Vale tem 9ª alta em 10 dias; Wiz afunda 9% com operação da PF | Exame Invest
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Vale tem 9ª alta em 10 dias; Wiz afunda 9% com operação da PF

PUBLICADO EM: 26.11.20 | 10H53
ATUALIZAÇÃO: 26.11.20 | 19H00
Suzano dispara 5,7% e lidera os ganhos do Ibovespa; fora do índice, as ações PN da Oi saltaram 5% com venda de ativos e nova Lei de Falências

Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.



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As ações dos bancos e Petrobras (PETR3; PETR4) apareceram como as maiores contribuições negativas, em pontos, para o Ibovespa nesta quinta-feira, 26. Em sessão marcada por baixa liquidez por conta do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o índice conseguiu virar para o positivo nas horas finais de pregão, encerrando em alta de 0,04%, acima dos 110 mil pontos. Do outro lado, aparecem os papéis da Vale, que marcaram a nona alta em dez pregões, e Suzano (SUZB3), que subiu 5,7%, em meio a perspectivas mais positivas para os preços de celulose no mercado internacional. No mesmo setor, Klabin (KLBN11) avançou 2,79%.

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Abaixo, os principais destaques de ações do pregão:

Vale 

Operando no seu maior patamar histórico, as ações da Vale (VALE3) registraram hoje sua nona alta em dez pregões, acumulando no período ganhos de mais de 22%. Na sessão, os papéis subiram mais de 1%, seguindo o movimento do minério de ferro. A commodity cotada no porto de Qingdao, na China, avançou 0,77% nesta quinta, indo para 128,39 dólares a tonelada. A Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na mineradora, registrou valorização de 2,36%.

Frigoríficos 

As ações da Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3) subiram 0,95% e 1,01%, respectivamente. Em relatório desta quinta, analistas do Credit Suisse destacam que o setor de proteína vem de trimestres em que os resultados foram recordes mas, ainda assim, não tem aparecido como um dos maiores destaques nas nossas conversas com clientes. Eles comentam que call bem otimista para o setor, acreditando que os sinais positivos devem continuar.

Entrando em nomes de como podem surfar este movimento, eles citam a Marfrig como principal cavalo, mas dizem que também gostam de JBS. "Enxergamos Marfrig e JBS como histórias atrativas mas destacamos Marfrig como nosso top pick. A empresa esta vivendo um momento mais sólido nos Estados Unidos (80% do Ebitda vem de National Beef) e acreditamos que tenha apresentado um desempenho inferior ao do Ibovespa este mês de forma injustificada", comentam. Enquanto o Ibovespa sobe 17,3% no mês, os papéis da Marfrig acumulam alta de 8,4%. No mesmo período, BRF sobe 30,8% e JBS tem alta de 17,8%.

Petrobras 

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caíram cerca de 1,5%, acompanhando os preços do petróleo. Com o movimento, os papéis preferenciais quebraram uma sequência de três altas -- os ordinários, fecharam em leve queda ontem, enquanto os PNs tiveram leve alta de 0,11%. No exterior, os contratos do petróleo Brent, cotados em Londres e usados como referência pela estatal, recuaram 1,81% hoje.

No radar, a companhia divulgou seu novo plano estratégico para o quinquênio 2021-2025, prevendo investimentos de 55 bilhões de dólares, dos quais 84% (ou 46 bilhões de dólares) serão destinados à Exploração e Produção (E&P) de petróleo e gás. Desse montante, cerca de 32 bilhões serão alocados em investimentos em E&P em ativos do pré-sal.

Segundo analistas da Exame Research, o plano não traz grandes alterações em relação às versões anteriores. Mas, de toda maneira, os dados ratificam a estratégia da Petrobras, com foco na região do pré-sal e na redução do endividamento. A estatal, que fechou o terceiro trimestre com dívida bruta de 80 bilhões de dólares, quer chegar a 60 bilhões de dólares até 2022. "Os detalhes possuem implicações positivas e mostram comprometimento da administração com as metas. Mas ações, contudo, devem continuar reagindo às oscilações na cotação da commodity", comentam.

Os analistas do Credit Suisse apontam que o total dos investimentos foi reduzido em 20,5 bilhões de dólares (ou cerca de 32% do valor de mercado da companhia) em relação ao último plano (que somava investimentos da ordem de 75,7 bilhões de dólares). "Com essa redução dos investimentos, a Petrobras efetivamente reduz a duration dos ativos e o foco passa a ser na rentabilidade da companhia e a, assim, no retorno dos acionistas". Além disso, eles comentam que informações adicionais sobre os investimentos devem sair no Investor Day da empresa na semana que vem, no dia 30 de novembro, podendo incluir mais detalhes na agenda de FPSO (unidade flutuante de armazenamento e transferência), custos, fluxo de caixa, ente outros.

Papel e celulose

As ações da empresa do setor de papel e celulose Suzano (SUZB3) saltam 5,68% e figuraram como a maior alta do Ibovespa hoje. O movimento acompanha perspectivas mais positivas para os preços de celulose. No mesmo setor, Klabin subiu 2,79%.

Na semana passada, analistas do Credit Suisse apontaram, em relatório, que, após quase um ano e meio negociando a preços abaixo do custo marginal da indústria, a celulose tem dado sinais de recuperação nos últimos meses -- e essa tendência deve continuar em 2021. Entre as ações, apontaram Suzano e Celulose Irani (RANI4, +2,01%) como top picks no setor, com recomendação outperform, equivalente a compra. Klabin foi mantida com classificação neutra.

Educação

Também entre as maiores altas do Ibovespa hoje, apareceram as ações da Cogna (COGN3), com alta de 4,30%. No mesmo setor, Yduqs (YDUQ3) avançou 2,83%. Fora do índice, Ânima Educação (ANIM3) subiu 7,90%, depois de ter disparado 14,41% ontem.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a alta dos papéis ocorre na esteira de notícias de que as empresas de educação, como Cogna e Yduqs, estão oferecendo descontos bem agressivos por conta da Black Friday, o que pode levar a matrículas antecipadas, melhorando as condições financeiras dessas companhias. Por outro lado, ele comenta que, fazendo uma pesquisa de campo, não indicaria tanto uma exposição ao setor. "Pelo que consegui mensurar, tem muita empresa de educação com dificuldade em fechar turma. A adesão tem sido baixa, com muito aluno preferindo postegar a matrícula por cerca de 6 meses. Teve gente que não se adaptou ao online e prefere aguardar. Acho que ainda vão ser meses complicados para as companhias. Ainda mais com essa particularidade do setor, de ter um pensamento mais semestral dos clientes", apontou.

CCR

A CCR (CCRO3) informou que a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou, em reunião realizada ontem, a revisão extraordinária do contrato de concessão do Aeroporto  Internacional de Confins, em Belo Horizonte, sob concessão da Concessionária do Aeroporto Internacional de Confins (BH Airport), empresa controlada indiretamente pela CCR. O reequilíbrio aprovado pela Anac corresponde ao valor de 111,1 milhões de reais para BH Airport e será realizado por meio de dedução do valor das outorgas devidas em 18 de dezembro de 2020, após aprovação final da Secretária Nacional de Aviação Civil (SAC), que integra o Ministério da Infraestrutura.

Segundo analistas da Mirae Asset, a notícia é positiva para a companhia. Eles comentam ainda que esperam que, em algum momento, também tenha alguma notícia sobre o reequilíbrio financeiro das concessões rodoviárias. As ações da CCR caíram 0,86% nesta sessão.

Oi

As ações da Oi (OIBR3; OIBR4) deram continuidade à alta de ontem. Os papéis ordinários subiram 5,05% e os preferenciais, 2,70%. A companhia iniciou hoje seu processo de venda de ativos. Segundo fonte disse à Reuters, a companhia vendeu o negócio de torres e data centers em leilão por cerca de 1,4 bilhão de reais. A Highline do Brasil comprou a unidade de torres por 1,067 bilhão, enquanto a Piemont Holding levou a parte de data centers por 325 milhões de reais. 

Na quinta, os papéis da companhia subiram mais de 5%. No radar também, foi aprovado ontem, no Senado, a nova Lei de Falências, que busca facilitar o processo de recuperação judicial de empresas em dificuldade. Segundo fonte do mercado, a aprovação da lei ajuda muito o case de Oi, uma vez que melhora a forma de negociar a dívida pública, conseguindo um haircut (desconto da dívida, no jargão do mercado) muito maior em dívidas administrativas, além de aumentar o prazo de pagamento. "Isso diminui muito o valor presente dessa dívida. É importante para a Oi porque a companhia tem uma dívida com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de 14 bilhões de reais, que pode cair para algo em torno de 6 bilhões com isso. Acho a aprovação pode fazer mais preço que os leilões em si. Parece que o mercado ainda não se atentou para isso”, disse. 

Segundo o Credit Suisse, a notícia é bastante positiva para a Oi. Nos cálculos dos analistas do banco, aumenta o haircut da dívida da Anatel de 50% para 70% e estende o prazo, reduzindo o valor presente líquido do passivo em cerca de 4 bilhões de reais. Além disso, eles comentam que os créditos fiscais, de 16 bilhões de reais, podem ser usados de uma vez só para pagar a Anatel e compensar o potencial imposto de renda da venda de ativos.

WIZ

As ações da WIZ (WIZS3) afundaram 9% hoje. A companhia disse que sua sete foi alvo de busca e apreensão nesta manhã durante Operação Descarte, da Polícia Federal. A operação investiga crimes de sonegação fiscal, corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa. Em fato relevante, a empresa informou que desconhece qualquer indício de prática dos ilícitos investigados e que adotará medidas para apurar os fatos.


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Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Tem experiência de dez anos na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub.


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