Exame Invest
Mercados

Tensão em Brasília, IPCA, juro na Europa e o que mais move o mercado

PUBLICADO EM: 9.9.21 | 6H55
ATUALIZAÇÃO: 9.9.21 | 9H01
Mercado internacional mantém cautela, com decisão do Banco Central Europeu no radar
Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde

Christine Lagarde: presidente do Banco Central Europeu, (REUTERS)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

As principais bolsas internacionais operam em queda na manhã desta quinta-feira, 9, com investidores à espera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). O anúncio sai às 8h45 (horário de Brasília), com entrevista da presidente do BCE, a francesa Christine Lagarde, na sequência às 9h30.

O consenso de mercado aponta para a manutenção do atual patamar de juros, mas investidores vão observar uma eventual sinalização sobre a redução de estímulos via compra de ativos no mercado, o tapering -- processo semelhante ao que deve ser iniciado pelo Federal Reserve ainda neste ano. 

No Brasil, investidores e analistas seguem atentos às movimentações políticas em Brasília, após os ataques do presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal e à democracia no dia 7 de setembro, que causaram reações em ministros do próprio STF e no Congresso. Há também a greve dos caminhoneiros como ponto de atenção.

No radar também está o IPCA de agosto, que será divulgado às 9h pelo IBGE. O consenso é que o principal indicador de inflação do país acelere de 8,99% para 9,50% no acumulado de 12 meses, registrando alta mensal de 0,71%. 

Investidores aguardam por alguma recuperação na bolsa hoje depois da queda de 3,78% da véspera, a maior em seis meses e que levou o Ibovespa para o menor patamar desde março, na casa dos 113.000 pontos.

Política monetária na Europa

Como pano de fundo para a possível redução dos estímulos nas economias desenvolvidas estão dados de inflação, que vêm superando as estimativas tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Por outro lado, ainda há preocupações sobre o nível da retomada da economia global, com dados de atividade saindo abaixo das expectativas. 

Apesar das preocupações sobre uma postura mais contracionista dos bancos centrais, o banco europeu ING acredita que o BCE irá manter sua política de estímulos por mais tempo, levando em consideração o caráter da inflação, vista como transitória.

“Com a falta de preocupações em torno das pressões inflacionárias persistentes, qualquer voz hawkish dentro do BCE não será suficiente para fazer o banco dar quaisquer sinais de que está começando a desfazer o estímulo monetário através da redução das compras de ativos”, afirmam estrategistas do ING em relatório. 

No mercado europeu, onde as perdas se alastram pelo terceiro pregão seguido, o índice Stoxx 600 recua 0,58%, com destaque para a bolsa de Londres, que cai 1,30%. Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caem cerca de 0,3%.

Ainda no mercado americano, investidores aguardam pela divulgação dos pedidos semanais de seguro desemprego. A expectativa é de que o número fique em 335.000, 5.000 abaixo do registrado na semana passada.

Minerva

A Minerva (BEEF3) anunciou investimento na startup agrícola Traive, que oferece soluções financeiras, como crédito, seguros e outros serviços, para produtores rurais de pequeno e médio porte. O aporte da Minerva, segundo comunicado ao mercado, deve ser de 3 milhões de dólares de um total de 15 milhões de dólares da rodada de investimento. 

Aeris

A Aeris (AERI3) firmou contrato para fornecimento de pás eólicas à Nordex. Segundo fato relevante, o contrato, que engloba a intalação de uma nova linha de produção, deve entrar em vigor em 2023 e tem aumento líquido esperado de 1,6 bilhão de reais. O negócio, de acordo com Aeris, representa um “importante fator para incremento de suas receitas”.

Movida

A Movida (MOVI3) precificou sua oferta de títulos no mercado internacional por 300 milhões de dólares remunerados à taxa de 5,25% ao ano e com vencimento em 2031. As notas representam uma emissão adicional e irão se unir às de fevereiro deste ano, quando a empresa levantou 500 milhões de reais. O dinheiro, segundo a Movida, será utilizado em investimentos e no refinanciamento de dívidas. 

Suzano

A Suzano (SUZB3), por meio de sua subsidiária Suzano Austria levantou 500 milhões de dólares nos Estados Unidos com remuneração de 2,70% e cupom de 2,50% ao ano. As notas tem indicadores de performance ambiental associado a uma meta de redução de água até 2026 e ao aumento de mulheres em cargos de liderança na empresa.

Azul

Em prévia operacional de agosto, a Azul (AZUL4) registrou aumento do tráfego de passageiros de voos domésticos em 176,9% se comparado a agosto de 2020. O número, inclusive, já é 6,5% superior ao registrado no mesmo período de 2019. Por outro lado,m o segmento internacional segue fraco, com o número de passageiros 78,6% abaixo do de agosto de 2019. Em relação a agosto do ano passado, porém, o volume de passageiros foi 125% maior. 

Esta reportagem faz parte da newsletter EXAME Desperta. Assine gratuitamente e receba todas as manhãs um resumo dos assuntos que serão notícia

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame