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Dólar salta 9% em 2 meses: até onde vai essa alta?

PUBLICADO EM: 18.8.21 | 21H12
ATUALIZAÇÃO: 18.8.21 | 21H18
A moeda vive forte escalada desde o fim de junho, com o mercado de olho no Fed, aumento de casos de covid no mundo e incertezas fiscais no país
Moeda americana pode encerrar a sexta com queda pela sexta semana consecutiva

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Depois de furar o piso de 5,00 reais no fim de junho, o dólar entrou em trajetória ascendente. Em quase dois meses, acumula ganhos de 9%, sendo negociado perto de 5,37 reais. 

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O patamar está longe da faixa entre 4,50 reais e 5,00 reais apontado na metade do ano por algumas gestoras e casas de análise como valor justo para o câmbio. E também distante da projeção de 5,10 reais do último relatório Focus, do Banco Central. 

Segundo Valter Unterberger Filho, gestor da Galapagos Capital, muitos fatores mudaram nesses últimos meses, desde o fortalecimento do dólar globalmente, em meio a expectativas de retirada de estímulos pelo Federal Reserve, até questões internas. Além disso, o aumento do número de casos de covid voltam a pesar no mercado.

"Olhando para Israel, por exemplo, o número de casos de covid tem aumentado e de mortes também. Com isso, o mercado começa a se questionar qual é a eficácia das vacinas e qual é o número mínimo a ser vacinado da população para que possamos ter uma imunidade de rebanho. Toda essa incerteza tem impactado diretamente o preço das commodities e, consequentemente, o dólar", comentou o gestor no programa Fechamento de Mercado, da EXAME Invest, desta quarta-feira, 18.

No Brasil, ele apontou que a situação fiscal preocupa, diante dos adiamentos da votação da reforma tributária e incertezas sobre a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que parcela as dívidas judiciais do governo, os chamados precatórios, que abriria espaço para o novo Bolsa Família.

"O mercado fica na dúvida se o endividamento do país que tinha melhorado no início do ano, por conta do crescimento do Produto Interno Bruto (e contribuído para levar o dólar para um patamar inferior aos 5,00 reais), vai ser sustentável", disse Unterberger Filho.

"Muita coisa mudou da metade do ano para cá. O dólar ficou mais forte no mundo, mas questões internas ajudaram a acentuar esse movimento".

Embora acredite que a moeda já andou muito nesses últimos meses, ele comentou que ainda há muitos riscos altistas no cenário. Entre eles, uma antecipação do início da redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos.

"Acredito que mercado já tem na conta que o Fed deva começar a redução das compras em dezembro. Então, se ocorrer como esperado, provavelmente teria um impacto marginal no câmbio. Mas se essa discussão for antecipada (por uma melhora dos dados de emprego e atividade do país) ou se tiver uma retirada dos estímulos maior do que as estimativas apontam, isso sem dúvidas teria um impacto maior, com riscos de mais altas para o dólar", comentou.

Confira a entrevista completa a partir do minuto 6:45 do vídeo abaixo:

O programa Fechamento de Mercado é transmitido ao vivo, às 17h30, de segunda a sexta-feira, no Instagram e Youtube da EXAME Invest.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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