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QuintoAndar capta US$ 300 milhões e passa a valer US$ 4 bilhões

PUBLICADO EM: 28.5.21 | 0H01
ATUALIZAÇÃO: 28.5.21 | 1H15
Empresa líder em aluguel e compra e venda de imóveis usados no país se torna a segunda startup mais valiosa da América Latina; planos preveem soluções de crédito imobiliário e expansão no México

Resumo do investidor

1. O QuintoAndar foi fundado por André Penha e Gabriel Braga em 2013, com foco no aluguel de imóveis 2. O objetivo é simplificar e agilizar o fechamento de contratos, com inovações como a dispensa de fiador 3. Em 2020, a startup entrou no mercado de compra e venda de imóveis com os mesmos objetivos

André Penha e Gabriel Braga, da QuintoAndar: uma das primeiras startups a trazer tecnologia para os aluguéis | Germano Lüders

André Penha (èsq.) e Gabriel Braga, sócios-fundadores do QuintoAndar: uma das primeiras startups brasileiras a trazer tecnologia para os aluguéis | Foto: Germano Lüders/EXAME

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



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O QuintoAndar, startup líder no mercado de aluguel e de compra e venda de imóveis residenciais usados no país com sua plataforma digital, acaba de fechar uma rodada de captação de 300 milhões de dólares, a quinta de sua história. A operação multiplica por quatro o valuation da proptech -- como são chamadas as startups dedicadas ao mercado de imóveis --, para 4 bilhões de dólares, ou pouco mais de 21 bilhões de reais ao câmbio atual.

Com o novo aporte, o QuintoAndar se estabelece como a segunda startup mais valiosa da América Latina com capital fechado, junto com a mexicana Kavak (no segmento de carros usados), e atrás apenas do Nubank, avaliado em 25 bilhões de dólares. Pouco depois vem a colombiana Rappi, com valuation de 3,5 bilhões de dólares.

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A rodada Series E é liderada pela Ribbit Capital, uma das principais empresas de venture capital com foco no setor financeiro. No portfólio estão algumas das maiores fintechs do mundo, como Nubank, Robinhood e Revolut.

Também participam da rodada SoftBank (com seu fundo para a América Latina), LTS, Maverick, Alta Park, Dragoneer, Qualcomm, Kaszek Ventures e uma gestora especializada em ativos alternativos, não revelada.

"A rodada sinaliza o reconhecimento da credibilidade que construímos, cumprindo com o que dissemos que iríamos fazer. E representa ao mesmo tempo uma expectativa grande sobre o futuro. Investidores que estão entrando agora [caso da Ribbit] certamente têm uma expectativa de que o negócio seja multiplicado nos próximos cinco a dez anos", disse Gabriel Braga, cofundador e CEO do QuintoAndar, à EXAME Invest.

O outro cofundador é André Penha, que ocupa o cargo de CTO (executivo-chefe de Tecnologia).

Os novos recursos serão utilizados em três frentes de negócios, resumidamente: ampliar a operação já consolidada de aluguel de imóveis, que é a principal da startup, acelerar o crescimento em compra e venda, que foi lançada há pouco mais de um ano, e bancar o desenvolvimento de uma expansão internacional, que começará pelo México.

O empreendedor diz que "há muito trabalho a ser feito", apesar dos números que saltam aos olhos depois de oito anos de existência da startup. No mercado de aluguel, ela tem mais de 50 bilhões de reais em ativos sob gestão, em mais de 100.000 contratos ativos. Tem fechado mais de 10.000 novos contratos mensalmente.

No mercado de compra e venda de usados, o volume anualizado pelos dados mais recentes supera a marca de 8.000 imóveis negociados, com um ritmo de expansão que vai de 50% a 100% a cada trimestre.

Braga afirma que, ainda que a operação de aluguel esteja mais madura, com presença em 40 cidades, há segmentos que ainda podem ser melhor "endereçados". Um exemplo foi conhecido na última semana, quando o QuintoAndar lançou em escala comercial um programa de capacitação e incentivo a corretores para avançar no chamado mercado offline, de proprietários de imóveis que não usam aplicativos nem sites.

Os planos no segmento de aluguel incluem a expansão geográfica, que, nesse caso, vai continuar a acontecer de forma gradual, segundo ele.

As principais novidades devem vir das demais frentes de negócios. "A operação de compra e venda de imóveis usados está só no começo, mas estamos muito animados com os resultados. E queremos ainda inovar muito na finalização dos negócios, no crédito imobiliário e no aumento da certeza da transação para as partes", afirma.

É um segmento em que a startup também ocupa a liderança, apesar do tempo reduzido no mercado, graças em parte à aquisição da imobiliária Casa Mineira no mês de março, por valor não revelado. Ao todo, ela está presente em quatro capitais nessa frente de negócios: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Destravando a compra

A inovação em compra e venda, segundo ele, passa nessariamente por novas soluções financeiras. "Por exemplo, há muitas pessoas que querem comprar, possuem renda, mas não têm dinheiro para dar de entrada. Pensamos: 'o que poderíamos apresentar de solução para destravar o processo?'"

Segundo Braga, apenas de 1% a 2% do estoque de imóveis tem giro anual no país, o que dá a dimensão do potencial de crescimento desse mercado do ponto de vista de ganho de liquidez.

"Acreditamos que criando novos meios de pagamento será possível destravar o mercado", antecipa Braga sobre o que está no plano de desenvolvimento do QuintoAndar.

É uma área estratégica que se tornou um dos pontos fortes da startup. Uma das inovações que serviram como grande diferencial no mercado na sua chegada foi a dispensa de apresentação de fiador ou do pagamento de um valor como caução para o aluguel, graças à análise financeira do inquilino potencial e à parceria com uma seguradora.

"Há muita inovação na intersecção entre real estate e fintech. Nós gostamos muito de ter a fintech embutida no processo, assim como fizemos com o aluguel. Isso gerou um curto-circuito positivo para o mercado. E acreditamos que na parte de venda de imóveis também tem coisas para sair, em crédito, seguros, para tornar a transação mais certeira", diz.

Chegada ao México

Na frente da expansão internacional, Braga explica a escolha do México, em vez de países mais próximos geograficamente, como Argentina ou Chile. "O que foi prioritário para a decisão foi o tamanho de mercado. É o segundo maior da região depois do Brasil", explicou. Segundo ele, a operação está na fase de planejamento, sem que seja possível determinar se a estreia será ainda em 2021.

"É literalmente uma nova fronteira em que vamos ter que aprender, entender e resolver", afirmou.

Será também mais um capítulo de uma jornada que começou ali no vizinho Estados Unidos, na Califórnia, onde Braga e Penha se conheceram ao cursar o MBA na escola de negócios da Universidade Stanford, a GSB.

De volta ao Brasil, eles fundaram o QuintoAndar em 2013 com a proposta de reduzir burocracias e simplificar o processo de aluguel no país, levando ao mercado brasileiro inovações hoje mais comuns, como o agendamento online de visitas ao imóvel, além da já citada dispensa de fiador para o inquilino. O resto é história.

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


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