Exame Invest
Mercados

Ações do Assaí começam a ser negociadas na B3 nesta segunda; vale a pena entrar?

PUBLICADO EM: 1.3.21 | 8H08
ATUALIZAÇÃO: 1.3.21 | 10H40
Listagem ocorre após cisão da rede de atacarejo do grupo Pão de Açúcar; papéis serão negociados sob o código ASAI3
Assaí supermercado

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 5MIN

Nesta segunda-feira, 1, as ações da rede de atacarejo Assaí começam a ser negociadas no Novo Mercado da B3, sob o código ASAI3, depois de processo de cisão do grupo Pão de Açúcar (PCAR3). A companhia vai ser listada também na Bolsa de Nova York, com o ticker ASAI.  

Na última sexta-feira, após o fechamento do pregão, os acionistas do GPA receberam ações ordinárias do Assaí, na mesma proporção de sua participação no GPA. Considerando essa proporção de uma ação do GPA para uma ação do Assaí, o capital social do Assaí será composto por aproximadamente 268 milhões de ações.

Quer investir nas melhores pagadoras de dividendos da bolsa? Tenha acesso às recomendações dos especialistas da Exame Invest Pro

O leilão para definição do preço de estreia ocorrerá a partir das 9h45 de hoje na Bolsa, com transmissão pelo canal oficial da B3 no Youtube.

O que esperar pós-cisão?

No curto prazo, as ações do Pão de Açúcar podem sofrer uma pressão vendedora, com investidores podendo migrar da posição de Pão de Açúcar para Assaí, disse o analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos

“O Assaí é o segmento que mais cresce. Não somente dentro do grupo Pão de Açúcar, mas também se olharmos para o Carrefour (CRFB3), com sua marca de atacarejo Atacadão, que é de longe o negócio que mais avança. O mercado tem se atraído para esse segmento, ainda mais em um momento de pandemia. Mesmo em meio a essa situação, vimos o segmento manter solidez em termos de resultado, operação”, comentou.

No quarto trimestre do ano passado, o primeiro balanço separado após a cisão do grupo GPA, o Assaí mostrou lucro líquido de 299 milhões de reais, alta de 31% frente ao mesmo período de 2019. No acumulado do ano, o lucro foi de 1,0 bilhão, avanço de 25%. 

As vendas brutas somaram 11,67 bilhões no trimestre, crescimento de 33% na comparação anual. Em 2020, atingiram 39,4 bilhões de reais, aumento de 30%.

No entanto, Esteter aponta que, por mais que possa haver uma pressão vendedora no curto prazo, acredita que há também valor a ser destravado para os papéis PCAR3

“Hoje, se você colocar um múltiplo aproximado do Grupo Mateus (GMAT3) para os ativos de Assaí, verá que o grupo Pão de Açúcar negocia como se nada mais tivesse valor, apenas o segmento de atacarejo e não deveria ser assim”. 

“Esperamos que, a partir de hoje, com a listagem do Assaí, haja uma percepção mais clara nesse sentido. Então, vemos com bons olhos um posicionamento tanto direto em Assaí quanto em Pão de Açúcar, via ações PCAR3”, disse Esteter. 

No mesmo sentido, Pedro Serra, gerente de análise de ações da Ativa Investimentos, comentou que vê com bons olhos a cisão, acreditando que, com a operação, o mercado vai poder precificar melhor quanto vale o Assaí, assim como poderá precificar melhor também o valor de Pão de Açúcar em Bolsa, que, na sua visão, está descontado. A corretora têm ações do Pão de Açúcar na carteira recomendada.

"O Pão de Açúcar tem um grande desafio. Vai ficar com os supermercados tradicionais, que sempre tiveram uma necessidade de se reinventar. O formato de hipermercado do Extra tem sido de certa forma colocado em xeque, porque tem perdido espaço para o atacarejo. Até por isso o grupo fez investimento nesse segmento. No entanto, eles têm se mexido", comentou.

Entre as iniciativas, ele comentou que, na semana passada, o GPA confirmou que está em conversas para a venda de itens de supermercado no Mercado Livre. A ideia é ganhar market share nas vendas online, que foram intensificadas com a pandemia.

O grupo decidiu também não usar apenas o James Delivery para a entrega final de produtos ao cliente e está contatando outros aplicativos, como Uber Eats e iFood, entre os maiores. Nos últimos dias, fez as primeiras vendas pelo Rappi.

Além disso, o balanço do Pão de Açúcar do quarto trimestre, já excluindo os números do Assaí, foi bem recebido pelo mercado. O grupo reportou lucro líquido de 1,6 bilhão de reais no período, crescimento de 1.604% frente ao observado no mesmo trimestre de 2019. A receita líquida atingiu 14,8 bilhões de reais, alta de 58,4% na mesma base de comparação.

"O resultado resiliente corrobora com a nossa visão de bom momento operacional para varejo de alimentos, o que somado à cisão do Assai e valuation atrativo reforçam nossa recomendação positiva para o papel", escreveram os analistas do BTG Pactual em relatório da semana passada, pós-divulgação do balanço.

Eles estimam uma receita líquida total de 54,5 bilhões de reais para Pão de Açúcar em 2021 (considerando multivarejo mais Éxito) e um lucro líquido de 500 milhões de reais no mesmo período. Para Assaí, a projeção é de receita de 44 bilhões de reais este ano e lucro líquido de 1,3 bilhão de reais.

Em outro relatório, os analistas do BTG comentaram que, assumindo um múltiplo preço sobre lucro (P/L) para GPA este ano de 12 vezes (ou 29% menor do que a mediana global para varejistas de alimentos, que é de 17 vezes) e de 18 vezes para Assaí (o que representa um desconto de 10% para o Grupo Mateus), as duas empresas combinadas deveriam valer 29,4 bilhões de reais.

O montante corresponde a um potencial de valorização de 29% para as ações PCAR3 com base no preço da ação do começo de fevereiro, data em que o relatório foi divulgado. Dos 29,4 bilhões de reais, eles projetam 23,4 bilhões de reais para Assaí e 6 bilhões de reais para Pão de Açúcar.

Na mesma linha, os analistas do Bank of America escreveram, em relatório, que esperam que "a cisão crie um impulso para as ações", e acreditam que "o valor de escassez do Assaí e perspectivas de crescimento devem levar a um valuation mais alto dos seus pares regionais listados".

Além disso, eles apontaram que a parte remanescente de Pão de Açúcar também tem reportado fortes ganhos no Brasil, com um balanço desalavancado e perspectivas de reformulação em seu modelo, assim como potenciais desinvestimentos. "Esses fatores combinados parecem apoiar também fortemente o valuation dos papéis", comentaram.

O Bank of America tem recomendação de compra para os papéis PCAR3, com preço-alvo em 100,00 reais, o que corresponde a um potencial de valorização de 46% frente ao último fechamento.

Na última sexta-feira, as ações do Pão de Açúcar fecharam em queda de 2,06%, em 83,00 reais, versus uma baixa de 1,98% do Ibovespa no mesmo pregão. No ano, acumulam alta de 10,59%, contra queda de 7,55% do índice.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame