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Poupança: brasileiros trocam investimento tradicional pela bolsa, aponta B3

PUBLICADO EM: 8.1.21 | 18H42
Levantamento da B3 mostrou que a maioria dos entrevistados começou a investir após assistir vídeos no Youtube ou em outras redes sociais

Investimentos: maioria dos entrevistados na pesquisa da B3 começaram a investir após assistir vídeos no Youtube ou em outras redes sociais

Juliano Passaro

Repórter da Exame



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O brasileiro tem mudado seu pensamento em relação às finanças nos últimos anos. De maio de 2019 a novembro de 2020, o número de investidores na bolsa de valores saiu de 1 milhão para quase 3,2 milhões. Os dados foram divulgados em pesquisa recente da B3, que mostrou que muitas pessoas têm percebido que o mundo dos investimentos não é só para quem tem muito dinheiro. A poupança, antes vista por muitos como única alternativa para investimentos, é hoje utilizada por essas pessoas como reserva de emergência e não mais como única alternativa de investimento.

A B3 mapeou alguns fatores que influenciaram na decisão das pessoas de deixar a poupança e partirem para outros tipos de investimentos. Entre os motivos citados estão:

  • "Não é só sobre taxa de juros. É sobre aprender e ter autonomia."
  • "Não existem atalhos para investir."
  • "O sobe e desce não assusta."

Cerca de 950 pessoas, das 1300 entrevistadas na pesquisa, começaram a investir após assistir vídeos no Youtube ou em outras redes sociais. A influência de amigos também contou muito, com 31% das pessoas respondendo que deram início aos investimentos após o contato com amigos que já investiam em produtos da bolsa de valores.


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Segundo a especialista em fundos da EXAME Research, Juliana Machado, o desenvolvimento do mercado financeiro com as entradas recentes de novas gestoras, novos produtos e plataformas digitais, aliados ao juros baixos (queda da taxa Selic), foram responsáveis por essa mudança no comportamento de parte dos brasileiros, que começaram a buscar alternativas de investimentos ao invés de apenas guardar o dinheiro na poupança.

Sobre a motivação desse movimento em direção à bolsa ter sido provocada pela sugestão de influenciadores digitais do mercado financeiro, Machado afirmou que não há como dizer se o movimento é momentâneo ou não, porém, diz que tudo isso tem sido bastante positivo para o mercado. "É difícil identificar o quanto algo é momentâneo ou não, mas acredito que os influenciadores digitais continuarão crescendo. Essa democratização dos meios de transmissão do conhecimento, de termos hoje mais meios para levar informações para as pessoas veio pra ficar. E acredito que isso é positivo para o mercado, porque quanto mais pessoas falam sobre um assunto, mais interesse e mais pessoas entram para a bolsa de valores e, assim, podem obter melhores rendimentos", afirmou a especialista em fundos.

De acordo com Machado, esse movimento faz parte da democratização do mundo dos investimentos, que tem deixado de ser algo exclusivo dos indivíduos com alto poder aquisitivo para ser algo ao alcance de todos. Do total de entrevistados na pesquisa, 43% dos que migraram para a B3 tinham seu dinheiro antes alocado na poupança.

Outro fator importante que demonstra uma possível mudança no perfil do investidor é que 46% dos investidores passou a ter posição em mais de um produto de renda variável logo após sua chegada à B3. Em 2016, por exemplo, 78% das pessoas físicas possuíam apenas ações. Vale destacar que entre as 1300 pessoas entrevistadas pela B3 na pesquisa, 38% ainda possuem parte do patrimônio na poupança.

Sobe e desce das ações não assusta novos investidores

Segundo informações da B3, os novos investidores já estão mais maduros no que diz respeito ao movimento de montanha russa que, às vezes, acontece no mercado financeiro. Seria normal pensar que, por falta de experiência com a renda variável, o investidor novato resgataria todo seu dinheiro em caso de queda da bolsa; e ainda há um percentual de pessoas que faz isso, que se assusta facilmente com o sobe e desce do mercado. Entretanto, esta última pesquisa mostrou que essa não é a primeira razão que levaria os novos investidores a retirar o valor investido da B3. A principal causa possível para a saída dos investidores da bolsa seria a necessidade de liquidez, ou seja, de precisar do dinheiro por algum motivo. Esta informação ainda demonstra um grau de desconhecimento em relação à composição e a alocação da reserva de emergência, mas, em comparação às pesquisas anteriores, pode-se dizer que o nível de maturidade dos novos CPFs na bolsa de valores aumentou.

Seja por influência de amigos, familiares, conhecidos ou influenciadores digitais, a maioria dos novos investidores brasileiros estão buscando outras alternativas de investimentos mais rentáveis do que a poupança como destino para o seu dinheiro.


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Juliano Passaro

Repórter da Exame


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