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6 sinais de bolha no mercado de ações, segundo Ray Dalio

PUBLICADO EM: 29.6.21 | 9H10
Para sócio-fundador da Bridgewater Associates , impressão excessiva de dinheiro é elemento chave para formação de bolhas
Sócio fundador da Bridgewater Associates, Ray Dalio. Foto: Kimberly White/Getty Images for TechCrunch

Ray Dalio: sócio-fundador da Bridgewater (Getty Images for TechCrunch)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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A frase “cash is trash” (dinheiro é lixo), em referência ao excesso de dinheiro na economia, ficou famosa ao ser dita por Ray Dalio, sócio-fundador da Bridgewater Associates, no Fórum Econômico de Davos, no começo do ano passado. De lá para cá, os índices americanos S&P 500 e Nasdaq bateram sucessivos recordes, chegando a acumular respectivas altas de 32,8% e 61,6% desde o início de 2020. Dada a forte valorização das ações em meio à pandemia, Ray Dalio voltou a falar sobre os níveis de estímulos econômicos e alertou para sinais de bolha nas bolsas de valores. 

Em vídeo publicado no YouTube, o investidor afirmou que a impressão excessiva de dinheiro é elemento chave para a formação de bolhas no mercado de ações. “Tem muita liquidez que entra no mercado e isso significa gastar esse dinheiro fazendo subir todos os tipos de ativos”, afirma. 

Mas, ainda que a oferta de dólares esteja em um dos maiores patamares da história, próxima de 24% do PIB americano, Dalio descarta a possibilidade de o mercado como um todo estar numa bolha. No entanto, ele vê sinais claros de que algumas ações se encontram nessa situação, especialmente as ligadas a tecnologias emergentes. 

“Você tem que distinguir quais ações estão numa bolha e quais não estão.” Para isso, Dalio faz uma análise com base em seis critérios. 

1 - Os preços estão altos 

O fenômeno ocorreu na bolha da internet, em 2000, e nos anos 1920, antes da Grande Depressão. Por essa métrica, Dalio vê ações de tecnologias emergentes a um passo de se tornarem bolhas. Para chegar à conclusão, o investidor toma como base o rendimento dos títulos públicos americanos. “Os títulos estão 75x preço/retorno, Então, quando se pensa em ações, é razoável pensar em um múltiplo preço/lucro de 50x.” O preço /lucro das ações da Tesla, por exemplo, está em 671,8x, enquanto o da Apple, maior empresa do mundo em valor de mercado, está em 30x.

2 - Os preços estão descontando condições insustentáveis

“Isso significa que a natureza da compra, de quem está comprando e como essa demanda é abastecida não será sustentável, produzindo correção ou queda de preços”, explica. Para Dalio, esse critério indica que as ações de tecnologias emergentes estariam apenas “borbulhantes”, enquanto, no geral, o mercado estaria longe de uma bolha.

3 - Novos compradores entraram no mercado

A entrada de novos investidores, segundo o Dalio, pode ser um sinal de bolha. Embora o mercado de ações global tenha ganhado novos participantes, a situação, aponta, é ainda mais alarmante em ações de tecnologia. “Pessoas que nunca estiveram envolvidas [com o mercado] estão investindo”.

4 - Amplo sentimento “bullish” no mercado

Não ter determinado ativo “faz você se sentir burro”, diz. Pela análise do investidor, essa métrica já aponta para uma bolha em ações de tecnologias emergentes e uma situação “borbulhante” no mercado. 

5 - Compras estão sendo financiadas por alavancagem 

“Se alguém está comprando apartamentos [com dinheiro que] eles não têm, porque pensam que o preço está subindo”, exemplifica. De acordo com o fundador da Bridgewater, essa era a situação antes da crise do subprime e está ocorrendo com as ações de tecnologias emergentes. “Bolha”, classifica.

6 - Os compradores (investidores ou empresas) fizeram compras prolongadas

“Aqueles que usam commodities, ao invés de comprar para alguma utilidade, estariam acumulando em estoque para se proteger contra a alta dos preços”, diz. Isso, segundo Dalio, também fez parte da conjuntura do período anterior à crise do subprime, mas, de forma geral, não está ocorrendo hoje. 

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com


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