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Cielo dispara 13% após balanço; Suzano afunda 6% e Vale e siderúrgicas caem 3%

PUBLICADO EM: 27.1.21 | 10H36
ATUALIZAÇÃO: 27.1.21 | 18H36
Confira os principais destaques de ações desta quarta-feira
Cielo

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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As ações da Cielo (CIEL3) lideraram os ganhos do Ibovespa nesta quarta-feira, 27, com valorização de 13,35%, após a companhia reportar lucro líquido de 298,2 milhões de reais no quarto trimestre, aumento de 34,7% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 197% frente ao terceiro trimestre deste ano.

A receita líquida da companhia totalizou 1,310 bilhão de reais no trimestre, queda de 1,5% na base anual e crescimento de 8% frente ao trimestre anterior.

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Os analistas da Genial Investimentos comentam que a companhia mostrou uma consideração recuperação em relação ao seu pior trimestre, o segundo trimestre de 2020, quando os resultados foram fortemente impactados pela combinação de um ambiente competitivo severo e volumes mais baixos com o surto da pandemia. Eles destacam que o lucro da empresa ficou 57% acima de suas estimativas, mostrando um bom início de recuperação, embora ainda bem abaixo do seu lucro líquido histórico de 1 bilhão de reais por trimestre.

Segundo eles, o resultado foi impulsionado principalmente pela redução de custos, mas acreditam que o trimestre forte pode desencadear uma revisão positiva dos lucros para 2021. "A ação da Cielo tem estado sob forte pressão devido ao cenário competitivo, mas o preço da ação (a 3,67 reais, no fechamento de ontem) está consideravelmente abaixo do nosso valor intrínseco de 5,30 reais", comentam.

Os analistas do BTG Pactual também comentaram o resultado, apontando melhora significativa depois de dois trimestres difíceis, mas optaram por manter recomendação neutra para a ação. Para eles, uma leitura mais favorável poderia vir caso tivesse uma definição mais clara/rápida sobre a sua estrutura societária da companhia.


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BR Distribuidora

As ações da BR Distribuidora (BRDT3) deram continuidade aos fortes ganhos de ontem, quando subiram 9,57%, a maior alta do Ibovespa. Hoje, os papéis avançaram mais 2,14%. O movimento ocorre após a companhia ter anunciado na segunda-feira a contratação de Wilson Ferreira Junior como CEO da empresa, em substituição a Rafael Grisolia.

Em relatório divulgado ontem, analistas do Bradesco BBI, que têm recomendação equivalente a compra para a ação, comentaram que Grisolia foi uma pessoa-chave por trás do IPO da companhia em 2017 e capaz de traçar de forma clara planos para eficiência da empresa. Agora, Ferreira pode inaugurar uma nova era para a BR Distribuidora. “Ele não só é altamente respeitado pelo mercado, sendo visto como uma pessoa capaz de extrair mais eficiências das empresas, mas sua chegada também pode significar repensar o escopo da BR Distribuidora no espaço energético”, apontam.

Eles mencionaram ainda que Ferreira Junior, que possui muita bagagem no setor de utilities/energia, terá a oportunidade e o desafio de começar a reinventar a BR Distribuidora como empresa, com vários novos caminhos potenciais de crescimento (como no mercado de gás natural, lojas de conveniência, logística, serviços públicos e comercialização). Segundo os analistas, o executivo deve começar a reduzir lentamente a exposição da empresa aos combustíveis fósseis. Para eles, a entrada do novo CEO é uma boa notícia para os papéis.

Vale, siderúrgicas e papel e celulose

Entre as maiores quedas do Ibovespa, apareceram as ações ligadas a commodities, com a exportadora de papel e celulose Suzano (SUZB3) liderando as perdas, com desvalorização de 5,89%. No mesmo setor, Klabin (SUZB3) caiu 3,75%, a quarta maior baixa do índice.

O movimento negativo também foi visto nos papéis da Vale (VALE3), que recuaram 2,78% apesar do dia de alta do minério de ferro, e das siderúrgicas. Os papéis de Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) tiveram desvalorizações próximas a 1% e 3%. A Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na Vale, fechou em baixa de 3,49%.

Segundo o analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos, o mercado tem acompanhado com atenção a China, que foi principal driver para alta expressiva desses setores nos últimos meses e tem mostrado em janeiro uma aceleração nos casos de covid. "Isso fez com que as bolsas por lá perdessem um pouco de força ao longo dos últimos dias e acabou fazendo preço nessas ações", explica. 

Para ele, por mais que haja uma perspectiva muito forte para esses setores ainda em 2021, as incerteza sobre os impactos dessas novas medidas de isolamento podem guiar o sentimento do mercado ao longo dos próximos dias e acabar pressionando esses ativos, que ainda têm muito espaço para realização de lucros. 

"Se olhar quem se posicionou, por exemplo, em CSN e Vale há dois, três meses, esses papéis andaram muito. Em um cenário em que outras empresas podem se sobressair no curto prazo, acaba fazendo sentido para esse investidor realizar um pouco de lucro nessas posições", comenta. Do fim de outubro para cá, esses dois papéis mencionados acumulam ganhos de 56% e 47%, contra alta de 23% do Ibovespa no mesmo período.

Na visão do estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, as exportadoras estão recuando em bloco hoje, com o mercado novamente recalibrando suas expectativas, por conta do ritmo abaixo do esperado da vacinação pelo mundo. "O investidor também teme que algumas regiões na Ásia enfrentem uma piora da pandemia em breve. Algumas regiões da China relataram um quadro pior em janeiro", comentou.

Já o analista Filipe Villegas, da Genial Investimentos, menciona que essas ações estão acompanhando um movimento global, tendo em vista que outras empresas no exterior ligadas a commodities também recuaram hoje. Mineradoras como Rio Tinto, Glencore e Anglo American registram perdas nas Bolsas internacionais de 3,88%, 6,67% e 6,21% nesta sessão.

Apesar do dia negativo para a Vale hoje, o minério de ferro negociado no porto chinês de Qingdao avançou 0,92% nesta sessão, indo para 166,59 dólares a tonelada.

Eletrobras

Depois do tombo ontem (as ações ordináriais caíram 9,69% e as preferenciais, 6,8%, as maiores baixas do Ibovespa), os papéis da Eletrobras (ELET3; ELET6) tiveram dia de respiro e avançaram 2,89% e 1,61%, respectivamente. O movimento ontem ocorreu após anúncio de saída de Wilson Ferreira Junior do comando da estatal, o que aumentou o temor do mercado em relação à privatização da empresa.

Em teleconferência com investidores realizada na segunda-feira, Ferreira Junior disse que o processo de privatização da companhia não ganhou tração, apesar dos esforços do governo brasileiro. Segundo ele, a pandemia atrapalhou o andamento da processo, mas havia perspectiva de retomada no segundo semestre do ano passado, o que não se materializou.

Em relatório divulgado na própria segunda, analistas do BTG Pactual comentaram que, com a saída de Ferreira Junior, o cenário de privatização fica menos provável. O executivo era visto pelo mercado como principal entusiasta do projeto e responsável por colocar de pé uma ampla reestruturação da empresa nos últimos dias. Além disso, apontam, ainda é preciso saber quem será seu substituto. Ainda assim, os analistas do banco mantiveram recomendação de compra para as ações ELET6, vendo chances reduzidas das melhorias implementadas pela gestão do executivo serem desfeitas. 

Petrobras

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3; PETR4) subiram 1,38% e 1,41%, respectivamente, apesar da queda dos preços do petróleo no exterior.

Os contratos do petróleo Brent, negociados em Londres e usados como referência pela estatal, fecharam em baixa de 0,75%, em 55,49 dólares o barril. Apesar de dados da indústria mostrarem queda inesperada nos estoques nos Estados Unidos, investidores seguem preocupados com a demanda devido aos casos de coronavírus, que ultrapassaram a marca de 100 milhões no mundo.

Os estoques de petróleo americanos caíram em 9,91 milhões de barris na semana passada, segundo dados divulgados hoje pelo Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês). A queda contrariou as expectativas dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de alta de 100 mil barris. Os estoques de gasolina, no entanto, aumentaram em 2,469 milhões de barris, superando as projeções de alta de 1,0 milhão de unidades.

Além disso, no radar da Petrobras, a companhia informou suas reservas provadas de óleo, condensado e gás natural, atingiram 8,816 bilhões de óleo equivalente (boe) em 2020, queda de 8,08% frente ao ano anterior, por conta da desvalorização do preço do petróleo no período.

Segundo analistas do BTG Pactual, esse impacto já era esperado. Adicionalmente, eles ressaltam que o número não inclui campos adquiridos em 2019 na cessão onerosa. "Essas reservas só serão incorporadas quando for fechado um acordo de coparticipação com os chineses (que detêm 10% dos campos), o que implicará em um forte crescimento nas reservas à frente", comentam.

Com isso, eles dizem que não esperam impacto negativo nos papéis da companhia por conta desse anúncio. "Na verdade, excluindo efeito preço, a Petrobras ainda assim entregou incremento acima do volume de produção acumulada no período", apontam.


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Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

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