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É como se a Movida tivesse feito IPO, diz CEO sobre caixa recorde

PUBLICADO EM: 28.7.21 | 21H00
ATUALIZAÇÃO: 29.7.21 | 8H20
Com planos de dobrar de tamanho até 2023, empresa bate recorde em aluguel de carro e encerra período com R$ 3,6 bilhões em caixa

O CEO da Movida, Renato Franklin: previsão de ciclo de crescimento 'muito forte' | Foto: Antonio Teixeira/Divulgação (Marco Antonio Teixeira)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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A Movida (MOVI3) encerrou o segundo trimestre com lucro líquido ajustado de 173,9 milhões de reais, 58% acima do registrado no trimestre anterior e 6.556% maior que o do mesmo período do ano passado. O resultado também superou as estimativas do mercado, que esperava por um lucro de 148 milhões, segundo a Refinitiv

Considerando o resultado da CS Brasil, que caminha para ser incorporada pela Movida, o lucro líquido seria de 198 milhões de reais. Entre as três principais frentes de negócio da Movida, o destaque ficou com a de aluguel de carros (RAC, na sigla em inglês), que teve 538 milhões de reais de receita líquida, batendo recorde para um trimestre. Ao todo, a receita líquida cresceu 50,6% na comparação anual, ficando em 1,211 bilhão de reais. 

“Estamos com balanço forte, plano estruturado e caixa recorde de 3,6 bilhões de reais. É como se a Movida tivesse feito IPO [oferta pública inicial, na sigla em inglês] agora. Devemos entrar em um ciclo de crescimento muito forte daqui para frente. Queremos dobrar de tamanho até 2023”, afirma Renato Franklin, CEO da Movida, em entrevista à Exame Invest.

Com dinheiro de sobra em caixa, Franklin tem avaliado aquisições de empresas menores e de nicho, mas o crescimento deve se dar principalmente pela via orgânica. Com foco no aumento de frotas, a Movida já tem 134.000 carros, com a adição líquida de 12.000 no trimestre e 29.000 nos últimos 12 meses. 

O número de novos carros só não foi maior, segundo Franklin, devido à crise de oferta da indústria automotiva. “Daria para crescer quase o dobro.” O objetivo, diz, é acelerar as compras, especialmente, a partir do começo de 2022, para quando espera uma normalização na venda de veículos novos. O ritmo, no entanto, deve mudar já no terceiro trimestre, com a previsão de entregar mais carros.

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A crise automotiva, por outro lado, também gerou efeitos positivos no balanço da Movida, que atingiu ticket médio recorde de 54.500 reais na venda de seminovos. No mês, foram 12.500 vendidos. “ O normal seria vender 15 mil carros por trimestre. Estamos vendendo conforme estamos comprando”, afirma Franklin. 

Entre os fatores que elevaram o preço dos veículos vendidos pela Movida, o CEO elenca a alta dos carros novos e a maior venda no varejo por meio de plataformas digitais. A expectativa é de que os preços se mantenham elevados. “Historicamente, o carro não fica mais barato, é a inflação que pode diminuir”.  

CS Brasil

Com a incorporação pela Movida aprovada pelo conselho da CS Brasil, Franklin vê grandes oportunidades com o negócio. Segundo ele, os ganhos de sinergia devem ficar em 40 milhões de reais por ano, mesmo que, na prática, as operações das duas companhias do grupo Simpar (SIMH3) se mantenham independentes. 

“O maior ganho está na venda de veículos. A CS não tem estrutura para vender carro e não podíamos vender sem a companhia ser parte da Movida. Estamos falando de, no mínimo, 20 milhões de reais ao ano. Isso é o que está mapeado, mas pode chegar ao dobro no curto prazo”, diz Franklin. A segunda maior sinergia está na frente de manutenção, com estimativa de ganhos entre 10 e 15 milhões de reais por ano. 

Com a incorporação da CS Brasil, voltada à gestão e terceirização de frotas (GTF)para o setor público, a frota da Movida passará a ser de 160.000 carros, com o número de veículos em GTF se igualando ao do RAC. 

De acordo com Franklin, a maior avenida de crescimento da Movida está justamente na área de GTF, que também abrange locação de veículos por assinatura para pessoas físicas.

Embora GTF ainda seja a frente de negócios com menor receita líquida, sendo responsável por 16% do total no segundo trimestre, o CEO da Movida acredita que essa será a principal fonte de receita da empresa nos próximos anos. 

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