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Por que Frederico Trajano investiu em um site de notícias políticas

PUBLICADO EM: 19.4.21 | 17H52
ATUALIZAÇÃO: 19.4.21 | 22H25
CEO do Magazine Luiza e empresário se torna sócio do portal Poder360 com 25% do capital, repetindo investimentos de bilionários como Jeff Bezos e Marc Benioff nos EUA

Resumo do investidor

1. Frederico Trajano adquiriu 25% do portal de conteúdo político Poder360, por valor não revelado 2. O interesse de grandes empresários por negócios de mídia é um fenômeno de alcance global 3. Uma das razões é fortalecer a democracia e o jornalismo independente em tempos de notícias falsas

Frederico Trajano

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza e agora sócio com 25% do capital do jornal digital Poder360

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Da Redação

Repórter da Exame



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A revelação de que um dos maiores executivos do país, Frederico Trajano, decidiu investir em um portal de notícias e informações da política, o Poder360, vem ao encontro de movimentos semelhantes nos últimos anos.

O CEO do Magazine Luiza (MGLU3) adquiriu o equivalente a 25% do capital do site fundado em 2000 pelo experiente jornalista Fernando Rodrigues. Os valores do investimento, que se deu na pessoa física do empresário, não foram revelados.

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Fred Trajano é filho de Luiza Helena Trajano, atual presidente do conselho de administração do Magazine Luiza. Ambos são apontados como responsáveis por transformar a empresa que nasceu no interior paulista em uma gigante do varejo nacional, com forte presença no e-commerce.

O empresário se pronunciou por meio de uma notícia no próprio Poder360: “Acredito no jornalismo profissional como um dos pilares da democracia e do aperfeiçoamento das instituições e tenho total afinidade com os princípios editoriais do veículo: isenção, apartidarismo, independência, qualidade e credibilidade das informações publicadas e foco no interesse público”, diz.

“Quero contribuir para que a empresa se fortaleça continuamente, respeitando seus valores, e para que ela possa tirar o maior proveito possível das oportunidades que a tecnologia oferece.”

A entrada do empresário acontece justamente em um momento em que a proliferação de notícias falsas (as fake news) ganha força e aderência até de fontes oficiais no Brasil.

O interesse e a visão de Frederico Trajano sobre a relevância estratégica da produção de conteúdo têm sido demonstrada de maneira inequívoca pelo Magazine Luiza nos últimos anos e meses.


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A companhia anunciou uma série de aquisições de canais de conteúdo voltados para públicos específicos, como parte da estratégia de consolidar uma plataforma de produtos e serviços que estimulem a recorrência dos seus usuários. Neste caso do Poder360, no entanto, vale ressaltar, a decisão partiu do empresário, sem relação com a companhia.

A informação do investimento foi publicada nesta tarde de segunda-feira, 19, por sites que imediatamente fizeram a remissão do negócio ao fato de que Luiza Helena é apontada como uma possível candidata nas eleições presidenciais de 2022, algo que ela tem negado de maneira recorrente.

"Nunca me passou pela cabeça ter um cargo político e não estou recebendo ninguém que me procura", disse a empresária ao podcast ESG de A a Z, produzido pela EXAME

Luiza Helena tem se destacado nos últimos meses como uma liderança da sociedade civil que busca organizar e acelerar as campanhas de vacinação contra a Covid-19. O Brasil é o segundo país com mais mortes no mundo e responde atualmente por 1 em cada 4 novas vítimas fatais em todo o planeta.

Em defesa da democracia

A ligação entre grandes empresários e empresas de mídia, no entanto, não é exatamente algo novo na esfera de negócios, no Brasil e no exterior.

Um dos movimentos mais notórios é o do bilionário fundador da Amazon, Jeff Bezos. Em 2013, ele pagou 250 milhões de dólares para adquirir da família Graham um dos mais relevantes e tradicionais jornais dos Estados Unidos, o The Washington Post.

Em entrevistas posteriores ao negócio, Bezos apontou as razões que o levaram a fazer o investimento na pessoa física em um negócio que muitos julgavam -- e ainda julgam -- fadado ao declínio financeiro: a importância de um jornal como o Post para a democracia e a avaliação de que havia como reverter a queda com um novo modelo de negócios.

O investimento de Bezos pode ter inspirado outros grandes empresários. O fundador da Salesforce, Marc Benioff, adquiriu junto com sua mulher, Lynne Benioff, a prestigiosa e tradicional revista Time por 190 milhões de dólares em 2018. A publicação pertencia à época à Meredith Group.

Mais tarde, Marc Benioff explicou que fez o negócio com base na visão de que a Time poderia cumprir com sua missão de levar informações verdadeiras e confiáveis para os leitores se não tiver as amarras das dificuldades financeiras.

No Brasil, o Poder360 é um dos sites de política com maior relevância e audiência. Além do jornal digital, conta com o Drive, uma newsletter que conta bastidores de Brasília, e o PoderData, a divisão de pesquisas de opinião, além de outras unidades de negócio.

Para Fernando Rodrigues, que continua como sócio majoritário do Poder360 ao lado da também jornalista Mariângela Gallucci, com uma fatia combinada de 75% do capital, a entrada de Frederico Trajano na empresa vai reforçar a estratégia digital. Ele destacou que uma cláusula do contrato assegura a independência editorial do portal.

"Ele trará sua experiência como empreendedor respeitado e bem-sucedido, com destaque para a área digital. Hoje, veículos de comunicação jornalística precisam ser também empresas de tecnologia. Só assim conseguem melhorar a experiência do leitor em qualquer plataforma", afirmou ao próprio Poder360.

No Brasil, o empresário Rubens Menin, sócio controlador da incorporadora MRV (MRVE3) e do Banco Inter (BIDI11), liderou o investimento estimado em 100 milhões de dólares para lançar a CNN Brasil. Há um mês, o empresário adquiriu a fatia minoritária do então sócio, Douglas Tavolaro, para ficar com 100% do capital da emissora de TV no país.

Em raras entrevistas, como ao site Brazil Journal em 2019, Menin disse que decidiu investir na CNN Brasil por entender que uma "boa imprensa" trazia retorno para a sociedade, aliada à gestão profissional do negócio.

Outro exemplo de empresário envolvido com a produção de conteúdo jornalístico é o documentarista João Moreira Salles, um dos herdeiros de uma das famílias acionistas do Itaú Unibanco (ITUB4), o maior banco do país. Em 2006, ele lançou a revista piauí, conhecida pelas grandes reportagens e hoje uma plataforma que abrange outros canais, como podcast e rádio.


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