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BR Distribuidora salta 10% com novo CEO e bancos caem com corte de recomendação

PUBLICADO EM: 26.1.21 | 10H41
ATUALIZAÇÃO: 26.1.21 | 18H46
Confira os principais destaques de ações desta terça-feira
WILSON FERREIRA JUNIOREXAME FORUM 2016Foto: Germano Lüders30/09/2016

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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As ações ordinárias e preferenciais da Eletrobras (ELET3; ELET6) caíram 9,69% e 6,80%, respectivamente, nesta terça-feira, 26, liderando as perdas do Ibovespa, após pedido de renúncia do CEO da estatal, Wilson Ferreira Junior, no último domingo. Na mínima do dia, os papéis chegaram a recuar 12,4% e 11,1%.

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Para o mercado, que já mostrava preocupação com a falta de vontade política em levar adiante o processo de privatização da empresa no Congresso, a saída do executivo coloca ainda mais incerteza e descrença sobre o assunto.

O executivo, disse ontem, em teleconferência com investidores, que o processo de privatização da companhia não ganhou tração, apesar dos esforços do governo brasileiro. Segundo ele, a pandemia atrapalhou o andamento da processo, mas havia perspectiva de retomada no segundo semestre do ano passado, o que não se materializou. 

Em relatório, analistas do BTG Pactual comentam que, com a saída de Ferreira Junior, o cenário de privatização fica menos provável. O executivo era visto pelo mercado como principal entusiasta do projeto e responsável por colocar de pé uma ampla reestruturação da empresa nos últimos dias. Além disso, apontam, ainda é preciso saber quem será seu substituto.

Ainda assim, mesmo diante de tantas incertezas, os analistas do banco mantiveram recomendação de compra para as ações preferenciais ELET6, citando que essa classe de ativos fornece proteção aos dividendos caso os resultados comecem a se deteriorar. "A Eletrobras praticamente se transformou em um negócio de geração e transmissão de energia, o que ajuda a previsibilidade de caixa e reduz as chances das melhorias implementadas por Ferreira serem desfeitas", argumentam.

Eles comentam, no entanto, que, ainda que vejam um potencial de alta significativo para as ações mesmo em um cenário de não privatização, há o risco da Eletrobras se tornar uma ação de “peso morto”, semelhante ao que aconteceu com a Sabesp (SBSP3).


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Já os analistas do Credit Suisse apontam, em relatório, que, embora a saída acenda um alerta para o projeto de privatização da empresa e também para a sustentabilidade do fluxo de caixa nos patamares atuais, as mudanças implementadas pela gestão de Ferreira Junior são de longa duração e acreditam que seja difícil mudar o bom desempenho operacional da companhia em um curto espaço de tempo.

Eles mantiveram recomendação outperform, equivalente a compra, para os papéis preferenciais ELET6; os ordinários ELET3 seguiram com classificação neutra. Eles explicam que a preferência pelos PNs é justificada não apenas por um “bom fluxo de dividendos garantidos a ELET6 no estatuto”, como também porque ainda veem “riscos importantes para a aprovação do processo de privatização, o que garantiria um melhor suporte e cenário para as ações ONs”.

Ferreira Junior fica no comando da Eletrobras até o dia 5 de março. Não há por ora um sucessor anunciado. Na sequência, parte para uma nova empreitada à frente da BR Distribuidora (BRDT3), que anunciou na segunda a contratação de Ferreira Junior como CEO, em substituição a Rafael Grisolia. As ações da BR Distribuidora dispararam 9,57% nesta sessão, a maior alta do índice. Na máxima do dia, chegaram a subir 16,4%. 

Em relatório, analistas do Bradesco BBI, que têm recomendação equivalente a compra para a ação, comentam que Grisolia foi uma pessoa-chave por trás do IPO da companhia em 2017 e capaz de traçar de forma clara planos para eficiência da companhia. Agora, Ferreira pode inaugurar uma nova era para a BR Distribuidora. "Ele não só é altamente respeitado pelo mercado, sendo visto como uma pessoa capaz de extrair mais eficiências das empresas, mas sua chegada também pode significar repensar o escopo da BR Distribuidora no espaço energético", apontam.

Eles mencionam ainda que Ferreira Junior, que possui muita bagagem no setor de utilities/energia, terá a oportunidade e o desafio de começar a reinventar a BR Distribuidora como empresa, com vários novos caminhos potenciais de crescimento (como no mercado de gás natural, lojas de conveniência, logística, serviços públicos e comercialização). Segundo os analistas, o executivo deve começar a reduzir lentamente a exposição da empresa aos combustíveis fósseis. Para eles, a entrada do novo CEO é uma boa notícia para os papéis.

Veja abaixo outros destaques do pregão desta terça-feira:

Cielo 

As ações da Cielo (CIEL3) amenizaram os ganhos e subiram 1,66%. Na máxima do dia, chegaram a subir 7,2%. O movimento ocorre após notícia de que o Banco do Brasil (BBAS3) estuda se desfazer de sua parte na companhia, segundo coluna do Lauro Jardim, no jornal o Globo, sem detalhar como obteve a informação. Ainda de acordo com a coluna, se o BB der seguimento ao negócio, o Bradesco (BBDC4), seu sócio, apresentará uma oferta.

Também no radar da companhia, a Cielo abre a temporada de balanços do quarto trimestre no Brasil, com a divulgação de seu resultado após o fechamento deste pregão.

Bancos

As ações dos grandes bancos, que chegaram a operar no positivo nesta manhã, viraram para queda nesta sessão. Os papéis do Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) recuaram 3,34%, 2,40%, 2,67% e 3,23%, respectivamente.

No radar, o Bradesco BBI comenta, em relatório, que a recente alta das ações, um espaço limitado para revisões adicionais de lucro por parte do mercado e os valuations dos papéis em níveis razoáveis de preços os fazem adotar uma postura mais cautelosa com o setor. Eles cortaram a recomendação do Itaú de outperform, equivalente a compra, para neutra, com preço-alvo passando de 37,00 reais para 33,00 reais, o que implica um potencial de valorização de 13% frente ao fechamento de ontem.

O Santander também teve sua recomendação cortada de outperform para neutra, com preço-alvo caindo de 52,00 reais para 44,00 reais, o que representa um potencial de alta de 8%. Já o Banco do Brasil foi mantido em neutro, mas o preço-alvo cortado de 47,00 reais para 44,00 reais. Os analistas comentam que o banco oferece um potencial de alta atrativo de 31%, mas incertezas e os riscos de execução continuam elevados, o que os fez manter a classificação dos papéis.

No setor financeiro, eles mencionam que nomes como B3 (B3SA3) são suas escolhas preferidas. Entre os bancos, eles classificam suas preferências da seguinte forma: Banco do Brasil, Itaú e Santander.

Com o movimento hoje, os papéis do Banco do Brasil caminham para sua nona queda consecutiva, acumulando no período baixa de 16,4%. O desempenho nos últimos dias ocorreu após especulações na metade deste mês sobre a saída do atual presidente da instituição, André Brandão, depois que um programa de desligamento voluntário de funcionários e fechamento de agências ter incomodado o presidente Jair Bolsonaro.

Em documento enviado pela instituição financeira ao mercado na semana passada, no entanto, o conselho de administração do BB, que se reuniu na última quarta-feira, diz que não recebeu nenhuma comunicação formal a respeito de possível destituição do presidente do banco e tão pouco houve qualquer espécie de interferência do acionista controlador (o governo federal) na execução das medidas de eficiência anunciadas.

Na segunda-feira, o BB informou que seu conselho de administração aprovou o percentual de 40% do lucro líquido a ser distribuído aos acionistas via dividendos e/ou juros sobre capital próprio para o exercício de 2021. Para 2020, esse percentual é de 35,29%.

Shoppings

As ações de shoppings registraram altas apesar do noticiário negativo, com o avanço de casos da covid-19 e mais rodadas de restrições pelo país. No caso de Manaus, por exemplo, os shoppings estão fechados desde 4 de janero, em Belo Horizonte desde 11 de janeiro e mais recentemente em regiões no estado de São Paulo há fechamentos desde 25 de janeiro, aponta relatório do BTG Pactual divulgado hoje.

Ainda assim, os papéis de BR Malls (BRML3), Iguatemi (IGTA3) e Multiplan (MULT3) tiveram ganhos de 1,85%, 1,65% e 0,67%, respectivamente, neste pregão. Na máxima do dia, registraram valorizações entre 4% e 5%. Já Aliansce Sonae (ALSO3) e JHSF (JHSF3), que também tiveram altas de mais de 4% nas máximas do pregão, viraram para o negativo e fecharam em baixas de 0,42% e 0,28%.

Das players listados na B3, os analistas do banco comentam que BR Malls (BRML3) está com 3 shoppings fechados (ou 7% da sua área bruta locável -- ABL), Multiplan (MULT3) tem três (representativos de 13% de sua ABL), Iguatemi fechou o Esplanada, em Sorocaba (10% da ABL), Aliansce (ALSC3) tem 4 shoppings fechados (16% da ABL), Cyrela Commercial Properties (CCPR3) tem 1 shopping fechado em Belo Horizonte e JHSF (JHSF3) tem 3 shoppings com restrições.

Diante disso, eles apontam que, sem dúvida o noticiário não ajuda o setor (os papéis de shoppings estão desempenho inferior ao Ibovespa em 9% no acumulado do ano) e até por isso acreditam que o curto prazo continue desafiador para essas ações (tendo em vista que novas medidas de restrições não estão fora da mesa e a vacância pode aumentar). 

Contudo, eles apontam que veem uma recuperação nas vendas dos shoppings (estão “apenas” 15% abaixo dos níveis pré-covid), enquanto as vacinas são uma realidade, sem mencionar que as ações parecem estar excessivamente descontadas em Bolsa. No setor, eles dizem que preferem Multiplan pelo portfólio premium, voltando para alta renda.

Ainda no noticiário dos shoppings, a Iguatemi reportou na última sexta-feira sua prévia operacional referente ao quarto trimestre. As vendas totais nos shoppings sob administração da companhia caíram 14,4%, na comparação com o mesmo período do ano passado, para 3,639 bilhões de reais. As vendas nas mesmas lojas recuaram 11,8% e as vendas na mesma área caíram 13,8%, na mesma base de comparação.

Os analistas do BTG Pactual comentam que os números sugerem que o trimestre foi fraco, apesar de esperado, com o noticiário recente devendo continuar a pesar no setor, em meio ao aumento de medidas de restrições em algumas regiões do país e com possível aumento da vacância no primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, pelo nível de valuation, eles dizem que seguem com visão positiva para o setor no longo prazo e mantêm recomendação de compra para as ações de Iguatemi.

Estreia na B3

As ações da HBR Realty (HBRE3), empresa voltada para o desenvolvimento e administração de propriedades imobiliárias, fecharam em queda de 1,05% em sua estreia na B3, depois de terem avançado 4,6% na máxima do dia. A companhia, que realizou uma oferta restrita de ações a investidores profissionais, precificou sua ação a 19,10 reais, abaixo da faixa indicativa, que ia de 23,83 reais a 29,85 reais. Foram emitidos, no total, 38,2 milhões de ações, permitindo que a empresa levantasse 729,6 milhões de reais com a oferta. Os recursos serão usados para investimentos em novos projetos e exploração comercial.


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Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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