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Bancos podem perder bilhões com fundo e levam tensão às bolsas globais

PUBLICADO EM: 29.3.21 | 8H56
ATUALIZAÇÃO: 29.3.21 | 8H59
Credit Suisse e Nomura são os maiores prejudicados com a derrocada do fundo de hedge americano Archegos Capital
An illuminated sign directs to automated teller machines (ATM) outside outside a Credit Suisse Group AG office building in Muri, Bern, Switzerland, on Monday, Feb. 15, 2021. Credit Suisse is expecting to post a fourth-quarter loss when it reports earnings on Feb. 18, after setting aside $850 million for U.S. legal cases including MBIA and booking a $450 million impairment on a hedge fund investment. Photographer: Stefan Wermuth/Bloomberg

(Bloomberg)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.



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A semana começa com tensão nos mercados globais. As ações de alguns dos maiores bancos do mundo, como o Credit Suisse e o Nomura, recuam perto de 15% nesta segunda-feira, 29, depois que informaram que podem sofrer perdas bilionárias por causa da exposição a um fundo hedge americano em dificuldades, o Archegos Capital.

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O fundo não conseguiu atender à chamada de margem de algumas de suas operações, levando à liquidação antecipada de posições em mais de 20 bilhões de dólares em ações de empresas como a Viacom e a Baidu

As vendas forçadas da Archegos são consequência das chamadas de margem, as “margin calls”. A margem é o valor exigido como garantia em operações altamente alavancadas, e a “chamada de margem” acontece quando a utilização desse valor atinge um limite, forçando o investidor a colocar mais dinheiro para cobrir o risco do investimento.

Segundo informações da Bloomberg, grande parte da alavancagem usada pela Archegos Capital Management de Hwang foi fornecida por bancos, incluindo Nomura e Credit Suisse -- até o momento os principais prejudicados no caso. 

As ações do Nomura, maior banco de investimento do Japão, caíram 16% nesta segunda-feira após a instituição informar o risco de “perda significativa” em sua subsidiária nos Estados Unidos, com prejuízo estimado em torno de 2 bilhões de dólares.

Já o Credit Suisse disse, em nota, que o impacto do prejuízo pode ser “altamente significativo para os resultados do primeiro trimestre”. Segundo o jornal britânico Financial Times, a estimativa é de uma perda para o banco entre 3 e 4 bilhões de dólares. As ações do banco suíço chegaram a recuar 15% com a notícia.

O Morgan Stanley, o Goldman Sachs e o Deutsche Bank também tinham exposição ao Archegos, mas a informação é que de forma mais limitada ou que reduziram na semana passada.

Os papéis do Goldman, a propósito, caíram cerca de 3% no pre-market, mesmo depois de o banco ter dito aos acionistas que quaisquer perdas que enfrente no caso seriam “irrelevantes”.

“Até agora o efeito do episódio no mercado foi relativamente pequeno, atingindo em específico algumas ações. Investidores vão observar a abertura do mercado americano para entender se existem mais posições para serem desovadas desse grande fundo”, afirmou Roberto Attuch, CEO da Ohms Research, em live nesta manhã.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
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Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.


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