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Ações de construtoras disparam até 65% com eleição no Congresso; entenda

PUBLICADO EM: 4.2.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 4.2.21 | 6H07
Setor surfa em otimismo fiscal gerado por vitória de aliados do governo; juros longos chegaram a cair 8%
PDG Realty

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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A vitória de aliados do governo na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado trouxe bom humor para o mercado financeiro. Isso porque, na visão de investidores, deve haver menor tensão política entre Congresso e Planalto, além de um maior compromisso para a aprovação de pautas econômicas, como reformas e até privatizações. 

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Com a perspectiva favorável, o Ibovespa subiu por três pregões consecutivos. Um setor, no entanto, teve desempenho muito acima da média do mercado: o de construção civil. Enquanto o Ibovespa subiu 4% no período, o Índice Imobiliário da B3 (IMOB) avançou 6% desde as eleições no Congresso, na segunda-feira, 1.

Dentro do setor, as altas foram ainda mais expressivas. Em apenas três pregões, as ações da Gafisa (GFSA3) subiram 18,5%, liderando as altas do IMOB no período. Fora do índice -  que não permite empresas em recuperação judicial -, as ações da construtora PDG  (PDGR3) dispararam 41,8%.

“Essas fortes altas se devem à desinclinação da curva de juros motivada pela vitória do governo no Congresso. Isso dá uma melhor perspectiva de longo prazo e deixa mais barato o crédito imobiliário”, disse Henrique Esteter, analista da Guide.

Desde segunda, os juros futuros com vencimento em 2027 caíram 2%. A queda se deve à perspectiva de que a saúde fiscal do país irá se manter controlada, sem a necessidade de uma forte alta de juros no futuro.

“Isso já é um alívio relevante e faz com que haja maior potencial de aquisição de imóveis. Com os aliados do governo nas presidências da Câmara e do Senado deve haver um maior cuidado para que não tenhamos um desequilíbrio fiscal”, diz Marcio Loréga, analista técnico da Ativa. 

O fechamento da curva de juros  teve início ainda no começo da semana passada, quando o candidato do governo, Arthur Lira, começou a despontar como favorito na disputa na Câmara. Desde então, os juros com vencimento em 2027 despencaram 8%. No mesmo período, as ações da Gafisa acumularam 23,4% de alta, enquanto as da PDG chegaram atingir valorização acumulada de 64,8% na máxima do pregão de quarta-feira, 3. Helbor (HBOR3) e JHSF (JHSF3) subiram cerca 11%.

Fortes vendas

“O setor estava pegando fogo mesmo em meio à pandemia, apresentando resultados fortes. Agora, é o que mais se beneficia com a redução de riscos e possibilidade de aprovação de reformas”, diz Esteter.

Após registrar forte desaceleração nos primeiros meses de pandemia, o setor imobiliário foi um dos principais motores para a recuperação da economia brasileira no terceiro e quarto trimestre - período em que, para muitos, foi o ideal para comprar imóveis

Em 2020, a maior construtora residencial da América Latina, a MRV, atingiu vendas recordes em 2020, superando em 39,1% as de 2019 e em 43,8% as de 2018. E a empresa segue otimista, tendo feito o maior volume de lançamentos de sua história.

Espaço para altas?

Para, Loréga as ações de construtoras podem subir ainda mais. Parte dessa consideração se deve ao fato de que, embora o setor venha apresentando bons resultados, seus papéis estão em níveis inferiores aos do início do ano passado.

“Essas ações têm um espaço muito grande para andar. Graficamente, se ações da PDG [hoje em 7,97 reais], conseguirem superar os 10 reais, não seria surreal ela ir até 15 reais ou 17 reais.”, afirma Loréga.

Apesar da possibilidade de ganhos, o analista alerta que o cuidado tem que ser redobrado após os papéis passarem altas. “Com uma mudança brusca de cenário, elas podem cair da mesma forma. A ação não vai subir de forma contínua."

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Guilherme Guilherme

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