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Arco compra edtech Eduqo por R$ 30 mi e dá saída a VC pioneiro

PUBLICADO EM: 26.8.21 | 9H21
ATUALIZAÇÃO: 27.8.21 | 8H52
Negócio marca saída dos VCs brasileiros Plataforma Capital e Crescera Capital, que investiram na startup na década passada; Plataforma multiplicou por 10 o capital investido
Thiago Feijão, Mateus Noronha e Gabriel Melo (a partir da esquerda), sócios-fundadores da Eduqo, startup que acaba de ser adquirida pela Arco Educação | Foto: Eduqo/Divulgação

Thiago Feijão, Mateus Noronha e Gabriel Melo (a partir da esquerda), sócios-fundadores da Eduqo, startup que acaba de ser adquirida pela Arco Educação | Foto: Eduqo/Divulgação

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



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A Arco Educação acaba de adquirir a edtech Eduqo, uma das principais startups do país no segmento, dos seus sócios-fundadores, do fundo de venture capital (VC) Plataforma Capital e da Crescera Capital (ex-Bozano Investimentos). O valor da operação ficou em 30 milhões de reais, segundo comunicado da Arco enviado à SEC (Securities and Exchange Commission, o órgão regulador do mercado americano, onde a empresa está listada). Mas pode chegar a 50 milhões de reais com a cláusula de earn-out condicionada ao cumprimento de metas.

A Eduqo foi fundada em 2011 pelos empreendedores Mateus Noronha, Thiago Feijão e Gabriel Melo no alojamento do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em São José dos Campos, onde estudavam. O nome do projeto era Quadrado Mágico.

Eles e outros alunos do ITA desenvolveram um sistema digital de gestão de aprendizagem (LMS, na sigla em inglês) que conecta estudantes e professores com o conteúdo e faz uso de inteligência de dados para a personalização do ensino de acordo com as necessidades de cada aluno. O resultado: maior engajamento e eficiência no aprendizado.

Com a pandemia e as restrições para o ensino presencial, a Eduqo ganhou escala e quadruplicou de tamanho.

A Eduqo já tinha a Arco como principal cliente, como fornecedora de sistemas de ensino para 2.000 das 5.400 escolas atendidas pela companhia (a Arco atende mais de 1,3 milhão de estudantes).

O negócio é avaliado também como uma acquihire, termo que define que, além das soluções tecnológicas, a Arco está levando os sócios-fundadores e os talentos da Eduqo para impulsionar a sua estratégia digital. Além disso, o negócio vai permitir que a Arco entre em concorrências para fornecer livros digitais para o governo.

Capital multiplicado por 10

A venda da participação na Eduqo representa uma nova saída realizada com êxito pela Plataforma Capital, que é considerado o primeiro fundo de VC do país, fundado em 1999 pelo experiente investidor Anibal Messa. O capital foi multiplicado por 10 em relação ao investimento inicial na Eduqo em 2015.

Há dois meses, a Plataforma concluiu a saída um investimento por meio do IPO da Sprinklr, uma startup americana de software, na Bolsa de Nova York. A Sprinklr havia adquirido do fundo brasileiro a Scup, empresa de gestão e monitoramento de redes sociais, em 2015. Foi o primeiro exit de um VC brasileiro via IPO em Nova York, com o capital sendo quadruplicado em relação ao aporte original.

A Plataforma Capital conta cerca de 15 empresas no seu portfólio de investidas. Messa e os sócios Antonio Prado e Ricardo Fuzaro estão no momento levantando um fundo de 400 milhões de reais para investir em startups no conceito de cross-border VC, ou seja, que tenham modelos replicáveis em diferentes países.

Messa foi um dos pioneiros do VC no Brasil no fim da década de 1990, recém-egresso da Booth School of Business, da Universidade de Chicago. Fundou a e-Plataform Partners em novembro de 1999.

Um de seus primeiros investimentos e grande case de sucesso foi o Buscapé, que se tornou o maior site de comparação de preços do país. Foi um aporte no estágio inicial da então startup que se multiplicou por 50 na venda para o grupo sul-africano Naspers em 2009.

Messa foi também diretor da Temasek Holdings, fundo soberano de Cingapura, tendo sido responsável pelo investimento na Netshoes, a primeira startup do país a abrir o capital em Nova York.

Avanço da Arco Educação

A Eduqo é a terceira aquisição relevante neste ano da Arco Educação, que atua com soluções educacionais voltadas para o Ensino Básico (Infantil, Fundamental e Médio). Em março, a companhia pagou 920 milhões de reais pelos sistemas de ensino COC e Dom Bosco, que pertenciam à britânica Pearson.

No mesmo mês, comprou a startup Me Salva!, um cursinho online no modelo B2C cujo público é formado por alunos de escolas públicas, o que permitiu à empresa entrar em um mercado estimado em 5 bilhões de reais.

Fundada em 2006, a Arco Educação acelerou o crescimento nos últimos anos. Em 2018, abriu o capital na Nasdaq, movimentando 194,5 milhões de dólares (cerca de 780 milhões de reais no câmbio da época). As ações chegaram a disparar cerca de 240% até o início de 2020, mas recuaram ao longo da pandemia.

A companhia de origem cearense foi fundada pelo empreendedor Ari de Sá Neto, cuja família tem tradição no ramo de educação. O colégio Ari de Sá, fundado em 2000 com o nome do seu avô, é uma referência em Forteleza. A Arco Educação se especializou em soluções para o ensino básico, desenvolvendo o sistema SAS.

Há dois anos, a Arco comprou por 1,65 bilhão de reais o Positivo, então a marca líder no país em número de alunos.

 

 

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


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