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Para Setubal, ação da Itaúsa está barata na Bolsa

PUBLICADO EM: 23.2.21 | 15H59
ATUALIZAÇÃO: 23.2.21 | 17H10
Segundo o executivo, que participou nesta tarde de uma teleconferência com a imprensa, o desconto justo dos papéis da holding em relação aos seus investimentos seria em torno de 5% a 10%, mas hoje é de 22,7%
Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa, holding de investimentos do Itaú Unibanco, em abril de 2018

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Para Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa (ITSA4), holding que controla o Itaú Unibanco e as empresas Alpargatas e Duratex, as ações da companhia estão baratas na Bolsa, com um desconto injustificável frente aos seus investimentos. 

No fim de 2020, a soma do valor de mercado das participações das empresas investidas pela Itaúsa era de 127,6 bilhões de reais, frente ao valor de mercado da holding de 98,7 bilhões de reais, o que equivale a um desconto de 22,7%.

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"Consideramos esse desconto muito alto. Entendemos que o mais correto (tendo em vista os próprios custos de manutenção da holding e despesas com impostos) seria algo entre 5% e 10%. Por isso, acreditamos que essa é uma boa oportunidade para o acionista aumentar exposição na empresa", disse Setubal em teleconferência com a imprensa realizada na tarde desta terça-feira. 

Segundo ele, nos últimos meses de 2019, esse desconto chegou a ser de cerca de 18% em meio às perspectivas de aprovação da reforma tributária, que seria favorável à companhia, uma vez que reduziria as despesas tributárias da holding. No entanto, com a baixa visibilidade de aprovação da reforma, esse desconto voltou para a casa dos 22%. "Mas achamos o desconto elevado", comentou.

Tanto é que a companhia anunciou, juntamente com o resultado do quarto trimestre, reportado na noite de ontem, um programa de recompra de até 250 milhões de ações, correspondentes a pouco menos de 10% dos papéis em circulação no mercado da empresa. "Queremos comprar as ações de forma a beneficiar todos os acionistas e mostrar a confiança que a própria companhia possui nos resultados futuros das empresas que temos participações".

De olho em oportunidades no setor de saneamento 

Segundo o executivo, a companhia está de olho em novas oportunidades de investimentos para seu portfólio, com foco na área de infraestrutura, mais especificamente no setor de saneamento.

"Estamos de olho em setores com marco regulatório mais bem definido, como saneamento. Acreditamos que terão várias concessões sendo vendidas ao longo dos próximos anos, até mesmo pela incapacidade do governo em fazer frente à necessidade de investimentos". Pelo novo marco legal do saneamento básico, até 2030, 90% da população têm que ter acesso à água potável e a esgoto tratado.

"São investimentos de dezenas de bilhões de reais. Haverá muitas oportunidades de compra de ativos na área de saneamento. Evidentemente que o investimento necessário dessas empresas ao longo dos próximos anos será muito grande, mas mesmo assim entendemos que é um setor que vale a pena ser avaliado".

Setubal comentou que a companhia busca por investimentos com um ticket médio em torno de 1,5 bilhão de reais. "Queremos ter participação relevante nas empresas que participamos e, mais do que isso, queremos ter participação ativa nos conselhos, nos negócios. Não queremos ser um investidor passivo", comentou.

Em relação às oscilações recentes do mercado, o executivo disse que elas não tiram o apetite da empresa para investimentos. "Volatilidade faz parte do jogo. Continuaremos atentos às oportunidades, como um grupo brasileiro que investe no Brasil".

Sem pressa para vender fatia na XP

Sobre a reorganização societária envolvendo a participação do Itaú na XP, Setubal comentou que espera pela conclusão da transação -- com a aprovação das autoridades e assembleias de acionistas -- até o fim de abril/começo de maio. Com a operação, a Itaúsa passará a deter 15% do capital social da XP, tornando esse o segundo maior investimento do portfólio da holding em valor de mercado.

Ele afirmou que vê a XP como um bom investimento e não tem pressa em se desfazer da posição.

"Vamos continuar como acionistas. Mas a XP não é um investimento estratégico para Itaúsa, temos uma política de alocação fora da área de serviços financeiros. Com isso, ao longo dos próximos anos, à medida que esse investimento na XP for ficando mais maduro em termos de crescimento, vamos começar a nos desfazer aos poucos dele e usar esses recursos para amortização de dívidas, recompra de ações, eventualmente pagar dividendos, além dos nossos investimentos. Vamos avaliar isso ao longo dos próximos anos".

Balanço do trimestre e ano

Setubal comentou que, apesar das dificuldades enfrentadas em 2020 por conta da pandemia, a empresa teve um bom ano, com os resultados operacionais das companhias investidas mostrando significativa melhor a partir da segunda metade do ano, e que vê um cenário favorável para a economia em 2021. Ele espera que a inflação siga controlada, em torno de 3% e 4%, enquanto a Selic deve avançar até o fim do ano dos atuais 2% ao ano para a faixa de 3% a 4%, apontou.

No quarto trimestre, a Itaúsa registrou um lucro líquido atribuível aos acionistas de 3,66 bilhões de reais, avanço de 6,14% frente ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e dezembro, o lucro caiu 31,6%, para 7,1 bilhões de reais.

O resultado recorrente das empresas investidas pela Itaúsa foi de 2,91 bilhões de reais no trimestre, crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2019. No acumulado de 2020, o montante foi de 7,7 bilhões de reais, 25% menor do que o registrado em 2019.

As ações da Itaúsa (ITSA4) registravam alta de 7,06%, em 10,47 reais, nesta terça-feira, segundo cotação das 15h56, enquanto o Ibovespa avançava 1,90%. No ano, os papéis acumulam queda de 10,6%.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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