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AgroGalaxy desaba 23% em estreia na B3; veja o que pode explicar a queda

PUBLICADO EM: 26.7.21 | 21H01
ATUALIZAÇÃO: 27.7.21 | 0H04
Empresa do agronegócio, que faria IPO inicialmente em março, movimentou R$ 350 milhões em IPO; ação foi precificada no piso da faixa indicativa
IPO AgroGalaxy

Sócios e executivos da AgroGalaxy na cerimônia de estreia da empresa na B3, nesta segunda-feira, 26 de julho | Foto: Cauê Diniz/EXAME

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Depois de uma reviravolta na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), inicialmente planejada para março deste ano, as ações da AgroGalaxy (AGXY3), empresa de insumos agrícolas e serviços voltados ao agronegócio brasileiro, estrearam na B3 nesta segunda-feira, 26. Os papéis fecharam em baixa de 22,55%, cotados a 10,65 reais, depois de uma precificação no piso da faixa indicativa, que se estendia de 13,75 reais a 16,50 reais.

Em março, a companhia pretendia realizar seu IPO sob os termos da Instrução CVM 400, que envolvia inclusive uma tranche secundária -- em que acionistas atuais vendem suas ações -- e que poderia movimentar até 1,2 bilhão de reais, considerando o piso da faixa indicativa daquela ocasião, que se estendia de 15,00 reais a 20,00 reais. No entanto a operação foi adiada, com a empresa alegando a deterioração das condições de mercado.

A oferta foi realizada neste mês de julho e concluída na semana passada, mas sob os termos da Instrução CVM 476, em que apenas investidores profissionais (aqueles com mais de 10 milhões de reais aplicados) podem participar. Movimentou cerca de 350 milhões de reais, mediante a emissão de 25.454.545 ações ordinárias.

Segundo Danielle Lopes, sócia da Nord Research, sob a ótica dos fundamentos, a casa de análise independente não tinha conforto em recomendar a compra das ações da companhia em março, quando estudaram a oferta. E continuaram optando por ficar de fora do case de investimento. "Mesmo que as ações tenham caído agora e ainda que voltem a subir, seguimos não achando a tese interessante para investimento no longo prazo por fundamentos", disse.

A analista explica que a empresa tem um modelo de negócios em que financia pequenos e médios produtores, principalmente das culturas de soja e milho, que podem pagar ao longo do tempo com a produção dos grãos.

"Não achamos interessante porque a companhia acaba ficando exposta a mudanças climáticas, pragas, entre outros, que consequentemente, podem afetar os pagamentos desses produtores", comentou.

A analista apontou ainda que, embora o cenário para o agronégocio no país continue a se mostrar promissor, o modelo de negócios da empresa tem margens baixas, endividamento elevado e inconsistência dos resultados.

Um gestor de ações que pediu anonimato comentou também que o book da oferta (as ordens de reserva) da companhia foi fraco, o que pode ter contribuído para esse desempenho na estreia.

Do ramo de insumos agrícolas, a AgroGalaxy espera utilizar até 40% dos recursos levantados na B3 para aquisições, enquanto outros 20% devem ser destinados para a modernização de suas unidades de produção.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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