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As favoritas da Bolsa para 2021, segundo 6 gestores de ações

PUBLICADO EM: 5.1.21 | 10H05
ATUALIZAÇÃO: 1.4.21 | 14H29
Ações que saíram como perdedoras da crise, como do setor de consumo e industrial, aparecem entre as principais apostas para o ano; destaque também para os papéis de commodities, frigoríficos e elétricas
Bolsa de Valores

(REUTERS)

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Depois da alta de 26,7% do Ibovespa nos últimos dois meses de 2020, que levou o índice a fechar o ano passado no positivo, o mercado acredita que parte do cenário mais promissor para uma recuperação da economia, diante de perspectivas com início de campanhas de vacinação, já esteja em parte precificado. No entanto, os juros em patamares ainda baixos e excesso de liquidez no mundo devem manter o apetite ao risco dos investidores em níveis elevados, dando espaço adicional para mais ganhos dos papéis brasileiros, apontam seis gestores de ações em entrevista à EXAME Invest

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No geral, os gestores da Moat Capital, Fator Administração de Recursos, MOS Capital, Athena Capital, HIX Capital e Neo Investimentos, consultados pela reportagem, veem um cenário positivo para Bolsa, principalmente para “stock picking” (seleção de ativos com potencial de superar a média do mercado), acreditando que algumas ações que saíram como perdedoras da crise estão muito descontadas, como empresas dos setores de consumo e industrial. Todas as seis casas citaram pelo menos uma ação de um desses dois setores como aposta para 2021. 

Por outro lado, como não descartam possibilidade de volatilidade adicional neste início de ano, papéis ligados a commodities, como mineração e siderurgia, que ganham com o dólar e preço do minério e aço em alta, e/ou de frigoríficos, diante da forte demanda da China por carne bovina, também apareceram como alternativas interessantes em 3 dos portfólios. 

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Ainda entre as teses mais mencionadas, três gestores apontaram oportunidades em elétricas. Embora não tenham sido nem prejudicadas nem beneficiadas pela pandemia, os papéis desse setor sofreram forte desvalorização no auge da crise, mas não participaram da recuperação do mercado e agora estão em ponto atrativo de preços, comentaram, além de serem favorecidos por um cenário de juros baixos. 


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Confira abaixo os principais destaques das entrevistas com os gestores da Moat Capital, Fator Administração de Recursos, MOS Capital, Athena, HIX e NEO Investimentos e suas principais teses para 2021:

Cássio Bruno, sócio e gestor da Moat Capital

De certa maneira, a Bolsa já precifica esse cenário de juros baixos, o que puxou os múltiplos de empresas de crescimento e agora os preços de ações de commodities. Mas achamos que os juros devem seguir baixos até o primeiro trimestre do ano que vem, o que deve continuar beneficiando o Brasil e as empresas de commodities.

Não estamos com cenário tão pessimista quanto ao teto dos gastos. Acreditamos que o risco fiscal não seja tão de curto prazo. O risco é um cenário de aumento de juros no âmbito global, mas não vemos o Federal Reserve subindo os juros tão cedo.

A economia continua se recuperando, mas temos receio em relação ao fim do auxílio emergencial, o que prejudica papéis de consumo, que dividimos entre discricionários, que são considerados os bens não essenciais, e os serviços mais do cotidiano, ou essenciais, como remédios e supermercados.

Nossa leitura é que, com vacinas, a vida voltando à normalidade, alguns papéis de consumo discricionário, que foram muito beneficiados pelo coronavoucher e tendência secular de migração para o e-commerce, devem sofrer um pouco mais, enquanto alguns de consumo mais essenciais, que estão muito baratos, podem ter espaço para subir, como Hypera (HYPE3), que negocia abaixo de 3 vezes o lucro estimado para o ano que vem -- patamar que nos deixa muito confortáveis com as ações. No mesmo setor, gostamos também de Carrefour (CRFB3).

Olhando um pouco mais para ativos que ganham com o câmbio em alta, consideramos como atrativos os papéis de BRF (BRFS3). A empresa teve uma gestão complicada nos últimos anos, mas o CEO atual, Lorival Luz, tem feito um bom trabalho, ajustando a rota para transformar a companhia menos em commodities e mais em alimentos. Acreditamos que o papel mereça ser negociado a múltiplos mais elevados e a empresa ainda está muito barata em Bolsa. No mesmo setor, vemos como interessante também JBS (JBSS3).

 Adicionalmente, com a redução do risco fiscal no Brasil e consequente queda dos juros longos, que acreditamos ser uma tendência, devemos ver a reprecificação de papéis ligados à Selic. Nesse caso, vemos como interessante CCR (CCRO3) e Neoenergia (NEOE3). 

Sobre Neoenergia, a ação já era barata em Bolsa pré-leilão de privatização da distribuidora de energia CEB-D (CEBR3) e pós-leilão, que ocorreu no começo deste mês e a companhia saiu como vencedora, o papel caiu ainda mais, com o mercado questionando a gestão da empresa. Acreditamos que o movimento foi injustificado, dando uma boa chance de se posicionar na ação. Vemos bastante assimetria a esses preços. Ainda no setor elétrico, gostamos também de Alupar (ALUP11). A empresa é forte geradora de caixa e tem diversos projetos de transmissão em implementação, que devem gerar mais valor futuramente.

Dentro das concessionárias de rodovias, também gostamos de Ecorodovias (ECOR3). Vemos muitas oportunidades no setor. Os papéis estão bem baratos. Caíram muito por conta da pandemia e têm taxa interna de retorno (TIR) acima de 8%-9%, além de uma série de opcionalidades, como a questão dos reequilíbrios dos contratos de concessão. Gostamos muito do setor de infraestrutura e o mercado ainda o precifica muito mal.

Por último, gostamos ainda de Petrobras (PETR4). Com o mundo voltando à normalidade, o consumo de petróleo deve retomar, ao passo que a oferta da commodity segue muito controlada. 

Daniel Utsch, gestor da Fator

O mercado é sempre volátil, mas estamos trabalhando com um cenário de que os primeiros meses do ano vão reservar uma volatilidade bem acima da média histórica, de olho em três pontos centrais: um) troca de presidência nos Estados Unidos. O mercado vai querer ver o que Joe Biden vai fazer. Uma coisa é discurso para ganhar eleição e outra é como ele vai executar; dois) segunda onda de covid e cronograma de vacinação. Os Estados Unidos e alguns países da Europa já começaram a aplicar as primeiras doses, mas a capacidade de imunização ainda é uma dúvida; três) como será o comportamento do consumidor no mundo pós-covid. Ainda é muito difícil de entender, mas, pelo que estamos estudando, parece que as pessoas estão sim com vontade de consumir.

Olhando para temas mais domésticos, precisamos saber o que vai acontecer com o auxílio emergencial, quem assumirá a presidência de Câmara e Senado, o que vai ser pautado sobre reformas e como ficará a interlocução com o governo. O grande risco entre todos esses temas seria uma trajetória fiscal que estrague esse momento de juros baixos no Brasil. Junto a isso, tem também a questão inflacionária, Tivemos um choque muito relevante nos preços e foi originado por questões bem diferentes. Além da apreciação do dólar, há uma escassez de oferta de uma parcela dos produtores que se planejaram para uma demanda menor, que não ocorreu. Depois de ver um IGP-M explosivo, todos vão ficar de olho nos primeiros meses do ano que vem em como será o comportamento do IPCA, principalmente para a inflação de serviços, se ela vai se movimentar com esses choques ou não.

Ainda assim, apesar desses riscos e a Bolsa encostando nos 120 mil pontos, com parte do cenário positivo já precificado, não nos parece que as ações estejam sobrevalorizadas. Vemos 2021 muito mais como um momento para "stock picking", acreditamos que ainda há muitos ativos com potencial de alta bastante expressivos.

Citando algumas teses, vemos assimetria favorável em alguns setores que foram perdedores em 2020, como varejo de vestuário. Essas empresas ainda estão sofrendo bastante, mas passaram por transformações internas muito relevantes, enquanto competidores menores sofreram muito mais do que elas. Nessa lista, gostamos de Lojas Renner (LREN3), Lojas Marisa (AMAR3), Guararapes (GUAR3) e C&A (CEAB3). Temos duas dessas quatro ações. Como temos uma rotatividade elevada na carteira, podemos falar daqui umas semanas, meses e termos adicionado as demais, por isso, prefiro não mencionar especificamente. 

No setor de alimentos, temos IMC (MEAL3) e Burguer KIng. A venda online no food service não é extremante relevante como em serviços, vestuário, mas acreditamos que vai continuar e, com a retomada das lojas físicas, essas empresas vão ganhar participação de mercado. Alternamos também bastante a posição entre elas.

Ainda entre os setores mais impactados, temos posição na empresa de turismo CVC Brasil (CVCB3) e gostamos de Iochpe-Maxion (MYPK3) e Marcopolo (POMO4). Enxergamos oportunidades entre os maiores perdedores da crise.

 Na parte de construção civil, estamos bem animados, o setor vive um bom momento com juros baixos no país. Ainda que a Selic venha a subir no ano que vem, não será o suficiente para desestimular a compra de imóveis, na nossa opinião. Vemos potencial de valorização em Eztec (EZTC3), Even (EVEN3) e Helbor (HBOR3), hoje nossa maior posição.

Vemos também assimetria relevante nas ações de telecomunicação. É um setor difícil de entregar rentabilidade ao acionista, mas acreditamos que há duas avenidas de crescimento, com fusões e aquisições -- tendo como exemplo o fatiamento da Oi (OIBR3) e o que isso vai gerar de valor para a empresa e seus compradores --, além do segmento de fibra óptica, que tem muito espaço para expansão.

Para balancear com os setores que são mais impactados pelo cenário macro, também gostamos de alguns papéis considerados mais "antifrágeis", ou mais defensivos. Vemos como interessante o setor de mineração e siderurgia, com o minério nesse patamar atual, dólar em alta e cotação de aço em preço excepcional. Entre os nomes, gostamos de Vale (VALE3), CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4). Particularmente, CSN e Usiminas temos visão mais positiva sobre o potencial de valorização.

Do lado dos frigoríficos, continuamos a ver um cenário bastante promissor para Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3), puxado pelo preço da carne bovina e exportação para a China.

Destaco também três cavalos para o lado de e-commerce: Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3) e Via Varejo (VVAR3), especialmente as duas últimas. Mas vale a ressalva de que, como temos um giro alto na carteira, há a possibilidade de voltarmos a falar daqui a três meses e tudo ser diferente.

Fernando Fanchin, sócio e gestor da MOS Capital

Estamos mais para indiferente em relação à Bolsa do que otimista ou pessimista. 

Já estivemos mais conservadores em agosto, depois que o mercado se recuperou de uma forma muito rápida dos patamares de março e abril. Naquele momento, estávamos mais cautelosos também porque não víamos uma visibilidade de retomada econômica e vacinas. Agora, com vacinas, entendemos que vamos ter um ano de mais normalidade pela frente, o que vai produzir resultados melhores para a maior parte das empresas. No entanto, o mercado já se ajustou a essa realidade, boa parte por conta da forte entrada de fluxo estrangeiro nos últimos meses na B3. 

Não achamos que o valuation esteja tão atrativo, até porque se avaliarmos a situação das contas públicas, com a inflação podendo incomodar este ano, falta de reformas, essas são questões que nos deixam menos otimistas em relação ao cenário pela frente. Ainda assim, os investidores brasileiros estão sem alternativas. Isso ficou claro na crise, com locais bem resilientes porque o custo de oportunidade baixou muito no país. O investidor não tem muito para onde correr e vai para Bolsa.

Estamos com uma visão mais neutra para o mercado, vendo uma certa acomodação nos preços.

Falando sobre alocação de capital, não trocamos muito de ações na carteira. Se temos uma determinada empresa com boas perspectivas e valuation atrativo, aumentamos a alocação. Se achamos que as condições pioraram, diminuímos. Somos mais ativos no tamanho do que nas posições

Dito isso, dos 12 papéis em carteira atualmente, nossa principal posição é Rumo (RAIL3), com 12% do peso do portfólio. Temos alta convicção na ação. A empresa, que aparece como a melhor alternativa para escoar grãos para exportação do Mato Grosso, teve um ano difícil, por conta da queda do preço do diesel, que fez com que perdesse espaço para os caminhões. No entanto, ela tem uma excelente posição competitiva e de reação, até por conta dos seus controladores, o grupo Cosan, e já está se mexendo.   

Além disso, vemos a ação negociando a IPCA mais 8% a 9%, enquanto títulos do governo para prazos equivalentes oferecem IPCA mais 4%. Achamos que para ganhar mais 4 a 5 pontos percentuais, é um retorno atrativo. Aumentamos posição esse ano no papel, em fevereiro, março, abril e mais recente em setembro/outubro. Acreditamos que pode produzir bons retornos.

Outra empresa que vemos uma capacidade de geração de valor excepcional e que está bastante descontada em Bolsa é a M.Dias Branco (MDIA3). A empresa está operando a uma margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) de 10% a 12%, enquanto deveria fazer entre 15% e 16%. Achamos que, a partir do ano que vem, com a acomodação do preço do trigo tanto em dólar quanto em reais, a companhia vai conseguir expandir sua margem.

Adicionalmente, os papéis estão baratos, sendo negociados com um múltiplo Preço/Lucro estimado para 2021 em 13,5 vezes, ou 20% inferior em relação à mediana histórica. 

Por fim, de olho em uma retomada econômica global, destaco também a ação da Iochpe-Maxion (MYPK3). Embora tenha alma brasileira, a companhia, maior produtora de rodas do mundo, tem fábricas na Europa e Estados Unidos e está crescendo agora também na Ásia, com operações na China e Índia. O Brasil representa 20% do negócio. 

Caso a companhia consiga retomar seu nível de produção de 2019 entre 2021 e 2022, o papel, que está muito descontado na Bolsa, tem potencial para dobrar de tamanho. Para aqueles que querem um pouco mais de risco na carteira, mais emoção, vemos essa como uma boa alternativa.

André Vainer, co-fundador e gestor Athena Capital

Acreditamos que um dos assuntos de grande relevância em 2021 será a correção das distorções geradas pelos movimentos do mercado em 2020. Tivemos um ano marcado pela pandemia em que setores e empresas foram divididos de forma simplista entre beneficiados ou prejudicados pelo evento. Ao focar nesse aspecto, a diferenciação entre empresas e a competição dentro de cada setor acabaram sendo pouco observados.

Acreditamos que conforme voltamos gradualmente a um funcionamento mais normalizado da economia essas distorções ficarão mais evidentes e os preços irão se ajustar aos resultados das empresas. Companhias de qualidade, em setores que passaram por dificuldades, tendem a aumentar sua participação de mercado, seja de forma orgânica ou por aquisições.

Nesse sentido, destacamos Natura (NTCO3)um dos maiores grupos de cosméticos do mundo, mas ainda com presença irrelevante nos dois maiores mercados do mundo, Estados Unidos e China, o que nos deixa otimista em relação a ganhos de participação de mercado global. Além disso, o grupo vem executando bem sua proposta multicanal e apresentado boas evoluções em relação as sinergias da Avon, que já teve suas perspectivas revisadas para cima duas vezes.

Também enxergamos oportunidades em vários ativos que não foram nem prejudicados nem beneficiados pela pandemia. O setor elétrico é um bom exemplo, pois ele participou da desvalorização ocorrida no início da pandemia, mas não acompanhou o movimento de recuperação. Dada a desvalorização significativa sem impacto relevante nos resultados, tais ativos atualmente estão em um dos pontos mais atraentes de retorno dos últimos anos.

Nesse caso, gostamos de Cesp (CESP6), geradora de energia elétrica renovável, que, apesar de não ter sofrido com a pandemia, viu suas ações se desvalorizarem 0,93% em 2020 (contra alta de 2,92% do Ibovespa). Consideramos que o movimento gerou uma oportunidade de entrada com desconto em uma empresa resiliente e com  forte geração de caixa e potencial de dividendos.

Rodrigo Heilberg, sócio-fundador e gestor da HIX Capital

Ainda achamos que o Ibovespa está barato, continua a preços bastante atraentes, num cenário-base em que o governo mantenha a disciplina fiscal. 

Vemos empresas com oportunidades muito interessantes de preços. Não reduzimos posição, o risco do portfólio, com essa alta do último mês. Estamos com 5% de caixa, patamar que deixamos quando estamos mais otimistas. 

Entre os papéis da carteira que vemos com os maiores potenciais para o ano que vem, destaco Eneva (ENEV3), SulAmérica (SULA11) e Centauro (CNTO3). Mas esses são ativos que temos posição há mais tempo. Entre as mais novas, a Light (LIGT3). E também temos duas pimentas no portfólio, os papéis da Sinqia (SQIA3) e d1000 (DMVF3)

 Sobre Eneva, gostamos da ação há bastante tempo. A empresa tem um time de gestão muito bom, competente e está inserida em um setor que o Brasil precisa de muito investimento, que é o de energia. Acreditamos que terão oportunidades de investimentos bem relevantes nos próximos anos. A companhia tem uma característica interessante porque produz energia através do gás natural que ela mesmo extrai e, com isso, tem margens muito boas. Achamos que a empresa vai conseguir adicionar capacidade de geração consistente por bastante tempo. Essa já foi um dia uma história de turnaround (reestruturação), precisou melhorar a gestão, mas hoje é uma empresa redonda, com muito potencial de crescimento. Tem tanto potencial de crescimento que o preço atual não é um empecilho tão grande. Em 2020, as ações subiram 42%.   

Em relação à SulAmérica, estamos bem animados. A ação está bem barata e tem um potencial de crescimento muito bom pela frente. A empresa é líder no seu setor de atuação, o de seguro de saúde premium. Ela está à frente dos seus principais concorrentes, como Amil e Bradesco Saúde, do ponto de vista de qualidade de gestão e também de rentabilidade. A empresa tinha uma operação de seguro de automóveis que não era muito relevante mas tirava bastante atenção do time do seu negócio principal, mas já desinvestiu. Isso é uma coisa muito boa porque gostamos de empresas focadas e à medida que ela para de focar nesse negócio que tomava tempo e não representava muito do negócio, a companhia, que já estava à frente dos seus concorrentes, vai conseguir ganhar ainda mais distância. Além disso, gostamos muito do setor de saúde. O Brasil é carente em investimentos na área, então, você já tem um vento nas costas que faz com que o setor cresça.

Para Centauro, a empresa também é líder no seu setor de atuação, o de varejo de artigos esportivos e está muito à frente de seus concorrentes. A pandemia quebrou um bom número de concorrentes. A companhia está muito bem posicionada, tem um e-commerce forte e que deve crescer ainda mais. Acreditamos que, quando essa situação se normalizar, o canal online pode atingir 30% das vendas da companhia. Adicionalmente, ela está expandindo os negócios, tem exclusividade da marca Nike por 10 anos, num contrato que pode ainda ser expandido. Vemos um potencial de crescimento alto nessa frente. Ela também fez uma aquisição recente de um grupo de mídia esportivo, o NWB, com elevado potencial de retorno e crescimento.

Já a Light é uma história de turnaround. Uma empresa que tem problemas históricos de gestão por ter sido uma estatal, mas que está passando por diversas transformações, depois da venda da participação da Cemig (CMIG4) este ano, entrada de novos acionistas impostantes, como o empresário Ronaldo Cezar Coelho e o investidor Beto Sicupira, um dos sócios da gestora 3G Capital, e mudança no comando, com a eleição de Nonato Castro, ex-presidente da Equatorial Piauí, como CEO da empresa. Estamos bem animados. A empresa tem um desafio grande, mas por outro lado achamos que o time tem capacidade de implementar as mudanças necessárias.

Entre as pimentas da carteira, a Sinqia é uma ação que estamos investidos há cinco anos, a empresa está voando, vem crescendo a taxa de 27% ao ano. Nos últimos cinco a seis anos, tem consolidado o mercado de softwares e deve continuar nessa rota. Outra nesse sentido que gostamos é a d1000. A companhia tem um modelo de farmácias populares bem interessante, com muito espaço de crescimento. A Raia Drogasil dominou o mercado de alta renda, achamos que ela pode conquistar esse lugar no modelo popular.

Matheus Tarzia, sócio e gestor da Neo Investimentos

Acreditamos que vai ser um ano positivo para Bolsa, mas volátil. Podemos ter uma realização no começo do ano. 

Vemos os juros ainda baixos no Brasil nessa primeira metade do ano, o que beneficia a Bolsa, mas o auxílio emergencial vai acabar, o que pode dar um soluço na recuperação da economia, com impacto principal no varejo. Além disso, o mercado segue preocupado com a questão fiscal, buscando sinais se o governo vai navegar na direção certa. 

Por isso, para montar o portfólio, gostamos da seleção de ativos, de fazer “stock picking”, de comprar ações que vão gerar valor pelo próprio negócio, não pelo cenário macro. Achamos que dá mais tranquilidade e segurança quando passamos por uma fase difícil no mercado. Temos em média 12 a 13 papéis, com permanência média de três anos e meio na carteira.  

Entre os papéis que vemos como os maiores potenciais de ganhos para o ano, destaco Vivara (VIVA3) e Petz (PETZ3), ambas são teses de consolidação de mercado. 

A Vivara passou por uma grande mudança na pandemia como muitas empresas. O e-commerce representava 8% de suas vendas quando vieram as medidas de isolamento, agora, com as coisas voltando à normalização, está estabilizando em 20%. No pico da crise, chegou a atingir 50%. A empresa acelerou muito a digitalização e isso tem se refletido em ganho de participação de mercado. Temos indícios de que a empresa está ganhando terreno, com as vendas crescendo em setembro, outubro e novembro em relação ao ano passado. 

Sobre a Petz entramos no IPO, em setembro, num caso raro, porque normalmente não participamos, mas já conhecíamos muito bem o negócio. A empresa tem um time de gestão muito bom e gostamos bastante do setor. Para dar uma ideia, a companhia, que hoje é líder do setor de pet shops, tem cerca de 4% a 5% de participação no mercado, vemos muito espaço para expansão.

Tem um outro papel que também citaria que é o de Arezzo (ARZZ3). A empresa também acelerou o processo de digitalização durante a pandemia, entrou no setor de moda de vestuário, com a compra do Grupo Reserva, em outubro do ano passado, e está montando um marketplace de moda. A companhia tem boa capacidade de execução e acho que tem muita sinergia para capturar com a marca Reserva. Até então, ela era forte no negócio de calçados femininos, mas agora abre o leque também para moda masculina e levemente infantil.


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Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
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