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Por que o Itaú despencou 4% se o resultado superou as expectativas?

PUBLICADO EM: 4.5.21 | 16H29
ATUALIZAÇÃO: 5.5.21 | 5H40
Para analistas, lucro recorrente do primeiro trimestre foi menor do que o apresentado em balanço
Itaú

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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As ações do Itaú (ITUB4) fecharam em queda de 4,05% nesta terça-feira, 4, em resposta ao resultado do primeiro trimestre, divulgado na última noite. O banco registrou lucro líquido de 6,4 bilhões, superando em 64% o registrado no mesmo período do ano passado e em 11% o consenso de mercado. Mas o balanço recebeu críticas sobre o que foi classificado como “recorrente”.

“A margem financeira com cliente caiu [5,12%] no ano contra ano. Então, a operação de crédito teve uma rentabilidade pior. O que impulsionou a receita foi tesouraria, não foi uma parte considerada como recorrente, que é a operação de crédito”, diz Bruno Lima, analista-chefe de renda variável da EXAME Invest Pro. “O resultado tem uma manchete muito bonita, mas é preciso ver toda a história.”

No período, a margem financeira com o mercado atingiu 2,461 bilhões de reais, ficando 224% acima do registrado no primeiro trimestre de 2020 e 1,1 bilhão a mais do que o do trimestre anterior.  O montante também representou 38% de todo o valor previsto no guidance para 2021.

Para analistas do Credit Suisse, a margem com o mercado deve cair para 1,3 bilhão de reais por trimestre. “Embora seja improvável que a margem com o mercado no trimestre seja sustentada nos níveis atuais, isso nos leva a acreditar que a margem com a orientação do mercado foi conservadora”, afirmam em relatório. 

Outro ponto criticado foi a receita com prestação de serviços, que se manteve praticamente estável em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2020, 9,6 bilhões de reais 

“Em relação ao desafio dos bancos, que é gerar receita no ambiente mais competitivo, o resultado do Itaú foi pior que do Santander”, diz Lima.

Na última semana, o elogiado balanço do Santander gerou forte expectativa sobre o resultado de seus concorrentes, resultando em uma grande busca por ações do setor. No entanto, quem comprou os papéis na esperança de novas altas já começa a se desfazer.

“Os números [do Itaú] vieram bons, mas em grande parte não são recorrentes. Quem comprou [ações dos bancos] nesses últimos dias está saindo, o que causa uma pressão na venda”, comenta Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos. 

Em meio à onda de pessimismo, investidores também desmontaram posições em ações de outros bancos. O Bradesco (BBDC3/BBDC4), que irá divulgar seu resultado nesta noite, caiu 3%. Já Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3), recuaram 2,72%  e 1,28%, respectivamente.


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