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'Pix messenger' e WhatsApp Pay são demanda da sociedade, diz Campos Neto

PUBLICADO EM: 31.3.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 30.3.21 | 21H31
Presidente do Banco Central afirma que sociedade quer plataformas que possam integrar mídia social com pagamentos e serviços financeiros
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central: futuro do setor financeiro passa pela união de 3 vertentes: conteúdo, mensageria e pagamentos

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e experiência em Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



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O caso viralizou nas redes sociais e no noticiário na virada do ano: uma mulher usou o campo de mensagem do Pix para tentar reatar com o ex-namorado. A iniciativa foi tratada em tom de brincadeira pelas pessoas na época, mas, para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é um "exemplo claro" de que a sociedade demanda a união de redes sociais com meios de pagamento e serviços financeiros.

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"A sociedade usou um sistema de pagamentos como mensageria. Isso mostra que a sociedade tem essa demanda intrínseca de misturar mídia social com pagamentos e com finanças", disse Campos Neto nesta terça, 30, em live promovida pelo banco Daycoval.

"É um casamento mais importante que eu vejo e ao qual eu acho que parte das pessoas não está prestando atenção", afirmou.

No mesmo painel, o presidente do Banco Central antecipou que o uso do WhatsApp para realizar pagamentos,  seria aprovado em breve pela autoridade regulatória, o que aconteceu no fim da tarde. E explicou a visão que tem para os meios de pagamento do futuro (ou do presente), como uma união de finalidades para os usuários.

"Eu chamo de corrida do ouro. É basicamente juntar três grandes vertentes: a vertente de conteúdo, a vertente de mensageria e a vertente de pagamentos", disse Campos Neto.

"É possível ter conteúdo, mensageria e pagamentos, e teremos o WhatsApp, que será aprovado em breve no Brasil para fazer pagamentos; na Índia, a Google fazendo a mesma coisa, e há vários outros sistemas tentando fazer a mesma coisa."

"Por que isso é importante? Porque em um mundo de produzir dados, guardar dados e analisar dados, o que o casamento de finanças com mídia social faz é -- pensando em um processo vertical -- permitir que você anuncie um produto, venda o produto, faça o pagamento do produto e, através dos algoritmos e da inteligência artificial, saiba o que o cliente achou do seu produto."

Mais dados que qualquer banco hoje

"Essa quantidade de dados que pode ser produzida nesse processo é inigualável a qualquer coisa que qualquer banco tenha hoje", comparou o presidente do BC, que disse ser um estudioso do assunto há alguns anos.

"É o casamento que eu vejo acontecer, de finanças com mídias sociais. E os reguladores precisam entender como enfrentar e como regular e o que isso significa para a sociedade em termos de precificação e competição."

Campos Neto disse que esse processo já estava em curso e foi intensificado pela pandemia. "Nós percebemos que a travessia da pandemia envolvia a intensificação do uso da tecnologia, porque o distanciamento social leva as pessoas a fazerem um uso maior de tecnologia, no comércio e na comunicação, por exemplo", afirmou.

"Entendemos que não só não podíamos atrasar a nossa agenda como tínhamos que antecipá-la, como fizemos. O projeto Pix começou três meses mais cedo exatamente porque entendíamos que havia essa demanda da sociedade."

Segundo ele, essa demanda envolve duas características: que seja inclusiva e sustentável. "E a tecnologia é um grande ator nessas duas dimensões", afirmou. O Banco Central, portanto, buscou acelerar a parte da regulamentação, sem, entanto, descuidar da proteção de dados.

Ele comentou ainda sobre a questão da interconexão de bancos e fintechs. "Nesse movimento de Pix e open banking, vamos ter uma grande segmentação", afirmou, desenvolvendo a seguir esse raciocínio.

Ele afirmou que houve três grandes ondas no mundo recentemente: (1) tornou-se muito mais fácil produzir dados, com a computação avançando na relação custo-benefício; (2) ficou muito mais fácil guardar dados, com a capacidade de guardar na nuvem a custos muito mais baixos do que no passado; e (3), mais recentemente, ficou muito mais barato analisar dados.

"Se é mais barato produzir, se é mais barato guardar e se é mais barato analisar, todo o negócio de precificação passa a ficar baseado na capacidade das empresas de usar esses dados em benefício do cliente e para extração de maior margem", afirma Campos Neto.

Inflação merece atenção especial

O presidente do Banco Central ainda comentou sobre o tema predominante no debate da macroeconomia global, incluindo o Brasil. "Nós nunca vimos tanto estímulo, tão coordenado e de forma tão rápida como temos hoje", afirmou.

"No Brasil também, quando a inflação estava rodando muito baixa, a gente importou o conceito de que a inflação estava morta", disse Campos Neto em referência à avaliação de alguns gestores e economistas.

"Há a tentação de sempre fazer mais localmente, de fazer a economia pegar e ajudar os mais carentes [por meio do aumento de gastos], mas tem que existir a percepção de que esse custo fiscal está nos diferenciando de uma forma que, através da curva de expectativas, tem contribuído para esse movimento inflacionário", disse Campos Neto.

"No caso do Brasil, deveríamos ter um cuidado especial dada a nossa memória inflacionária mais recente e o fato de que esse é o imposto mais perverso que existe. O Banco Central vai ficar muito atento à inflação", completou.

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e experiência em Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


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