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ESG

Projeto quer incluir mais mulheres na gestão de fundos

PUBLICADO EM: 11.8.21 | 13H40
ATUALIZAÇÃO: 11.8.21 | 13H44
Bloomberg Women’s Buy-Side Network lança comunidade no país capitaneada por líderes de bancos e gestoras
Tatiana Grecco, diretora de risco de Mercado e Liquidez do Itaú Unibanco

Tatiana Grecco, diretora de risco do Itaú Unibanco, é uma das líderes do projeto da Bloomberg no Brasil

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Marília Almeida

Repórter de Invest marilia.almeida@exame.com



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A Bloomberg anunciou nesta quarta-feira, 11, a versão brasileira do Women’s Buy-Side Network (BWBN), seu projeto focado em elevar a participação de mulheres na indústria de gestão de ativos.

Liderado por mulheres executivas seniores, como Tatiana Grecco, diretora de riscos do Itaú Unibanco, Flávia Almeida, CEO da gestora Península, e Luciane Ribeiro, sócia da gestora 3V e ex-CEO da Santander Asset, o projeto fornecerá informações, mentoria e treinamento para levar mulheres a cargos de nível sênior.

Fundada em 2018, a Bloomberg Women’s Buy-side Network (BWBN) é uma comunidade de mulheres na indústria de gestão de ativos, que compartilham a visão de construir a próxima geração de mulheres líderes no segmento.

A proposta não é apenas realizar mentorias com profissionais que queiram trabalhar com gestão de ativos. O grupo debate também algumas iniciativas, como treinamentos específicos no segmento e ferramentas de gestão e tecnologia (como Pyton, por exemplo).

Além disso, o grupo busca promover networking entre estudantes que estejam interessadas na carreira e profissionais do mercado financeiro e também divulgar estudos e análises feitas por profissionais do mercado.

O movimento já tem filiais em Cingapura, Hong Kong, Índia e Japão. Neste ano, chega, além do Brasil, maior mercado de gestão de ativos da América Latina, à Austrália e Nova Zelândia. Para fazer parte, basta se cadastrar no site da BWBN Brasil.

Território majoritariamente masculino

Apesar do avanço da participação feminina no mercado financeiro, o segmento de gestão ativos continua um território masculino, Nos últimos anos, o porcentual de fundo geridos por mulheres é de, em média, 14%. Há alguns países que alcançam o porcentual de 20%, como Espanha e Cingapura, enquanto outros, a exemplo dos Estados Unidos, ficam em 11%

Faltam dados específicos sobre o Brasil. Mas Grecco, do Itaú, acredita que o país esteja em linha com o porcentual americano. "Ou seja, de cada 10 gestores de fundos, 1 é uma mulher. É muito pouco".

Contudo a diretora do Itaú é otimista e afirma que há um maior interesse de mulheres jovens em gestão de ativos. "Há algumas ações que podem acelerar o processo. Uma delas é a ascensão de métricas ESG. As gestoras passam a buscar investimentos com métricas sociais, de governança e sustentabilidade e começam a ter de utilizar essas métricas em sua própria estrutura também".

A executiva também defende a contratação de profissionais para além de carreiras quantitativas, como engenharia. "A realidade de gestão ativos é hoje mais complexa, por conta de problemas ambientais, pandemias, como a covid-19 e também uma maior internacionalização de investimentos.

Neste cenário, a indústria de fundos poderia incluir profissionais como cientistas de dados, historiadores e, por que não, biomédicos, sugere. "É uma forma de acelerar a inclusão feminina, já que elas estão mais presentes em carreiras fora da área de Exatas. No exterior, profissionais começam com uma formação mais generalista e apenas depois se especializam. Falta essa visão por aqui".

Para Ribeiro, o projeto é inspirador para mulheres que pensam ser impossível conseguir uma posição de CEO em gestão de ativos, diz a ex-diretora da asset do Santander.

Para ela, a progressão na carreira pode ser lenta e exige que as empresas se comprometam com políticas de apoio. "As mulheres precisam se sentir seguras e ativas em todos os estágios de suas carreiras, especialmente durante o nível de gestão intermediária, quando estão construindo uma família”.

“Talento feminino não falta no Brasil, já que são metade dos nossos universitários”, diz Flavia Almeida. “O que as mulheres precisam para avançar em suas carreiras é de um ecossistema de apoio em casa e no ambiente corporativo, especialmente com a pensão alimentícia”.

Mais lucro e crescimento

Uma maior presença das mulheres no mercado financeiro possibilita a criação de produtos financeiros mais adequados a esse público, que vem aumentando sua presença nos investimentos e na bolsa de valores.

Empoderar as mulheres para participarem plenamente da economia moderna pode incentivar o crescimento global da economia, de acordo com a Bloomberg Economics. A pesquisa “Quer adicionar US $ 20 trilhões ao PIB? Empodere Mulheres”, estima que se os níveis de educação e emprego das mulheres forem iguais aos dos homens, o PIB global aumentará em US $ 20 trilhões em 2050. O relatório foi escrito pelos economistas da Bloomberg Adriana Dupita, Abhishek Gupta e Tom Orlik.

“Quando você prioriza a diversidade e a inclusão, evolui a atração e a retenção de talentos, melhora a tomada de decisões, inova mais e obtém melhores resultados”, afirma Geraldo Coelho, executivo de Negócios da Bloomberg para a América Latina. “Ao valorizar totalmente o conhecimento, experiência, visão e ideias que as mulheres trazem para a mesa, você não está apenas construindo um negócio mais igualitário; você está construindo algo mais bem-sucedido.”

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Marília Almeida

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