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Sinal de alerta: mercado deve ficar atento a excesso de risco, diz Attuch

PUBLICADO EM: 3.4.21 | 9H00
ATUALIZAÇÃO: 2.4.21 | 18H29
CEO da Ohmresearch afirma que perdas bilionárias de bancos no exterior fazem parte de cenário que empurra investidores para opções mais arriscadas
Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch

“É importante ficar atento em situações de alavancagem, ainda mais quando todo mundo está apostando que o mercado vai na mesma direção", diz o CEO

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Nesta semana, alguns dos maiores bancos do mundo sofreram perdas gigantescas que podem chegar a 10 bilhões de dólares. O motivo? As instituições emprestaram dinheiro para a firma de investimentos privada Archegos Capital Management, que desmoronou após tomar mais risco do que deveria. 

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“Foi um episódio de excesso de risco, no qual os bancos que estavam dando alavancagem para esse fundo poderiam ter prestado mais atenção”, afirma o CEO da Ohmresearch, Roberto Attuch, que tem mais de 25 anos de experiência na área de pesquisa de ações em bancos estrangeiros. 

Até o momento, os maiores afetados foram Credit Suisse e Nomura. O banco suíço pode perder entre 3 e 4 bilhões de dólares com o episódio, e suas ações desabaram 18,52% na bolsa desde segunda-feira, 29. O prejuízo do japonês Nomura ronda 2 bilhões de dólares, e os papéis do banco acumulam queda de 20,6% nesta semana.

A Archegos operava com alavancagem, ou seja, tomava capital emprestado para investir. Segundo Attuch, a prática é comum e não é um problema em si mesma, desde que o nível de risco seja condizente com a estrutura e a tolerância da empresa. Mas não parece ter sido esse o caso.

A empresa não conseguiu atender à chamada de margem de algumas de suas operações, levando à liquidação antecipada de posições em mais de 20 bilhões de dólares em ações de empresas como a Viacom e a Baidu. 

Vale lembrar que a margem é um valor exigido como garantia para operações alavancadas. Quando esse valor atinge um limite, ocorre a “chamada” para cobrir o risco, forçando o investidor a colocar mais dinheiro para cobrir o risco do investimento.

“É importante ficar atento em situações de alavancagem, ainda mais quando todo mundo está apostando que o mercado vai na mesma direção", argumenta o CEO. 

Confira abaixo a entrevista completa à Exame Invest:

A derrocada do Archegos foi um caso fora da curva?

Esse tipo de episódio sempre está sujeito a acontecer no mercado, ainda mais em um cenário em que se tem cada vez mais investidores e fundos buscando risco. A operação de prime brokerage, em que os bancos oferecem alavancagem para hedge funds fazerem suas negociações, tem esse risco. 

É algo que acontece normalmente quando o mercado cai ou quando existe uma volatilidade muito grande em algum ativo. Não foi o caso. Foi um episódio de excesso de risco, no qual os bancos que estavam dando alavancagem para esse fundo poderiam ter prestado mais atenção.

O que favorece o ambiente geral de risco?

São dois fatores: a recuperação da economia e a sinalização do Fed [banco central americano] de que não vai subir a taxa de juros, o que gera um ambiente de crescimento sincronizado. Economia crescendo e política monetária expansionista levam naturalmente à maior tomada de risco.

A vacinação está muito avançada nos Estados Unidos e isso contribui para que os investidores apostem na retomada da economia. Além disso, o Fed sinalizou em sua última reunião que não vai subir os juros nos próximos dois anos, então o incentivo para que o mercado inteiro tome muito risco é bastante alto. 

Quais as consequências? É um sinal de alerta para os investidores?

A consequência é que o preço dos ativos continue subindo. Mas a conclusão é óbvia: sempre que o mercado sobe, na sequência existe algum tipo de correção. É importante ficar atento com alavancagem em situações como essa, ainda mais quando todo mundo está apostando que o mercado vai na mesma direção.

A busca por opções mais arriscadas favorece ativos de países emergentes. O Brasil tem aproveitado esse movimento?

É algo que poderia estar significando muito mais para o Brasil, mas no momento impacta pouco. O país está bem fora do radar dos investidores estrangeiros por uma série de motivos, sendo o principal deles a questão fiscal, que ainda não foi resolvida.  

Para onde os investidores estão olhando? 

O ambiente em que as pessoas estão tomando mais risco vai continuar por um bom tempo, então devemos ver cada vez mais investidores saindo do mercado americano e migrando para investimentos na Europa e na Ásia – aqui pensando principalmente em Japão, Coréia e China. No caso da Europa, o fluxo de investimentos deve se fortalecer ainda mais com a vacinação ganhando mais espaço ao longo dos próximos meses. É uma diversificação geográfica.

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