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Fundo com retorno de 78% no 1º semestre aposta em retomada da Estrela

PUBLICADO EM: 29.8.21 | 8H05
ATUALIZAÇÃO: 29.8.21 | 0H17
Gestora Zenith comprou 60% das ações preferenciais da empresa de brinquedos e jogos como Banco Imobiliário; desempenho neste ano foi puxado pelo papel do GPA
Jogo Banco Imobiliário, da Estrela

Banco Imobiliário, um dos jogos mais vendidos da Estrela | Foto: Divulgação

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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O Ibovespa está praticamente no zero a zero neste ano (alta de apenas 1,40%), mas a bolsa guarda muitas oportunidades de ganhos expressivos.

É o caso do fundo Hayp, da gestora gaúcha Zenith Asset, que obteve 78% de rentabilidade no primeiro semestre com uma abordagem fundamentalista e paciência. Com cerca de 170 milhões de reais de patrimônio, sua carteira costuma ser formada por 7 a 10 ações, com um período de permanência médio de três anos para cada ativo.  

“Fazemos um estudo profundo dos casos e, a partir do momento em que colocamos uma empresa na carteira, fazemos um acompanhamento bem próximo”, disse Thaigo Wolf, analista-chefe da Zenith, em entrevista à EXAME Invest. Mas as alocações, segundo ele, “variam bastante”. 

“Eventualmente, fazemos algumas concentrações. Começamos a investir em uma empresa com um percentual baixo do portfólio, mas à medida que a tese se confirma e o valuation permanece atrativo, podemos aumentar a exposição para uma concentração maior”, afirma.

A última grande aposta do fundo Hayp foi em junho, quando comprou 60% das ações preferenciais da Estrela (ESTR4)

Famosa por jogos de tabuleiro, como Banco Imobiliário, Cilada e Jogo da Vida, a fabricante de brinquedos está esquecida há muito tempo pelo mercado, fora de todos os índices da B3 e com volume de negociação abaixo de 2 milhões de reais em julho -- muito abaixo dos mais de 48 bilhões movimentados em ações da VALE (VALE3).

No último trimestre, a Estrela contabilizava patrimônio líquido negativo em 500 milhões de reais e dívida líquida de mais de 65 milhões de reais. Mas a Zenith acredita na recuperação da companhia, especialmente na negociação da dívida. 

“A empresa tem um passivo fiscal muito elevado que prejudica o balanço. A nossa tese é que, em algum momento, ela vai resolver esse passivo fiscal. Isso limparia o balanço e o mercado passaria a enxergar somente a parte operacional que vem apresentando bastante melhora, mesmo durante a pandemia”, diz o analista da Zenith.

Thiago Wolf: analista-chefe da Zenith Asset (Zenith Asset/Divulgação)

A Estrela encerrou 2020 com prejuízo de 15,7 milhões de reais, o menor em pelo menos uma década, enquanto o Ebitda e o caixa fecharam no maior patamar do período, em 28,34 milhões e 7 milhões de reais, respectivamente. No segundo trimestre, a empresa teve 156,9 milhões de receita líquida, a maior número desde 2016 para um trimestre.

O desempenho operacional já tem surtido algum efeito sobre o preço das ações da Estrela, que subiram 80% desde maio, acumulando alta de 140% desde o início do ano. 

O maior upside

Apesar da forte valorização da Estrela, a principal responsável pelo forte desempenho da gestora no primeiro trimestre foi a ação do GPA (PCAR3), o Grupo Pão de Açúcar. Após a queda de mais de 70% com o spin-off do Assaí (ASAI3), a Zenith, que já detinha papéis da empresa, aumentou sua participação para mais de 50% do fundo Hayp. 

O resultado foram dois meses seguidos de rentabilidade acima de 30%, já que o preço da ação chegou a dobrar desde a mínima do ano. Mas a partir do fim de maio os papéis voltaram a cair, pressionando o desempenho recente do fundo, que fechou os últimos dois meses no vermelho. 

Para Wolf, porém, as quedas abriram ainda mais potencial de alta para as ações do Pão de Açúcar, que, segundo ele, reserva o maior upside da carteira do fundo Hayp. “A ação é uma das mais descontadas da bolsa. Se o controlador [Cassino] vender parte do grupo, poderia destravar um bom valor para os acionistas. Mas, mesmo desconsiderando a hipótese, a ação está bem descontada.”, afirma.  

200% de alta

Outro papel com grande participação no fundo é o da Positivo (POSI3), em que a Zenith investe desde 2019. Em 2020, quando os  papéis tiveram fortes perdas em meio à pandemia, a gestora decidiu mantê-los em carteira. Neste ano, a alta da Positivo já beira os 200%.

“A ação tinha caído bastante, mas estudamos e concluímos que a tese ainda fazia sentido. A empresa apresentou bons resultados no segundo semestre de 2020. Então decidimos aumentar a posição naquele momento. Agora, a tese vem se confirmando”, diz Wolf. 

A tese, explica, envolve a maior necessidade das pessoas de ter dispositivos pessoais, como notebooks e tablets, em razão da pandemia. 

“Antes da pandemia, as vendas de tablets vinham com números muito baixos, mas voltaram a crescer. A casa que tinha um desktop para duas ou três pessoas passou a adotar notebooks, que tem vida útil menor, o que tende a gerar um efeito positivo no futuro. O cenário ainda é bem favorável para a Positivo.”

Últimas movimentações

A Zenith vendeu neste mês as ações da Alliar (AARL3), aproveitando o movimento de alta dos papéis, que passam por uma disputa pelo controle da empresa. Somente em agosto, os papéis da empresa de diagnósticos subiram 40%. A rede de laboratórios de diagnósticos esteve no portfólio da gestora por cerca de um ano,

Com o dinheiro da venda, a Zenith comprou ações da SulAmérica (SULA11), que acumula perdas de mais de 20% no ano. “Neste ano houve um quadro de covid-19 mais intenso em termos de internações, e isso acabou pressionando os resultados do último trimestre da empresa. Como a ação tem sofrido bastante, aproveitamos o momento para montar a posição”, revela Wolf. 

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

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