MERCADOS

Sem Vale e siderúrgicas, Ibovespa estaria abaixo de 112 mil pontos

PUBLICADO EM: 14.5.21 | 6H30
ATUALIZAÇÃO: 14.5.21 | 6H12
Ação da mineradora subiu 29% neste ano com a alta do minério de ferro; sozinha, Vale respondeu por quase 7.000 pontos, segundo cálculos da Comdinheiro para a EXAME Invest

Resumo do investidor

1. "O Ibovespa subiu puxado pelas ações da Vale e de siderúrgicas" se tornou frase comum em 2021 2. A Vale tem o maior peso na composição do Ibovespa, com quase 13% da carteira teórica 3. Segundo a Comdinheiro, sem a força da Vale, o Ibovespa estaria 5,6% abaixo do nível atual

Sede da Vale no Rio de Janeiro

A Vale está ganhando peso na composição do Ibovespa e já responde por 13% da carteira teórica (DENIS BALIBOUSE)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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O Ibovespa, principal índice da B3, acumula alta de 1,42% no ano, com 120.705,91 pontos no fechamento desta quinta-feira, 13 de maio. Ainda que bem distante das previsões otimistas de 130.000 pontos ou mais do início do ano, o desempenho seria ainda pior se apenas uma das 84 ações que compõem o índice não estivesse presente ou não subisse tanto. 

Estamos falando da mineradora Vale (VALE3): sozinha, a ação teve uma contribuição equivalente a quase 7.000 pontos desde o início do ano. Isso significa que, sem a mineradora, o Ibovespa estaria atualmente com 113.934 pontos, de acordo com cálculos da empresa de serviços financeiros Comdinheiro feitos a pedido da EXAME Invest. Ou seja, estaria 5,6% abaixo do atual patamar.

Ibovespa x Ibovespa sem Vale (Comdinheiro/Acervo pessoal)

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Tamanha contribuição só foi possível graças à valorização de seus papéis, que já subiram 28,63% neste ano. Trata-se da 10ª maior alta entre as 84 ações que compõem o Ibovespa.

Maior companhia da América Latina em valor de mercado, com 594,45 bilhões de reais, a Vale também tem o maior peso na composição do Ibovespa, com 12,94% do total. Essa fatia tem crescido a cada revisão da carteira do Ibovespa, algo que acontece a cada quadrimestre, na medida em que um dos principais critérios é o volume de negociação. 

A apreciação da Vale tem sido impulsionada, principalmente, pela alta na cotação internacional do minério de ferro, que, nesta semana, estabeleceu um novo recorde, superando 230 dólares no mercado de futuros de Cingapura.

O elevado preço da commodity também tem beneficiado as siderúrgicas CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), que, juntas, representam outros 4,19% na composição do Ibovespa. Se não fosse por elas e pela Vale, ainda de acordo com a Comdinheiro, o Ibovespa estaria com 111.800 pontos -- ou 7,4% abaixo do patamar atual.  

Ibovespa x Ibovespa sem Vale e siderúrgicas (Comdinheiro/Acervo)

O que se deve esperar da Vale e das siderúrgicas

Para Bruno Lima, analista-chefe de renda variável da EXAME Invest Pro, o setor de mineração deve seguir sustentando o Ibovespa, principalmente se a demanda da economia chinesa por minério de ferro seguir firme. “Essas ações se movem de acordo com as commodities e quem determina o preço nesse mercado é a China”, diz.

Mas, mesmo que o minério de ferro deixe de subir, Lima acredita que ainda há um grande espaço de alta para as ações da Vale. Segundo as projeções da EXAME Invest Pro, o preço justo dos papéis da mineradora para o fim de 2021 seria de 167,6 reais, indicando um potencial de alta de 49% em relação aos 112,49 reais do fechamento da quinta, dia 13.

Esses cálculos de preço-alvo foram realizados tomando como base o preço do minério de ferro a 130 dólares a tonelada. Com a commodity mais cara, o potencial de valorização pode ser ainda maior. A cotação está atualmente na casa de 210 dólares tanto em Cingapura como em Dalian, na China. São dois contratos utilizados como referência no mercado.  

Quem puxa o Ibovespa para baixo

Por outro lado, a alta do Ibovespa não dependerá apenas da Vale mas também da recuperação das ações de blue chips como Petrobras (PETR3/PETR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Magazine Luiza (MGLU3) e B3 (B3SA3), que acumulam quedas neste ano. Veja o desempenho abaixo:

  • MGLU3: -23,33%
  • B3SA3: -15,75%
  • PETR3: -15,08%
  • PETR4: -11,82%
  • ITUB4:- 9,33%

Juntas, as cinco ações têm participação de 22,44% na composição do Ibovespa e foram as que tiveram os impactos negativos mais relevantes sobre a performance do principal índice da bolsa brasileira no acumulado do ano. Segundo a Comdinheiro, caso esses papéis não estivessem no índice neste ano, o Ibovespa estaria em 124.901,7 pontos.

Ibovespa x Ibovespa sem Petrobrás, Itaú, Magalu e B3 (Comdinheiro/Acervo)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com


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