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Ultrapar dispara 10%: por que a troca de comando anima tanto o mercado?

PUBLICADO EM: 23.9.21 | 13H12
ATUALIZAÇÃO: 23.9.21 | 13H25
Entrada de Marcos Lutz é vista como uma possibilidade da companhia acelerar processo de recuperação da Ipiranga, cujos resultados dos últimos trimestres têm incomodado os investidores
Posto Ipiranga, da Ultrapar Participações

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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As ações da Ultrapar (UGPA3) disparam 10% nesta quinta-feira, 23, a segunda maior alta do Ibovespa, após a companhia anunciar ontem seu plano de sucessão, com a entrada de Marcos Lutz, ex-Cosan, como presidente do conselho de administração. Ele assumirá o colegiado em abril de 2023, no lugar de Pedro Wongtschowski.

Antes disso, Lutz passará por um período de preparação, que começa em janeiro do próximo ano, assumindo a presidência da Ultrapar, em substituição a Frederico Curado, que deixará a posição para ocupar a vice-presidência do conselho de administração. Essa espécie de estágio preparatório do executivo, segundo a empresa, visa seu aprofundamento nos diversos negócios do grupo.

Embora a sucessão já fosse esperada pelo mercado, a notícia traz uma renovação nas expectativas dos investidores, que viam na Ultrapar a necessidade de mudanças. Algumas já endereçadas, como a revisão do seu portfólio, com a venda da Extrafarma e Oxiteno (ainda no mandato de Wongtschowski); e outras que ainda são um peso para os papéis da companhia, como o desempenho da Ipiranga.

A rede de combustíveis Ipiranga, que antes era a queridinha das operações do grupo, passou a se tornar a grande preocupação dos investidores. Nos últimos três trimestres, seus números decepcionaram o mercado. O resultado foi sentido na ação UGPA3: queda acumulada de 21% do dia 24 de fevereiro (quando reportou o balanço do 4º trimestre do ano passado) até agora; enquanto isso, suas principais concorrentes na Bolsa, BR Distribuidora (BRDT3) e Cosan (CSAN3), subiram 31% e 10% no mesmo período.

A mudança agora, portanto, é vista como uma possibilidade da companhia acelerar esse processo de recuperação da Ipiranga.

"Vemos o anúncio como positivo, pois pode trazer expertise para a contínua reformulação do portfólio e o turnaround para o principal negócio da Ultrapar, a Ipiranga", comentaram os analistas Bruno Amorim e João Frizo, do Goldman Sachs. O banco manteve recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo em 20,30 reais, dando um potencial de valorização de 26% frente ao patamar atual.

Para os analistas do Credit Suisse, Lutz é a "pessoa ideal para o cargo". Eles também destacaram o nome de Leonardo Linden, que irá assumir o cargo de presidente da Ipiranga em outubro. "Ele tem um forte histórico e acreditamos que deve conseguir melhorar margens, recuperar participação no mercado e extrair mais valor dos ativos".

Desde abril, Linden era vice-presidente da distribuidora, Anteriormente, ele também trabalhou na Cosan e na Raízen e ingressou no Ultra para estruturar e desenvolver a Iconic, uma joint venture criada pela Ipiranga e Chevron na indústria de lubrificantes.

À espera dos próximos passos

Segundo Thiago Duarte e Pedro Soares, analistas do BTG Pactual, de todas as mudanças, a que causou a maior surpresa foi a antecipação em 18 meses do anúncio de que Lutz vai assumir a presidência do conselho. "Essa alteração reforça a mensagem de mudança na companhia".

Mas ainda vale um pé atrás. "O movimento foi bem inteligente" por parte da empresa, mas ainda vemos o processo de reclassificação dos papéis como algo muito gradual e dependente da Ultrapar voltar a mostrar capacidade de crescer seu negócio", comentaram. Por essa razão, preferiram seguir com recomendação neutra para as ações.

A classificação neutra também foi mantida pelo Bradesco BBI. "O principal desafio de Lutz será melhorar a lucratividade da Ipiranga, que tem ficado muito aquém de seus pares. Ele definitivamente é um nome forte para liderar essa tarefa, com um histórico poderoso", disseram Vicente Falanga e Gustavo Sadka, analistas do banco.

Nos cálculos deles, as ações da Ultrapar precificam atualmente margens sustentáveis de cerca de 70,00 reais por metros cúbicos para a Ipiranga. "Qualquer indicação de que as margens devem se estabilizar acima desse patamar pode impulsionar os papéis".

Ainda assim, preferiram manter cautela. "Apesar das mudanças positivas, mantemos a recomendação, uma vez que as perspectivas para as margens da Ipiranga ainda permanecem altamente incertas nesta fase, em nossa opinião".

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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