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BofA corta previsão para o Ibovespa de 130 mil para 120 mil pontos

PUBLICADO EM: 27.10.21 | 7H12
Selic mais elevada e aumento do risco fiscal levam banco a cortar recomendação para bolsa brasileira
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Painel de cotações na B3 | Foto: Germano Lüders/EXAME

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O banco americano Bank of America (BofA) cortou sua recomendação para as ações brasileiras, dizendo que a perspectiva de juros mais altos na principal economia da América Latina deve pesar sobre o crescimento econômico e pode interromper a migração doméstica em direção a investimentos considerados mais arriscados.

O banco rebaixou o Brasil de overweight para market-weight em seu portfólio de América Latina, enquanto reduziu sua projeção para o índice Ibovespa no fim do ano de 130.000 pontos para 120.000, disse David Beker, estrategista de ações de América Latina do banco, em entrevista. A nova projeção sugere alta potencial de cerca de 13% em relação aos níveis atuais.

O mercado acionário brasileiro flertou com um bear market nos últimos dias diante da dúvida crescente sobre o comprometimento do país com suas regras fiscais, enquanto investidores esperam que o apetite do governo por mais gastos pressione a inflação e leve o Banco Central a elevar mais os juros.

“Juros mais altos significam que os investidores de varejo locais podem começar a retornar para a renda fixa”, disse Beker. “No mínimo dá para dizer que houve uma pausa na rotação.”

Nos últimos anos, à medida que a taxa de juros caminhava para a mínima histórica, os investidores locais foram pressionados a tomar mais risco, buscando retornos mais atrativos em ações. Com o aperto monetário, as apostas estão sendo redesenhadas.

No mês passado, os fundos multimercado tiveram o maior resgate líquido desde o final de 2017, enquanto os fundos de ações também registraram saídas líquidas, de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Depois de recuar 10% desde o início do ano, o Ibovespa está sendo negociado a cerca de 8 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, perto da mínima em cerca de uma década. Os múltiplos relativamente atrativos levaram algumas casas, incluindo JPMorgan e BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a reiterar uma perspectiva construtiva para o mercado de ação.

“Os valuations se tornaram mais atraentes, mas a história de Brasil carece de triggers”, disse Beker.

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