza uma visão mais negativa do mercado um dia antes da reunião do grupo sobre a política de produção
Furacão gera maior interrupção em 15 anos na produção de petróleo dos EUA

A demanda por combustíveis nos Estados Unidos tem mostrado fortes sinais de recuperação, mas o avanço do coronavírus prejudica a recuperação em outros mercados

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.



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(Bloomberg) Um painel de especialistas técnicos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) concordou em revisar para baixo as estimativas da demanda por petróleo para 2021, o que sinaliza uma visão mais negativa do mercado um dia antes da reunião do grupo sobre a política de produção.

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O Comitê Técnico Conjunto da Opep+ agora estima que a demanda global por petróleo aumentará em 5,6 milhões de barris por dia neste ano, abaixo dos 5,9 milhões da previsão anterior, de acordo com delegados e documentos vistos pela Bloomberg.

A revisão, que afeta principalmente os próximos meses, segue uma recomendação na terça-feira do secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo, de que a coalizão deve permanecer muito cautelosa.

Na reunião anterior, essa cautela levou o grupo a tomar a surpreendente decisão de manter quase todos os limites de produção do cartel, em vez de aumentar a oferta em antecipação à recuperação econômica da pandemia de coronavírus. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados acreditam que a decisão se justificava, e o grupo deve adotar posição semelhante esta semana.

O painel “observou com preocupação que, apesar da taxa acelerada de vacinação no mundo todo, há um número crescente de infecções confirmadas por Covid-19 globalmente, com medidas de lockdown e restrições de viagens sendo reimpostas em muitas regiões”, de acordo com os documentos.


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A redução é mais pronunciada de abril a junho, quando o consumo médio passa a ser 1 milhão de barris por dia mais baixo do que as projeções anteriores.

Isso implica que a principal meta do cartel para os próximos meses - reduzir os estoques de combustíveis acumulados durante a pandemia - só aconteceria lentamente, a menos que os cortes de produção fossem mantidos próximos aos níveis atuais.

A demanda por combustíveis nos Estados Unidos tem mostrado fortes sinais de recuperação, mas o avanço do coronavírus prejudica a recuperação em outros mercados. Isso convenceu o cartel de que tomou a decisão certa na última reunião.

“Devido à evolução do coronavírus, particularmente na Europa, a retomada do crescimento da demanda tem sido muito mais lenta”, disse Torbjorn Tornqvist, CEO e presidente do conselho da trading de petróleo Gunvor Group. “Os EUA, na verdade, parecem muito bem, mas os estoques não estão caindo tão rápido quanto pensávamos”, disse em entrevista.

Nos dias seguintes à reunião de 4 de março, quando a Opep+ chocou o mercado ao manter a maior parte dos cortes de produção, a cotação do petróleo tipo Brent disparou para US$ 70 o barril.

No entanto, o rali logo perdeu força quando partes da Europa voltaram a decretar lockdowns para controlar uma cepa mais contagiosa do coronavírus, enquanto na Índia e no Brasil a pandemia se agravou. As compras de petróleo na Ásia desaceleraram, já que a temporada turística sem brilho não conseguiu estimular a demanda por combustíveis. Além disso, os suprimentos de petróleo aumentaram com as maiores exportações do Irã para a China, desafiando as sanções dos EUA.

“Os preços do petróleo vão ficar onde estão, em US$ 65 mais ou menos”, disse Tornqvist, acrescentando que a Opep+ defenderá esse nível de preços.

*Com a colaboração de Andy Hoffman


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