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Perdeu o prazo do IPO da Rede D'Or? Saiba se vale entrar depois da estreia

PUBLICADO EM: 4.12.20 | 6H23
ATUALIZAÇÃO: 7.12.20 | 9H54
Oferta pública inicial da maior administradora de hospitais privados do Brasil pode movimentar 11,3 bilhões de reais, no 3º maior IPO da história da B3

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Nesta sexta-feira, 4, se encerrou o período de reserva para a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Rede D’Or. No preço médio da faixa indicativa, a maior administradora de hospitais privados do Brasil pode chegar ao mercado avaliada em 112,4 bilhões de reais, o que a colocaria em um grupo de apenas nove empresas, atualmente, com valor de mercado superior a 100 bilhões de reais no Brasil, sendo elas: Petrobras, Vale, Bradesco, Itaú, Santander Brasil, Ambev, Magazine Luiza, B3 e WEG. 

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Veja a seguir as condições para avaliar a companhia a partir da faixa indicativa de preços para o IPO. 

No ponto médio da faixa indicativa, em 56,63 reais, a companhia pode levantar 11,3 bilhões de reais com a oferta de ações, considerando os lotes adicional e suplementar (o que levaria a uma distribuição total de 199.664.607 papéis da empresa). Com essa captação, o IPO do grupo ficaria atrás apenas da listagem da BB Seguridade, em 2013, que levantou 11,475 bilhões de reais, e do Santander, em 2009, que movimentou 13,182 bilhões de reais. 

A faixa indicativa de preço vai de 48,91 reais a 64,35 reais. A precificação da oferta está prevista para segunda que vem, 8, com início de negociação na B3 na quarta, 10, sob o código RDOR3

Um dos motivos de o negócio ser badalado já na largada é a história de crescimento promovida pela família Moll, acionista controladora da Rede D’Or. A empresa viu sua receita líquida saltar de 4,9 bilhões de reais em 2014 para 13,3 bilhões de reais em 2019 (+167%), com a geração operacional de caixa (Ebitda) indo de 869,3 milhões de reais para 3,5 bilhões de reais (+300%) no mesmo período. Na esteira dessa expansão, uma estratégia agressiva de aquisições, que continua no radar da companhia. Desde 2007 até 16 de novembro, quando divulgou o prospecto preliminar da oferta, foram 39 aquisições de hospitais.

Mas não para por aí. No dia 18 de novembro, a empresa anunciou a compra do Hospital América, em Mauá, região metropolitana de São Paulo; e, ontem, do Hospital de Clínicas Antônio Afonso, em Jacareí, interior de São Paulo. 

De olho em um mercado ainda altamente fragmentado no Brasil -- os cinco maiores players independentes de hospitais do Brasil detinham menos que 4% dos leitos do país em conjunto ao fim de setembro de 2020 -- , a companhia mira, com a captação agora, mais aquisições.

Dos recursos que serão levantados na oferta, que será exclusivamente primária (quando o dinheiro vai direto para o caixa da empresa), metade será destinada para a compra de novos ativos; a outra parte irá para crescimento orgânico, com a construção de hospitais e ampliação das instalações já existentes. 

No portfólio, a companhia possui mais de 50 hospitais próprios, presente em nove regiões metropolitanas do país. Para efeito de comparação, a Hapvida, terceira maior rede de hospitais privados, conta com 21 hospitais e 3.000 leitos, ou 40% e 30% da rede ofertada pela empresa, respectivamente. 

Vale a pena entrar no IPO da Rede D'Or? 

Embora longe de ser uma barganha, a Eleven Financial indica entrar no IPO da Rede D’Or até o meio da faixa indicativa -- ou seja, se a precificação sair até 56,63 reais por ação --, acreditando que essa é uma oportunidade singular de exposição ao único "pure play" no setor de saúde no Brasil. 

Em relatório de início de cobertura, os analistas da casa, liderados por Carlos Daltozo e Daniela Bretthauer, têm como preço-alvo para o papel RDOR3 81,00 reais, o que implicaria um potencial de valorização de 43% frente ao ponto médio da faixa. 

Eles comentam que, considerando o preço médio, os múltiplos de Rede D’Or representam um prêmio substancial em relação à média do setor no Brasil e até mesmo em relação a pares como NotreDame Intermédica e Hapvida. No entanto, acreditam ser justificado, dada a maior expectativa de crescimento composto de Ebitda e lucro líquido para a companhia no período, retornos maiores e pelo fato de ser um puro case no segmento hospitalar. 

Nas contas, os analistas projetam uma taxa de crescimento composta de receita e Ebitda de cerca de 33% e 44%, respectivamente, para o período entre 2021 e 2025, puxados pelos projetos de ampliação da capacidade dos hospitais já existentes, assim como novas aquisições. Com isso, a margem Ebitda (Ebitda dividido pela receita) deve sair de 28% no ano que vem para alcançar cerca de 31% em 2025, apontam.

A avaliação, no entanto, não é unânime. Apesar de citar que, sem dúvida, trata-se de uma grande empresa, com bons históricos de resultados e perspectivas de crescimento, a Suno Research acredita que o preço de Rede D’Or está esticado. Em relatório, Tiago Reis, fundador da casa de análise de ações, diz que prefere ficar de fora. "Mesmo usando premissas extremamente otimistas nos cálculos, não vemos um valor justo que contemple a margem de segurança adequada para a realização de um investimento. Continuaremos acompanhando o case, mas, no momento, de fora do IPO". 

O valor mínimo para entrar no IPO é de 3.000 reais, sendo o máximo 10 milhões de reais. Os investidores pessoa física que quiserem participar da oferta estão sujeitos a "lock-ups" (prazo em que o investidor precisa segurar a ação da empresa) de 40 dias para o segmento de varejo (com aplicação entre 3.000 reais e 1 milhão de reais) e 50 dias para private (entre 1 milhão de reais e 10 milhões de reais). No entanto o "lock-up" não é obrigatório: o investidor que escolhe se deseja entrar na oferta com ou sem o bloqueio. Quem aceita a restrição tem prioridade na alocação dos papéis e caso a demanda seja muito alta por esse ativo sofre também um rateio menor.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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