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Cresce no mercado o temor de estagflação; entenda

PUBLICADO EM: 3.9.21 | 6H02
ATUALIZAÇÃO: 2.9.21 | 17H31
Sequência de dados negativos alimentam pessimismo em meio a incertezas políticas e fiscais

Queda do PIB e da produção industrial alimentam pessimismo sobre economia local | Ilustração: Wenjin Chen/Getty Images (Getty Images)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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A frustração com os últimos indicadores da economia brasileira tem levado o mercado a reavaliar suas projeções. Com a atividade local mais fraca do que a esperada e a inflação superando as estimativas, discussões sobre de estagflação começam a surgir entre investidores e economistas.

“Cresce a corrente de economistas que discute estagflação em 2022, principalmente após o PIB meio decepcionante”, afirma Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, em nota. 

Divulgado nesta semana, o PÌB do segundo trimestre teve  contração de 0,1%, enquanto o consenso era de alta de 0,2% para o período. Na quinta-feira, 2, foi a vez da produção industrial sair abaixo do esperado, revelando uma queda mensal de 1,7% em julho, enquanto o mercado aguardava por uma queda de 0,5%. A piora da atividade industrial foi a quarta dos últimos sete meses.

Para Alexandre Lohmann, economista da gestora Constância, esse possível cenário de fraqueza econômica e inflação alta deve estar aliado à crise hídrica. “A possibilidade de racionamento e apagão podem frustrar as expectativas de crescimento e impactar a inflação de 2022. Por isso, o risco de estagflação”, afirma. 

Lohmann ainda levanta a possibilidade da intensificação da crise hídrica pelo fenômeno climático La Niña. “É importante ficar atento às previsões sobre ocorrência de La Niña, que deve começar a entrar no radar do mercado.”

Inflação e alta de juros

Do lado da inflação, o IPCA-15, referente à primeira metade de agosto, passou de 8,59% para 9,30% no acumulado de 12 meses, bem acima do centro da meta de 3,75% para este ano e do topo da meta, de 5,25%. 

No boletim Focus, as estimativas para a inflação deste ano têm sido revisadas para cima por mais de 20 semanas consecutivas. Se no início do ano, o consenso era de IPCA a 3,32% em 2021, hoje, o consenso está em 7,27%. 

André Perfeito, economista-chefe da Necton (do mesmo grupo controlador da Exame), vê a inflação chegando na casa dos 8% no fim do ano, mas acredita que ainda é cedo para falar de estagflação, embora veja a possibilidade do cenário se materializar em 2022.

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“A inflação tem sido causada por choques de oferta e pela situação hídrica, que em tese são transitórios. O problema é que a economia brasileira é altamente indexada à inflação, o que pode tornar esses choques mais persistentes”, diz Perfeito. 

“Mas falar em estagflação agora talvez seja exagerado, porque estamos vindo de um período muito excepcional [pandemia]. Se a situação persistir ao longo do ano que vem, podemos começar a pensar nisso.”

Para conter a inflação e segurar o câmbio, Perfeito espera que o Banco Central eleve a taxa de juros Selic a 8% até o fim do ano. No mercado, porém, já se fala em Selic em dois dígitos.

Bolsa ou renda fixa?

A alta de juros e a menor expectativa de crescimento econômico aumentaram a atratividade dos títulos públicos recentemente. Com o Tesouro pagando juros reais de mais de 4% e até 10% no pré-fixado, investidores a balancear os riscos, tendo em vista o mau desempenho da bolsa. No ano, o Ibovespa acumula queda de 1,7%.

“Talvez o investidor corra para a renda fixa pela certeza de rentabilidade nesse momento de maior incerteza”, comenta Perfeito. No entanto, o economista pondera que o pior desempenho da bolsa local em relação às estrangeiras favorece novos investimentos em ações. “Está tudo mais barato.”

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