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Por que o GPA dispara 14% e Assaí afunda após comprar as lojas do Extra?

PUBLICADO EM: 15.10.21 | 15H36
ATUALIZAÇÃO: 15.10.21 | 16H54
Enquanto o mercado questiona sobre o momento da operação e o valor a ser desembolsado, o Assaí argumenta que foi o jeito viável e mais rápido para voltar a brigar pela liderança do setor de atacarejo, após a compra do BIG pelo Carrefour
Assaí

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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As ações do Pão de Açúcar (PCAR3) e Assaí (ASAI3) vivem em dois opostos da Bolsa nesta sexta-feira, 15. Enquanto a primeira dispara 14% e lidera os ganhos do Ibovespa, a segunda cai mais de 3%, entre os piores movimentos do índice. Na mínima do dia, ASAI3 chegou a afundar 7%. Já PCAR3, no melhor momento, saltou 20%.

O movimento ocorre na esteira do anúncio de compra pelo Assaí de 71 lojas do hipermercado Extra, do Grupo Pão de Açúcar, numa transação estimada em 5,2 bilhões de reais.

No caso do GPA, a euforia tem razões claras: a entrada de caixa relevante para a empresa, além de permitir ao grupo focar em negócios mais rentáveis.

Com a operação, o GPA vai descontinuar a bandeira de hipermercados, cujo modelo vinha passando por grandes desafios há tempos, em meio à alta da inflação, que faz com que a população busque preços mais baixos, e expansão do atacarejo.

No total, o Extra possuía 103 pontos no país. Os 28 restantes que não foram adquiridos pelo Assaí serão transformados em supermercados Pão de Açúcar e Mercado Extra; outros quatro, devem ser vendidas no mercado.

Por que Assaí cai?

Já do lado do Assaí, a percepção é outra: embora analistas apontem que as justificativas da empresa para comprar as lojas pareçam sólidas, uma vez que estão localizadas em grandes cidades (das 71, 63 estão em capitais ou em regiões metropolitanas do Brasil), o valor da operação e o momento em que foi realizada levantam dúvidas. E, na incerteza, o mercado penaliza os papéis.

Segundo analistas do Bradesco BBI, os pontos adquiridos estão localizados em cidades grandes, onde a demanda é alta, mas a transação causa espanto, pois parece "quase boa demais para ser verdade".

Considerando os investimentos para conversão das lojas de hipermercado para o formato atacarejo, a equipe de análise do Itaú BBA calcula que o Assaí está pagando praticamente 100 milhões por loja. "O maior valor que já vimos".

Com a compra, o banco cortou a recomendação dos papéis ASAI3 para "market perform", equivalente a neutro. "Revisamos até que mercado digira a transação e que fiquemos mais confortáveis com a lógica e as condições do negócio", comentou. O preço-alvo foi mantido em 20,00 reais, o que implica ainda em um potencial de alta de 10% em relação ao fechamento de ontem.

O que diz o Assaí?

Em coletiva com a imprensa nesta tarde, o presidente do Assaí, Belmiro Gomes, disse que a reação do mercado vem em meio às dúvidas sobre os motivos para a transação ter ocorrido agora (lembrando que, em setembro do ano passado, o Assaí anunciou cisão do GPA e, em março, ASAI3 estreou na Bolsa) e por envolver partes relacionadas.

O Assaí pertence ao grupo de atacarejo francês Casino, que também é controlador do GPA.

O executivo explica, no entanto, que, embora houvesse interesse anterior para esse movimento, a aquisição não podia ser realizada, pois era necessário a autorização dos locatários para a conversão das lojas, já que envolve mudanças estruturais, o que não existia.

"Por mais que tivéssemos tentado esse movimento antes da cisão, não houve espaço para isso. Mas, obviamente, o mercado primeiro vai duvidar se isso não poderia ter sido planejado antes, mas não tinha como".

Além disso, ele apontou como outro motivador para o anúncio a compra do BIG, ex-Walmart Brasil, pelo Atacadão, do Carrefour, em março. "Até essa aquisição, tínhamos um outro direcionamento, mas, a partir do momento em que ele pega esses pontos, o cenário muda. Eles projetam um faturamento de 100 bilhões de reais [em 2024]. Poderíamos ter um isolamento no atacarejo", explicou.

Ele disse que, depois disso, começaram a olhar para outros pontos que os pudessem colocar de volta na disputa pela liderança, que, atualmente, é ocupada pelo Atacadão.

"A avaliação que fizemos é que esse era o único jeito. Um, por não ter sobreposições de lojas e, outro, pela celeridade na transação. Por ser do mesmo controlador, a aquisição não passa pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)", apontou Gomes.

Expectativas

O executivo estima que o Assaí deve repetir o sucesso de outras conversões de lojas com esses pontos adquiridos. "Devemos triplicar as vendas, como já fizemos no passado. Em média, temos conseguido triplicar a venda das lojas convertidas". Como as lojas estão em regiões mais centrais e adensadas, ele acredita que a companhia conseguirá também alcançar margens melhores.

Na leitura dele, as vendas do Assaí podem chegar a 100 bilhões de reais em 2024, após a incorporação das unidades do Extra.

Se a projeção se concretizar, o faturamento da companhia vai equivaler às vendas do Carrefour, que estima alcançar esse mesmo patamar em igual intervalo.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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