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Repressão chinesa a listagens no exterior ameaça mais de 70 IPOs nos EUA

PUBLICADO EM: 12.7.21 | 13H50
ATUALIZAÇÃO: 12.7.21 | 13H54
Um mal-estar se instalou no setor global de finanças nas últimas duas semanas, após a China primeiro sugerir que a Didi Global adiasse o seu IPO e, depois, pedir uma fiscalização mais rigorosa de todas as listagens no exterior
Nasdaq

(Corbis via Getty Images)

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(Bloomberg) -- Meses depois de os bancos comemorarem ganhos recordes com a atuação em processos de abertura de capital de empresas chinesas em Nova York e Hong Kong, veio um balde de água fria. Os planos para essas operações estão sendo engavetados e os investidores tentam se recuperar de enormes perdas.

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Um mal-estar se instalou no setor global de finanças após os acontecimentos de um período de duas semanas, em que a China primeiro impediu os planos da Didi Global (aplicativo de transporte individual semelhante ao Uber) a poucos dias da estreia no mercado acionário dos EUA e depois anunciou, via Conselho de Estado, uma fiscalização mais rigorosa de todas as listagens de valores mobiliários no exterior. No sábado, foi proposta uma revisão de segurança cibernética para empresas detentoras de dados sobre mais de 1 milhão de usuários antes de qualquer listagem de papéis em outros países.

Já havia sinais de que essas medidas seriam tomadas. Instituições responsáveis por originação embolsaram uma quantia de recorde de US$ 1,5 bilhão em comissões no ano passado ao assessorar empresas chinesas em ofertas iniciais de ações (IPO em inglês) em mercados offshore. Paralelamente, as relações entre China e EUA estavam azedando. Em dezembro, o então presidente Donald Trump sancionou uma lei que pode retirar das bolsas americanas os papéis de companhias chinesas que não atendem às regras de inspeção de auditoria. Já o presidente Xi Jinping intensificou a supervisão de grandes empresas de tecnologia, em parte para proteger a imensidão de dados valiosos que detêm.

Essas decisões colocam em risco o ritmo frenético de operações observado durante a pandemia e o lucrativo negócio de listagens offshore, que abocanhou cerca de US$ 6,4 bilhões em comissões desde 2014, quando começaram as negociações com os papéis da Alibaba Group Holding em Nova York. Morgan Stanley, Goldman Sachs Group e China International Capital Corp. lideraram o segmento no período, quando quase 40% das comissões foram geradas por operações nos EUA.

Para os bancos de investimento, a expectativa é de suspensão da maioria das IPOs de empresas chinesas em bolsas dos EUA ou deslocamento dessas operações para outros locais, reduzindo o ganho esperado para o ano, considerando que as comissões nessas operações em Hong Kong são bem menores. Além disso, as exigências de listagem em Hong Kong e na própria China são mais rigorosas, colocando em dúvida a concretização de muitas dessas operações.

“Pode demorar um ou dois meses até haver resolução de algumas incertezas”, afirmou David Chin, chefe da divisão de banco de investimento para a região Ásia-Pacífico do UBS Group, a respeito da mudança de regras na China. “Em última análise, a China encontrará uma solução porque os EUA têm dado muito apoio às companhias chinesas de internet, ao desenvolvimento das mesmas e subsequente financiamento.”

A repressão das autoridades chinesas às listagens no exterior ameaça mais 70 empresas de capital fechado sediadas em Hong Kong e na China que tinham planos de abrir o capital em Nova York, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

O valor de mercado das companhias de tecnologia da China, que já vinha diminuindo, parece mais instável agora que investidores exigem descontos maiores para comprar as ações, disse o funcionário de um banco, que pediu anonimato para discutir questões internas. Desde o início do mês, o Nasdaq Golden Dragon Index, que acompanha algumas das maiores empresas chinesas listadas nos EUA, perdeu cerca de US$ 145 bilhões em valor de mercado.

A maior pergunta em relação ao recente movimento de repressão é até que ponto as autoridades reguladoras irão para supervisionar o investimento estrangeiro em indústrias sensíveis, particularmente as que controlam grandes quantidades de dados. Durante duas décadas, gigantes da tecnologia da China contornaram as restrições, usando o chamado modelo de Entidade de Interesse Variável para atrair capital estrangeiro e realizar IPOs no exterior.

Bancos ganharam mais de US$ 6,4 bilhões com subscrição de IPOs de empresas chinesas no exterior desde 2014 (Reprodução/Bloomberg)

--Com a colaboração de Manuel BaigorriVinicy ChanIrene HuangJun LuoJohn Cheng e Lulu Chen.

 

 

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