Exame Invest
Mercados

Aliansce Sonae lidera rodada no Box Delivery, de entrega ultrarrápida

PUBLICADO EM: 18.8.21 | 10H10
ATUALIZAÇÃO: 18.8.21 | 11H10
Startup que faz mais de 500 mil entregas por mês opera com modelo alternativo ao de apps de marketplace como iFood e Rappi, cedendo inteligência de dados para restaurantes
A diretoria da startup Box Delivery

Executivos da Box Delivery (a partir da esq.): Denis Lemela (diretor de Tecnologia), André Ottoni (diretor comercial), Alexandre Kaminome (diretor financeiro), Leandro Verdelho (diretor operacional) e Felipe Criniti (CEO) | Foto: Divulgação

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

A corrida pela entrega mais eficiente -- e mais rápida -- no chamado last mile, o trajeto que separa o ponto de distribuição dentro das cidades até a casa do cliente, está cada vez mais acirrada. A Aliansce Sonae (ALSO3) acaba de liderar uma rodada Series A de investimento que, com outros aportes, chega a 30 milhões de reais na Box Delivery, uma das maiores startups do país especializadas em entregas rápidas e ultrarrápidas (em até 30 minutos).

Junto com o investimento, a Aliansce Sonae cria uma unidade de negócios que pretende unir a plataforma e os canais digitais do maior grupo de administração de shoppings do país (com 39 empreendimentos) com as lojas físicas. É a estratégia "figital", expressão que se torna cada vez mais recorrente.

A Alsotech terá como sócio German Quiroga, um dos grandes especialistas em e-commerce no país, ex-CEO da Nova Pontocom, a empresa de comércio eletrônico do GPA (PCAR3) com a Via (VVAR3, ex-Via Varejo) no início da década passada.

A Box Delivery é uma startup fundada em 2016 em Santos pelo empreendedor Felipe Criniti. Já se tornou uma das maiores logtechs do país, que realiza mais de 500 mil entregas mensais para cerca de 6.000 estabelecimentos em mais de 150 cidades, por meio de uma frota com mais de 105.000 entregadores na base. O faturamento previsto para este ano é de 85 milhões de reais.

A sua base de clientes inclui grandes redes como McDonald's, RD (RaiaDrogasil), Madero, Swift e Spoleto. Um dos investidores iniciais da Box Delivery é justamente o Grupo Trigo, um dos maiores players do país no setor de food service, dono não só do Spoleto como das redes Gurumê, Koni Store, LeBonton e das marcas 100% digitais do Trigo Labs.

O negócio de entregas rápidas e ultrarrápidas é uma das novas frentes de vantagens competitivas no mercado de e-commerce: há um mês, o Magazine Luiza (MGLU3) anunciou a aquisição da Sode, que atua nesse segmento. Mercado Livre, Amazon e Americanas (AMER3) também anunciam ações para reduzir o tempo de entrega para uma base de clientes cada vez maior.

Com a rodada, o plano é acelerar a expansão: dobrar o número de cidades atendidas e quase triplicar as receitas em 2022, para 250 milhões de reais, chegando a 40 milhões de entregas, de refeições a celulares e TVs.

O Box Delivery opera com um modelo que guarda semelhanças, mas tem diferenças relevantes em relação ao adotado por aplicativos de entrega que se transformaram em marketplace de produtos e serviços diversos, como iFood, Rappi e Uber Eats, para citar as três mais conhecidas.

A startup não aparece para o cliente final, que faz o pedido por meio do app do restaurante, da rede ou até mesmo dos apps com ecossistema acima citados. O Box Delivery faz integração dos sistemas de gestão com a sua plataforma, identificando os meios para que a entrega seja realizada em até 30 minutos.

"É um modelo que permite que as marcas invistam em seus próprios apps, com independência para capturar os dados transacionais, como preferência, recorrência etc., e com isso possam fazer ofertas mais assertivas", disse Tom Moreira Leite, CEO do Grupo Trigo, para a EXAME Invest.

No modelo de iFood, Rappi e Uber Eats, a riqueza dos dados dos pedidos dos consumidores fica com os próprios aplicativos, que os utilizam como um de seus principais ativos para monetizar o negócio.

"Vamos lançar em setembro uma plataforma para consolidar os dados de pedidos dos agregadores, levando mais inteligência ainda para os restaurantes", revelou Felipe Criniti para a EXAME Invest.

O empreendedor afirma que os recursos da rodada serão utilizados para investimento em tecnologia, a criação de hubs logísticos nos shoppings da Aliansce Sonae e para reforçar a estratégia de incentivos para fidelizar a base de entregadores, de educação financeira a ações de inclusão dos profissionais no mercado de trabalho.

Moreira Leite, do Grupo Trigo, cita ainda outro ponto que considera estratégico e vantajoso no modelo do Box Delivery. O take rate, que é a taxa que empresas que fazem a intermediação dos pedidos e as entregas cobram, é menor que a dos grandes players acima citados. Isso se transforma em margem para a rede ou o restaurante ou em capacidade de baixar os preços para o consumidor final e, por tabela, ganhar escala com vendas maiores.

O investimento da Aliansce Sonae em uma vertical de entregas reflete o modelo cada vez mais predominante de omnichannel, integrando plataformas de e-commerce com o estoque de lojas físicas. No caso de shoppings, é um modelo também adotado pela Multiplan (MULT3), que é uma das acionistas da Delivery Center.

O Iguatemi (IGTA3), a JHSF (JHSF3) e a Almeida Junior são outros dos grandes grupos de shoppings do país com iniciativas no modelo de omnichannel, integrando as lojas físicas com plataformas de e-commerce.

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame