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Evergrande: por que o risco de calote na China assusta os investidores

PUBLICADO EM: 20.9.21 | 10H40
ATUALIZAÇÃO: 29.9.21 | 8H02
Ações da incorporadora imobiliária chinesa despencam 10% e tensão derruba bolsas globais
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Ações da Evergrande caíram 10% | Foto: Ricardo Moraes/ Reuters

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Da redação, com agências



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Um possível calote de uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China está derrubando as bolsas globais. A chinesa Evergrande tem cerca de 300 bilhões de dólares em passivos -- mais do que qualquer outra incorporadora imobiliária no mundo -- e os investidores temem que a empresa esteja perto de colapsar, arrastando o mercado imobiliário chinês para a derrocada. 

As ações da Evergrande chegaram a cair 19% na segunda-feira, o que derrubou seu valor de mercado para uma mínima histórica por um breve período. A ação fechou em baixa de 10,24%. O índice Hang Seng de Hong Kong caiu mais de 3% na segunda-feira, liderado por imobiliárias, e o preço médio de dívidas com grau especulativo em dólares de emissores chineses teve a maior baixa em cerca de um ano.

As quedas expressivas ocorreram após a Bloomberg noticiar que a empresa corre o risco de não pagar os juros de empréstimos bancários que vencem nesta quinta-feira. São cerca de 83,5 milhões de dólares em juros de um título em dólares e também um cupom de 232 milhões de yuans (36 milhões de dólares) de um título onshore que vencem no mesmo dia. A Evergrande é uma gigante no mercado de títulos de alto rendimento em dólares da China, respondendo por cerca de 16% das notas em circulação.

“A situação é que uma das maiores incorporadoras da China vive uma situação delicada de crédito com falta de liquidez. Isso pode contaminar todo o setor imobiliário no País, que é importantíssimo para o crescimento. E toda vez que a China soluça, dá sinais de perda de fôlego na retomada econômica, o mundo sente”, afirma Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual digital.

O temor dos investidores é de que as medidas adotadas pelo governo chinês para esfriar o mercado imobiliário do país tenham tido o efeito contrário e acabem por afetar a economia.

“Como as autoridades não mostram sinais de hesitação em desalavancar o mercado imobiliário, as últimas manchetes sobre a Evergrande provavelmente sugerem que a atividade imobiliária pode se deteriorar ainda mais se o governo não fornecer um caminho claro para uma resolução futura”, disseram economistas do Goldman Sachs liderados por Hui Shan, em relatório distribuído no domingo.

Analistas do Goldman recomendaram que as autoridades enviem uma “mensagem mais clara” sobre como planejam impedir que a Evergrande cause “impactos significativos” na economia em geral. O Citigroup disse que as autoridades podem cometer um “erro de política de controle excessivo”. Economistas do Société Générale atribuem probabilidade de 30% de um “pouso forçado”.

“Embora a maioria não espere que a Evergrande entre em colapso de repente, o silêncio e a falta de ações importantes por parte das autoridades fazem com que todos entrem em pânico”, disse à Bloomberg Ding Shuang, economista-chefe para Grande China e Norte da Ásia na Standard Chartered, em Hong Kong. “Espero que a China, pelo menos, ofereça algum apoio verbal em breve para estabilizar a confiança.”

No exterior, os índices futuros americanos operam em queda e o índice pan-europeu Stoxx 600 recua mais de 2% por conta da crise na China. Por aqui, o Ibovespa opera em forte queda puxado pelas ações de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3/PETR4), que são diretamente afetadas pela desaceleração econômica na China.

Crise na China: Impactos para Brasil e Vale

Para quem deseja entender melhor o que acontece no mercado asiático e como isso pode afetar o seu bolso, a EXAME promove uma live com Bruno Lima, analista-chefe de ações do BTG Pactual Digital e Arthur Mota, estrategista internacional do BTG Pactual digital. Acompanhe o bate-papo ao vivo nesta terça-feira, 21, às 10h30.

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