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'Day trade é a porta de entrada do mercado, não a final', diz Jefferson Laatus

PUBLICADO EM: 30.1.21 | 7H30
ATUALIZAÇÃO: 30.1.21 | 14H53
Criador da maior escola de formação de traders do país, Laatus fala sobre os desafios de ser trader e alerta para possível queda do dólar no país
Jefferson Laatus

Jefferson Laatus: estrategista-chefe do Grupo Laatus, ele diz esperar que o dólar se enfraqueça no país neste ano

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Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Sócio-proprietário da maior escola de formação de traders do país, Jefferson Laatus se tornou uma das principais autoridades quando o tema é day trade. Adepto à modalidade desde o início dos anos 2000, quando ainda trabalhava com Tecnologia da Informação (T.I.), ele aprendeu a duras penas como melhor aproveitar os movimentos do mercado.

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“Foram oito anos como perdedor consistente. Tudo o que eu ganhava com T.I. eu perdia no mercado. Perdi tanto dinheiro que cheguei a dever para o banco”, recorda o fundador do Grupo Laatus em entrevista à EXAME Invest. “Sempre fiz day trade. Mas eu não sabia como fazer. Era mais opinião do que conhecimento. A chance de dar certo era nula.”

Apesar das dificuldades, Laatus diz que não trocaria por nada o aprendizado que obteve nesse período conturbado. “O day trade nos obriga a saber muito do mercado. Por isso, sempre falo que o day trade é a porta de entrada, não a final”, diz. 

Outra vantagem, segundo ele, de começar por essa modalidade é a de não precisar de muito dinheiro. “O day trade usa muita alavancagem. Então precisa de muito pouco. Com 100 reais de margem é possível operar mini contratos de dólar e conseguir 100% do capital alocado.”

Apesar do alto potencial de ganho no day trade, o de perda também é. Por eassa razão, a principal instrução de Laatus é estudar e se dedicar muito antes de colocar o dinheiro em risco. 

“Eu fiz o contrário, mal conhecia o mercado e coloquei meu dinheiro na esperança de que um dia ficaria rico. Muita gente acredita nisso, que é fácil, que vai operar da praia, pagar contas fazendo trade do celular, e não é verdade. A verdade é que o mercado é complexo e difícil. Tem que ter os dois pés no chão e investir em conhecimento”, afirma.


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Os três pilares de um trader

Para Laatus, um bom trader é formado por três requisitos principais. O primeiro e mais importante é o de “contexto”. “Tem que saber tudo que está acontecendo o tempo todo, seja na economia, seja na política ou geopolítica. E é preciso saber interpretar o que está acontecendo no mercado e tirar proveito disso.  Esse conhecimento é a base para dar certo no day trade -- entender o movimento do mercado.”

O segundo pilar é o da disciplina. “Tem que gerenciar os risco e ser frio na hora de operar, mas também saber reconhecer os erros.” 

A técnica, diz ele, é somente o último pilar. “Se não dominar os dois primeiros pilares, pode ser muito bom na técnica que nunca vai ganhar dinheiro no mercado. Infelizmente, o pessoal começa pela ponta contrária, acham que o técnico vai resolver tudo no mercado -- e não vai.”

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Trader raiz

Embora considere a questão psicológica um dos dois primeiro pilares para o sucesso no mercado, Laatus não acredita que terceirizar a função para um robô pré-programado e altamente disciplinado seja uma boa estratégia.

“O mercado é muito dinâmico e muda o tempo todo. Ganhar dinheiro com um robô barato é praticamente impossível. Automatizar operações pode funcionar por um período, mas se o mercado mudou o robô para de funcionar. Então não faz sentido utilizar estratégias automatizadas."

Dólar em queda

Especialista em operar dólar por meio da estratégia de tape reading, que envolve a análise de fluxos de mercado, Laatus também faz operações de médio e longo prazo na moeda. E, de acordo com suas expectativas, o real deve ganhar força com a esperada alta de juros no Brasil.

“A retirada do forward guidance deixou aberta a possibilidade de alta de juros. Só isso foi suficiente para o dólar cair 3%. Isso mostra que o mercado, claramente, vai começar a precificar positivamente o real quando os juros começarem a subir”, avalia. O forward guidance é um instrumento que o Banco Central utilizou para sinalizar a manutenção dos juros no médio prazo.

“Isso porque investir em renda fixa no Brasil vai ficar interessante para operações de carry trade, com o investidor tirando dinheiro dos EUA a 0,25% de juros e colocando a 3% no Brasil.”

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Embora veja a possibilidade de valorização do real, Laatus teme que a possibilidade de o governo estourar o teto de gastos neste ano cause efeitos catastróficos no mercado. “Se romper o teto, mostra que o país não tem responsabilidade com o fiscal e o Tesouro começa a ter dificuldade para se financiar. Nesse caso, teríamos um Ibovespa voltando -- sem exagero -- para baixo da casa dos 100.000 pontos."

Apesar de ver com cautela esse cenário, Laatus diz que mantém algumas posições na bolsa visando um horizonte mais longo que o de apenas um dia. Em sua carteira estão papéis de bancos, por considerar um dos mais sólidos setores da economia brasileira, e da Vale. “É uma empresa boa e a recuperação global deve exigir maior demanda por aço."

Mas seu maior otimismo são as ações de empresas que mais sofreram com a pandemia. "Hotelaria, aviação e turismo são excelentes apostas de médio e longo prazo. Quando a circulação voltar ao normal, essas ações vão subir com muito mais força que o restante do mercado”, afirma.


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