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Viveo estreia na B3 e mira reforçar liderança em mercado de saúde

PUBLICADO EM: 9.8.21 | 6H20
ATUALIZAÇÃO: 9.8.21 | 13H14
Empresa líder na distribuição de materiais médicos descartáveis e de medicamentos, controlada pelo fundo DNA Capital, planeja ampliar oferta de produtos e soluções de gestão com tecnologia
Executivos da Viveo na cerimônia de estreia da empresa na B3, nesta segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Executivos da Viveo, empresa líder na distribuição de materiais médicos descartáveis e medicamentos, na cerimônia de estreia na B3, nesta segunda-feira, 9 de agosto de 2021 | Foto: Cauê Diniz/B3

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



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O investidor adepto da tese do crescimento da demanda por serviços e produtos de saúde ganha nesta segunda-feira, 9 de agosto, mais uma alternativa para alocar o capital: a Viveo estreia na bolsa brasileira, a B3, com o ticker VVEO3 depois de concluir a sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) movimentando 2 bilhões de reais.

A companhia realizou uma oferta restrita (conhecida também como oferta 476) para investidores profissionais (com ao menos 10 milhões de reais investidos), com a ação saindo no piso da faixa indicativa, a 19,92 reais (o teto era de 25,81 reais).

Para a largada houve a garantia de demanda de fundos de gestoras como Dynamo e Equitas, além de investidores institucionais estrangeiros como o GIC, fundo soberano de Cingapura.

Às 13h, as ações subiam 10,4%, negociadas a 22 reais.

É uma estreia de peso na bolsa: a Viveo é a líder do mercado na distribuição de materiais médico-hospitalares descartáveis e medicamentos, com atuação nos principais canais (hospitais, clínicas e laboratórios) e com uma lista de clientes que inclui algumas das maiores empresas em cada um desses segmentos. É um mercado que movimenta estimados 223 bilhões de reais por ano, segundo consta do prospecto da oferta.

O plano ambicioso é ampliar o maior ecossistema de saúde do país dentro do modelo de one stop shop, em que o cliente tem acesso ao maior número de produtos, serviços e soluções de gestão inteligente no mesmo ambiente.

"Queremos que quando se pense em material descartável e medicamentos, em onde e como comprar e como fazer a gestão inteligente dessa operação, a Viveo seja lembrada como a que oferece a melhor experiência e o melhor nível de entrega para todos os canais de saúde", disse o CEO da Viveo, Leonardo Byrro, à EXAME Invest.

O crescimento vai ser orientado pela incorporação de novas categorias de produtos e de serviços de tecnologia que possam simplificar e agregar valor à oferta aos clientes, no caso, hospitais, laboratórios e clínicas.

Com os recursos levantados na oferta primária, a companhia planeja investimentos para acelerar o crescimento e reforçar a sua posição de liderança do mercado, de forma orgânica e por meio de aquisições (M&As).

A Viveo, por exemplo, distribui produtos que correspondem a 90% dos medicamentos demandados em hospitais, mas esse índice cai para 60% no caso de materiais descartáveis, o que representa uma oportunidade de expansão.

Um movimento recente que ilustra a estratégia de entrar em novas categorias de produtos foi a compra da FW, fabricante de lenços umedecidos.

Novas áreas de atuação também estão mapeadas. No fim do ano passado, a Viveo liderou uma rodada de aporte na startup Far.me, que oferece um plano de assinatura de medicamentos para pacientes de doenças crônicas e idosos, ou seja, que necessitam dos mesmos com recorrência. O negócio representou a entrada no segmento B2C.

Pacientes recebem mensalmente uma caixa com sachês que contêm os comprimidos programados para cada dia. A Viveo está conduzindo projetos-pilotos em parceria com hospitais e operadoras de saúde para oferecer o serviço a pacientes de doenças crônicas, para verificar a aderência dos mesmos -- seria uma solução para um dos maiores desafios médicos pós-internação.

Oportunidades de crescimento

A Viveo, que é o nome fantasia da holding CM Hospitalar, tem uma trajetória de forte crescimento em especial nos últimos cinco anos, a partir da entrada como controladora da DNA Capital, fundo de venture capital da família Bueno (fundadora da Amil e maior acionista também da Dasa, o maior grupo de laboratórios do país).

Na ocasião, em 2016, o DNA Capital adquiriu a a Mafra Hospitalar, então uma das maiores empresas do país na distribuição de material descartável e medicamentos para hospitais. O crescimento dessa vertical se deu a tal ponto que hoje se estima que a Mafra consiga fazer entregas em até 24 horas para o equivalente a 80% dos leitos privados do país.

O primeiro movimento de expansão se deu em 2017 no canal de distribuição de vacinas para clínicas, por meio da aquisição da Tecnocold. Até então uma empresa com atuação concentrada em São Paulo, ela se expandiu nacionalmente a tal ponto que hoje possui cerca de 50% de participação desse segmento.

No ano seguinte, a estratégica aquisição da catarinense Cremer por 500 milhões de reais representou não só a incorporação de uma marca forte em materiais de primeiros socorros -- curativos, esparadrapos, gazes etc. -- como o amplo acesso ao canal de farmácias, com um alcance que atualmente chega a cerca de 90% desse canal.

A partir daí, a companhia acelerou a estratégia de crescimento via M&As e fechou seis aquisições no ano passado, em meio à pandemia.

Mas a expansão tem ocorrido também de forma orgânica. Uma das verticais de negócios que mais crescem é a da HealthLog, que atua na prestação de serviços e soluções para clientes, sempre na área de saúde.

"Não queremos ter só o portfólio mais completo de produtos de que o hospital, o laboratório ou a clínica precisa. Queremos ajudá-los a fazer a gestão de medicamentos e materiais que são utilizados, para que consigam ter ganhos de eficiência na operação e possam se dedicar ao tratamento de seus pacientes", afirmou o executivo.

Os exemplos de soluções vão desde a gestão de estoques, para que hospitais, clínicas e laboratórios possam reduzir o espaço ocupado e o material parado até o envio de medicamentos unitários para facilitar o tratamento a pacientes, em vez de cartelas com muitos comprimidos como os que são vendidos para o consumidor final de farmácia.

Segundo ele, hospitais chegam a trabalhar com a compra de 12.000 a 15.000 SKUs, ou seja, de produtos distintos, o que dá a dimensão da complexidade de gerenciar uma operação.

Outra área com oportunidade é a de laboratórios, que é muito pulverizado. Estima-se que existam cerca de 15.000 laboratórios no país, dos quais 10.000 não pertencem às grandes redes. A Viveo atende 1.500 desse universo.

Investimento ESG

Há cerca de um mês, a Viveo também começou a executar um plano estratégico com foco ESG e investimento previsto de 65 milhões de reais no quadriênio que se estende de 2021 a 2024, dos quais 20 milhões de reais neste ano. São 12 temas principais e quatro pilares de atuação: Gestão Íntegra, Desenvolvimento Humano, Ecoeficiência e Soluções para Sustentabilidade, segundo o CEO.

Na esfera ambiental, que concentra os principais investimentos em valores, a Viveo planeja substituir a fonte de energia já renovável de suas fábricas e unidades pela geração a partir de biomassa, proveniente da madeira de eucalipto de reflorestamento. E adotar uma frota 100% composta por caminhões elétricos na Grande São Paulo em até três anos, em substituição aos modelos movidos a combustível fóssil, entre outras iniciativas.

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


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